8 de novembro de 2020

OPINIÃO - Coisas do Corisco

O dói dói de Carlos César

A noite do dia 25 de Outubro chegou expectante, com um prenúncio novo, aos Açores. Trouxe-nos um novo paradigma: o paradigma da alegria mas, acima de tudo, o paradigma da esperança, de uma mudança que viesse urgentemente salvar os Açores com uma nova governação, prenhe de frescura, com ideias novas, e muita seriedade, fora do brutal despotismo com que a incompetência dos socialista, na sua rudeza e convencida megalomania, afundaram social e financeiramente os Açores.
Nunca gostei de Carlos César, quanto a mim é um presunçoso esfomeado  pelo poder,  que encontrou na política a sua profissão, da qual, feito um exímio malabarista, se serviu, sem ética, e sem pudor,  para oferecer os tachos que concedeu aos seus familiares mais chegados,  e aos boys do partido, para se servirem à manjedoura pública,  sob a batuta da  incompetência, que nos atirou para a bancarrota em que nos encontramos.
Por isso, no dia 26, o Sol despontou sorrindo-nos, trazendo a público o dói, dói, com que os principais líderes socialistas, desnorteados, diria atónitos, deixaram  de dizer coisa com coisa, como que embaçados pelo estouro que nunca pensaram que os açorianos lhes provocariam nas  urnas.
No seu discurso, no Teatro Micaelense, depois dos resultados das votações na Região, Vasco Cordeiro, um homem que nunca teve jeito ou engenho para governar, de sorriso artificial, sob a presença da voz do dono, Carlos César, gaguejou,  constantemente,  que o PS é que tinha ganho as eleições e o PSD/A tinha-as perdido pela sétima vez consecutiva. 
Esqueceu-se, porém, da grande vitória dos partidos da oposição, PSD/A incluído, em roubarem-lhes, nas urnas, a maioria absoluta.         
Uma das coisas que também muito me impressionaram na actuação de Carlos César, e que provam o estado de choque em que ficou,  foi o descaramento  com que veio para a imprensa para falar de Mota Amaral, um senhor diga-se, que digna e eticamente serviu a política enquanto ele, César, se serviu da mesma.
Assim, não vejo porque razão  César disse que a constituição de um governo tem que ser “ um acto de grande responsabilidade e de futuro”, como se, só César e o PS fossem o futuro.
Por exemplo, que futuro teriam os Açores com a continuação de um governo de maioria absoluta socialista? O que iriam fazer para libertarem as nossas finanças, já na bancarrota, e na eminência de, falidos, passarmos a ser tutelados  financeiramente por gente de fora? Como iriam recuperar  as empresas em que o Governo é parceiro, sem um tostão, com passivos inimagináveis, como é por exemplo e SATA? E a nossa economia verde, que bateu no fundo, ao importarmos, presentemente, mais de 72% daquilo que necessitamos para comer, e como recuperaria a importância social e económica que a economia verde tinha não há muitos anos atrás? Que faria para que a nossa economia azul, nas ruas da amargura, nos trouxesse a riqueza que ostenta,  e que não tornasse impossível aos açorianos comerem a esmagadora maioria dos peixes que por cá se pescam?
César disse que o PS teve mais votos, mais deputados e vitórias em mais ilhas, concelhos, e freguesias nos Açores.
Tudo isso é verdade só que o povo estava farto da arrogância socialista, e perturbado com o despotismo com que eles decidiam, como queriam, os nossos destinos, sem se preocuparem com o sucessivo derrapar das nossas finanças públicas em negociatas manhosas e sem sentido. Por isso Carlos César tem que engolir o raspanete que o povo açoriano lhe deu nas urnas, e gemer com o dói dói que o atormenta, suportando a azia de ver nos Açores, formar-se um governo de coligação que os ponha na rua. 
Poder-se-á, por isso, perguntar a Carlos Cesar porque razão saltou de contente com a criação da geringonça que permitiu Costa roubar a vitória de Passos Coelho, e se preocupa tanto com a possibilidade de poder existir um governo de centro direita nos Açores, liderado pelo PSD/A?
César está com medo de quê? Que a passadeira que preparava para o filho governar a Região, possa falhar? 
Que o domínio socialista  possa terminar nos Açores depois de se provar quão mal nos governaram ao longo dos tempos? Que a aposta no turismo, tal qual foi estruturada,  para além de ter sido  um enorme erro para a economia dos Açores, foi desastrosa para a nossa fragilidade ambiental? Que a política do leite, tal qual tem sido conduzida, é péssima para a região, assassinando a nossa agricultura tradicional? Que a louca incompetência de Fernando Lopes, e o seu amen,  simplesmente, destruíram  a nossa agricultura e os recursos   hídricos em S  Miguel, ao  ponto de hoje nos faltar a água e de secarem, no Verão, 5 ribeiras, pela destruição maciça dos matos que abasteciam as turfeiras responsáveis pela alimentação de muitos dos importantes lençóis freáticos de S. Miguel?
Haveria alguém na Região, que investisse  nas indústrias agro alimentares, sob a incompetente e louca gestão socialista na economia  verde? Uma pergunta final que seria urgente perguntar a César e a Cordeiro: não se sentem cansados e tristes pelo estado a que chegou o nosso ensino, a nossa saúde, e a verdadeira gestão dos nossos recursos? Ou será que a sua loucura é tal, que ainda não realizaram o mal que provocaram aos Açores? Será que ainda queriam destruir mais?

Por: Valdemar Oliveira

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Categorias: Opinião

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