Bernardo, do Colectivo de Artistas do Porto Berru, na exposição ‘Epicentro Milagre’ no Centro de Artes Arquipélago

Natureza delicada dos Açores “é fonte enorme de inspiração”

  O exposição ‘Epicentro Milagre’ vai estar patente no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas até Janeiro, com curadoria Tremor, de António Pedro Lopes, Joaquim Durães, Luís Banrezes e Márcio Laranjeira.
Trata-se de uma exposição com projectos dos artistas Berru, Francisco Lacerda, João Ferreira, Tito Mouraz, Vincent Moon e Priscilla Telmon que trabalham o som, a fotografia, o cinema e a instalação como disparadores do processo criativo.
A exposição, que estará patente até Janeiro, “olha a forma como a especificidade da ilha molda uma identidade cultural, a açorianidade à imagem de Vitorino Nemésio, apresentando artistas cujas obras e pesquisas incorporam o documental, o ficcional, a fantasmagoria ou o convite à imersão. “São olhares de dentro e de fora, os que agora tomam de ataque”  o Arquipélago, como epicentro expositivo. “Exploram as suas dimensões de criação e apresentação artística, contribuindo para a reflexão e confusão sobre o que achamos que sabemos da ilha onde temos pés e criam um conjunto incompleto de milagres dos Açores que renova e expande um acervo de arte contemporânea.”
Os três meses de permanência estão a ser acompanhados por um programa performativo e de serviço educativo
“Nos Açores, numa época em que a terra treme todos os dias, diz-se iminente o surgimento de uma nova ilha. O milagre de um novo território potencia um novo futuro, ainda que a transformação do planeta pelas mãos do homem, nos empurre para a submersão da terra, o fim do mundo e o absoluto desconhecido. Vive-se dentro de uma beleza sem contenção, um paraíso vulcânico erguido pelo avassalador poder da natureza, mágico e inesperado”, lê-se na apresentação do Tremor..  
Berru é um colectivo de artistas do Porto formados nas áreas de Artes Plásticas, Multimédia, Cinema e Engenharia, dedicado à criação artística, a obra dos Berru reflecte sobre a relação íntima do ser humano com a máquina, abordando questões filosóficas, antropológicas, políticas, sociais e éticas.
Mais recentemente o Berru “tem vindo a interessar-se por sistemas complexos e biológicos, inspirando-se na relação do ser humano com o mundo para pensar, debater e criar”.
Utilizando diversas ferramentas, materiais e processos de criação artística, a sua obra mistura tecnologia, arte, ciência e filosofia


Correio dos Açores - Em que se inspiraram para desenvolver este “estudo da distribuição das dimensões dos grãos de um solo”?
Bernardo (artista do Colectivo de Artistas do Porto ‘Berru’) - Nos Açores, no sistema que o constituí, na sua geografia em constante mudança e natureza delicada. Sem dúvida foi uma fonte enorme de inspiração, naturalmente cruzada com os nossos interesses colectivos e metodologias.

Porque optaram por esta obra?
A obra foi criada numa residência e para ser mostrada nos Açores.
Surge da nossa experiência no lugar e fala de coisas que são características evidentes, pelo menos para nós, no universo dos Açores.
 
Como foi o processo de criação?
Foi extremamente complexo e difícil, por outras palavras, óptimo. Produzimos algo que nunca tínhamos feito, isso para nós é importante, tentar reinventar as nossas abordagens a cada projecto.

O que esperam do público quando visitar a vossa obra?
Esperemos que, de alguma forma, a obra seja objecto de discussão ou gatilho para um diálogo, seja ele qual for. Uma obra de arte vive também no observador, no que em nós fica após vermos uma peça,
que pode não ter nada a ver com as motivações ou investigação do artista, antes ser algo que vem da nossa vida ou experiência pessoal.  

Como definem este vosso trabalho?
Lutamos precisamente contra a definição do nosso trabalho, vemos a tecnologia como uma ferramenta e trabalhamos segundo a nossa experiência colectiva. No caso desta residência trabalhámos com o Luís Brum, artista e amigo residente em S. Miguel, com quem tivemos uma experiência incrível.

Como o explicariam a quem o visita?
Na verdade, gostávamos mais de perceber com quem visita o que sentiu antes de qualquer explicação. Estudo da distribuição das dimensões dos grãos de um solo apresenta em planos suspensos, sedimentos geológicos de rochas de S. Miguel.
A construção dos planos alude à idealização de novos estratos geológicos artificiais expostos à acção da máquina e do homem ao invés de processos naturais.

Contem-nos um pouco sobre cada um. São todos do Porto? Qual a especialidade de cada um? De que forma juntos se conseguem “interligar” para desenvolver o trabalho que idealizam?
Nós somos um Colectivo de Artistas residentes no Porto. Não temos propriamente uma especialidade. Na verdade, à medida que nos interessamos por algo novo vamos produzindo e desenvolvendo trabalho.

Já venceram vários prémios, como vêem esse reconhecimento do vosso trabalho?
Mais do que vencer prémios, é óptimo desenvolver trabalho quando este é reconhecido, dá-nos vontade de produzir mais.

Estão a preparar algum trabalho para breve? Algo que inclua os Açores?
Estamos a preparar uma performance a estrear dia 7 de Novembro, que resulta da residência ‘No Entulho’, da Artworks. Temos imensas ideias para produzir peças nos Açores, esperamos voltar em breve.

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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