Estilista Isabel Roque esperava duplicar lucros e surgir com uma nova colecção em 2020

Apesar de nunca parar de projectar e de criar, Isabel Roque fala das expectativas elevadas que, à semelhança de outros empresários, tinha para o seu negócio próprio para o ano de 2020. 
Embora tenha também colocado um travão nos projectos que tinha para este ano, a estilista adianta que não irá desistir daquilo que foi pensado e que irá apostar mais na sua loja online para fazer face às dificuldades que se avizinham.

(Correio dos Açores) Tendo em conta que em 2018 lançou a My Azores Collection e continuou a trabalhar na sua marca, que balanço faz do ano de 2019?
Foi uma boa surpresa, correu muito bem. A marca teve uma grande aceitação a todos os níveis, quer ao nível do nosso país e também a nível internacional. Foi também um grande desafio mas para o primeiro ano o balanço foi extremamente positivo.

Tanto que a marca continua a ter novas peças e continua a crescer…
A marca tem crescido sempre, independentemente daquilo que nos está a acontecer e desta nova realidade que estamos a viver. A marca não tem parado. Parou durante quatro meses porque teve que parar, mas a nível criativo não parou porque estive sempre a trabalhar mesmo na quarentena, em casa, porque me estavam sempre a surgir novas ideias e estive sempre a desenhar, a construir e a projectar, e mal eu possa eu passarei à execução daquilo que estive a fazer. Retomámos a loja em Julho e, embora não seja o que queríamos, dentro daquilo que estamos a viver e do turismo que cá tivemos, a facturação baixou para 30%, o que já não foi mau, (…) mas tive uma quebra de 70%. Faz muita mossa, mas para o que pensava que ia acontecer – que seria o facturar quase 0% – já não foi mau.

Isto deveu-se também ao facto de criar as suas próprias máscaras?
Sim, ajudou. Infelizmente. Não queria nada fazer máscaras, não era uma coisa que estava nos meus planos, mas face a esta situação teve que ser e realmente correu muito bem, porque as máscaras nunca são iguais, são máscaras únicas, e são máscaras com imagens dos Açores, e é claro que marcámos a diferença por serem máscaras com um design inovador e diferente.

Foi uma aposta decisiva?
Tinha que ser. Tenho que me adaptar a tudo aquilo que se vive. Sou criativa mas também sou empreendedora e, portanto, tento sempre conciliar as duas coisas porque tem que ser, não há outra forma. Tenho uma micro empresa e não dependo só de mim, já tenho seis famílias a trabalhar e por isso tenho que inovar e que me adaptar face às situações que estamos a viver para conseguirmos sobreviver.

Que expectativas tinha para 2020? Houve projectos que ficaram por executar?
O meu grande projecto para 2020 era o de duplicar a minha facturação e de entrar com uma nova colecção, com outras peças e outros produtos, o que não se conseguiu, como é óbvio.
(...) Não estou a considerar que as máscaras sejam uma peça, estou a considerar outras peças que estavam em plano para aparecerem e aumentarem o leque da My Azores Collection. Isto não aconteceu, e ao fim de dois anos e meio depois de a marca ter nascido a expectativa era a de conseguirmos duplicar a facturação, até porque também se ganhou experiência com o crescimento desta marca e até aos dois anos é tudo aprendizagens. Se as coisas estão a correr bem tal como correram bem no primeiro ano, logo a aposta seria mais forte no segundo ano.
Isto foi impossível, inclusivamente estivemos com a loja fechada e de quarentena, por isso não se conseguiu fazer a facturação prevista no aeroporto. Também tinha outro projecto que não posso ainda partilhar, mas era um projecto para lançar em 2020 que está adiado e do qual não vou desistir. Estou a aguardar por uma nova fase e para que a economia estabilize, o que não acredito que aconteça nem tão cedo.

A My Azores Collection tem-se dedicado a vender acessórios mais pequenos, tais como relógios ou elásticos para cabelo. Fez parte da sua estratégia para manter algumas das vendas?
Sim. Tinha que entrar com acessórios não só mais pequenos, mas com outros valores mais acessíveis e que possam chegar a mais pessoas, portanto tiveram que aparecer como estratégia empresarial para que houvesse um mercado para todos, de diferentes níveis económicos, para que seja mais fácil adquirir uma peça da My Azores Collection.

 E a aceitação dessas peças tem sido boa?
Sim, é óbvio, porque assim dá hipótese de a pessoa adquirir uma peça não com valor acrescido mas com um valor que corresponde à expectativa da carteira em questão e para que possa levar consigo uma peça da My Azores Collection e uma recordação dos Açores.

Mesmo com a pandemia e com as alterações que teve que fazer continua a ser procurada pelo cliente estrangeiro?
 Sim, sempre. Pelo menos por aquele que cá vem. Costumo dizer que só não vendo porque não tenho clientes. Sempre que as pessoas cá vêm, e quando o turista regressa nós vendemos sempre. Aquilo de que nós nos ressentimos é da baixa que houve em relação à diminuição do turismo dos Açores.

De que forma é que, com esta pandemia, os meios digitais e as redes sociais se tornaram também fundamentais para si?
Como as coisas corriam bem eu deixei de me dedicar tanto à loja online para me dedicar mais à loja física, mas agora vou reactivar a loja online e vou dedicar-me a ela. (...) Vou ter que dividir quase que mais de metade para as redes sociais e para a loja. Ainda por cima, conforme o que se avizinha, as coisas vão piorar, é Inverno nos Açores e o turismo cai sempre, e agora então com esta situação cai na totalidade. Por isso, a minha dedicação vai ser às redes sociais e à loja online.

Em relação ao processo criativo, é difícil manter algum ânimo em relação à criação de novas coisas?
Como sou uma pessoa optimista, e para mim a vida só faz sentido a criar, eu não deixo de criar até porque acredito que as coisas vão melhorar. 
Vou continuar com o meu processo criativo, com todos os materiais que tenho em stock, e a esses eu vou dar vida. Todo o resto, como fazer encomendas de novos tecidos, fazer encomendas de novas aquisições isso não faço, mas a tudo o que tenho em stock vou dando vida, dentro das possibilidades. Novos investimentos é claro que não os faço, porque nesta fase ninguém os pode fazer nem eu tenho capacidade para isso.
 

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