15 de novembro de 2020

Opinião - Ponto crítico

PSDA - A oportunidade e os perigos

 O PSDA tem agora a oportunidade de reassumir o governo dos Açores que perdeu há 24 anos.
Então, o partido que obteve a mais expressiva votação, mas com idêntico número de deputados do segundo, foi indigitado para formar governo e apresentar o seu programa na Assembleia Legislativa Regional. O CDSA, não pelo PS, mas por uma espécie de PSDfobia geograficamente localizada, viabilizou a aprovação do programa eleitoral levado à discussão e votação do Parlamento e assegurou a permanência do governo PS durante todo o mandato. 
A verdade é que o CDSA mudaria de líder pouco tempo depois das eleições porque o inicial abandonara os Açores e a política, cumprida que estava a missão de barrar o caminho ao PSDA.
Devo acrescentar ainda que o PSDA, antes e no momento da formação do governo regional, afastara qualquer hipótese de acordo ou aliança com o CDSA e nem da sua eventualidade queria ouvir falar. Todavia, nãomanteve durante todo mandato aquela posição, como descreve o então Representante da República num livro de recordações recentemente publicado dizendo que tinha sido confrontado com a hipótese da aprovação de uma moção de censura – PSDA mais CDSA - e esclareceu que se tal acontecesse convocaria novas eleições. O governo não caiu durante o mandato porque PSDA e CDSA recearam que os resultados de um novo ato eleitoral a meio do mandato não lhes fossem favoráveis. 
No presente, de novo o CDSA e deputados regionais eleitos fazem valer a maioria parlamentar constituída por consenso e acordo entre vários partidos com assento parlamentar,suficiente para a aprovação do programa de governo. É uma eminente questão regional e não nacional. Tenham juízo e moderem a vozaria sem sentido. Não queiram impor aos açorianos o consumo de resíduos políticos de comprovada toxidade.
Excluir do consenso político e governativo um dos partidos, eleito para o parlamento, considerando-o proscrito e condenando o seu eleitorado é um atentado à democracia, à liberdade, à igualdadee um intolerável comportamento político. Quem tem o direito de condenar o eleitor? Exigir que os diretórios nacionais dos partidos obriguem as estruturas regionais a seguir os interesses próprios e exclusivistas dos respetivos diretórios é ingerência nas questões regionais, negação da autonomia e enfileira nas mais abomináveis condutas ditatoriais.
O BE tem um candidato a presidente da República, como também o PS, embora seja este putativo, e não estão a controlar o desconforto seguido de pânico gerado pelo facto do candidato do CHEGA os poder ultrapassar em votos nas presidenciais. Todos são livres de lutarem pelos seus candidatos, porém o que não devem nem podem fazeré usar e abusar da Região Autónoma dos Açores para erguer um muro de defesa preventivo das suas eventuais perdas na corrida aos lugares secundários das eleições presidenciais com vencedor previamente anunciado. Assim se vê o seu conceito de liberdade e democracia e o seu espírito centralista. Constituem um verdadeiro perigo para a autonomia regional.
O PSDA tem uma oportunidade ímpar para mostrar a sua mais valia política perante um desafio cheio de escolhos. A sua governação democrática e de proximidade, bem patentes em relevantes municípios regionais, indiciam um novo tempo. Nos Açores não existe xenofobismo nem fascismo nem discriminação racial nem nenhuma preocupação com extremismos. O acordo celebrado pelo PSDA é regional e válido para a Região Autónoma. Os deputados são regionais.
O governo do PSDA vai conjugar a experiência e a juventude alicerçadas na competência, no conhecimento da realidade açoriana, na credibilidade dos curricula dos escolhidos bem como nas suas convicções autonómicas.Resistir ao murmúrio do passado é um imperativo.
Autonomia, coesão regional, transparência, melhor economia e menos pobrezaé do que os Açores precisam. A logística, o investimento, o planeamento carecem da atenção que lhes foi negada.Resolver ou minorar os problemas logísticos dos Açores (distanciamento, dispersão e reduzida escala humana e económica) é tarefa prioritária e um valioso legado para as gerações vindouras. Os serviços e empresas públicas carecem de uma reforma global e profunda. O bom e efetivo relacionamento com União Europeia é uma das melhoras defesas contra as investidas centralistas que se anunciam já.
As Regiões Autónomas não são socialistas. É verdade. O PS tem consigo o BE no Continente, nos Açores o PSDA tem os deputados eleitos do CHEGA. E depois?!...

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Categorias: Opinião

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