Delegado de Saúde da Lagoa afirma que o Centro de Saúde tem falta de profissionais

 O Delegado de Saúde da Lagoa, Magno Silva, afirmou ao jornal Diário da Lagoa que “há muita falta de profissionais de saúde ainda; muita, muita, muita. Posso dizer que em pleno estado de emergência necessitamos de 50 a 100 pessoas e agora poderemos necessitar das mesmas e não temos”, sublinhou em declarações à jornalista Sara Sousa Oliveira.
Perante a questão sobre de a pandemia veio piorar a prestação de cuidados de saúde primários às populações, Magno Silva não tem dúvidas: “ naturalmente que sim. A proximidade dos utentes com o seu médico de família não foi a mesma como era antes da Covid. As consultas aconteceram mas de uma forma muito diferente, em teleconsulta, o número de consultas presenciais reduziu imenso, estamos agora a tentar recuperar”. 
Magno Silva assumiu as funções de Delegação de Saúde da Lagoa, em Julho, em pleno pandemia, depois de exercer na delegação as funções de médico de família ao mesmo tempo que era Delegado de Saúde na Povoação.
“Em plena Covid, em Julho,”, conta, “eu recebo um telefonema da Secretária Regional da Saúde a dizer: “olha, a partir de agora és Delegado de Saúde da Lagoa” e a sua resposta foi um “ok, está bem”.
“Como eu resido em Ponta Delgada e trabalho aqui na Lagoa não tinha como dizer que não sabendo que ia trabalhar na mesma área em termos técnicos”, justifica.
Quando questionado sobre se o número de pessoas com problemas de saúde que agora recorrem aos centros de saúde aumentou?, a sua resposta foi a de que “tenho a perspectiva e que vai aumentar”. Explica, a propósito, que “pontualmente, mais na patologia psiquiátrica as pessoas descompensaram um pouco e estão a aparecer na consulta, pessoas que nunca tinham manifestado um problema de ansiedade. O confinamento traz à tona os problemas que as pessoas tinham mais ou menos resolvidos”.
E, à pergunta sobre se a pandemia está a afectar psicologicamente as pessoas saudáveis, a sua resposta é positiva: “Sim e os profissionais de saúde também, mas isso é uma longa história”, diz com um sorriso.
Nas declarações ao Diário da Lagoa, Magno Silva admite que a Covid “foi um desafio tão grande para todas as pessoas, para a Secretaria Regional de Saúde, Direcção Regional de Saúde, para os delegados de saúde, para os médicos de família, que ninguém estava preparado para isto”. 
“Naturalmente que se notou  algumas fragilidades, houve problemas de comunicação e falo muito em comunicação porque as ilhas têm um problema. A Terceira é longe, não é perto, pelo mais que a gente esteja duas horas ao telefone, não é a mesma coisa que estar presencialmente. Fazíamos algumas tele-reuniões, mas é muito diferente. E acho que ninguém soube ultrapassar essa barreira da comunicação com uma barreira de mar entre duas ilhas”. completou.
 Falou da pressão psicológica que viveu no período mais intenso da pandemia e acentuou que “o mais difícil era pegar no telefone e dar a notícia da positividade a um infectado. As pessoas ou não acreditavam ou estávamos a ligar a dar uma sentença de morte. Tive casos de pessoas que ficaram sem falar ou que desmaiaram,  gritaram... falei com muitos positivos, é muito difícil”, concluiu.
 Questionado sobre as perspectivas para os próximos meses que, agora, “poderá ser o verdadeiro desafio da Covid em São Miguel. Sabemos que temos um controle que não tínhamos antes dos testes no aeroporto, temos ainda o teste do sexto dia como uma mais-valia do controle da pandemia. Acho que vai aumentar o frenesim com a chegada do inverno, pode haver um aumento mas não será muito problemático”.
Magno Silva explicou ainda ao Jornal da Lagoa o que faz um delegado de saúde: “Faz muita coisa. Neste momento a função de um delegado de saúde é quase supervisionar a saúde pública de um concelho, desde a restauração, fábricas, escolas, tudo o que é serviço de público poderá ter alguma influência da Delegação de Saúde”. 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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