15 de novembro de 2020

Recados com Amor

Meus Queridos! Tal como disse no meu recado da semana passada, não consegui acompanhar o resultado final da audição dos partidos políticos com representação parlamentar pelo Embaixador Pedro Catarino, Representante da República para os Açores. E tive pena, porque o desfecho deu pano para mangas… ao ponto de muitas das amigas que costumo juntar em minha casa para o costumado chá com uns biscoitos de orelha e umas queijadas D. Amélia que me envia a minha comadre Maria da Praia, não terem podido juntar-se, porque umas ficaram de nojo durante a semana e murchas como as rosas quando deixam de ter água… e as outras andaram a afastar as moscas das laranjas para que elas não sejam contaminadas… De qualquer forma, o resultado é o que se conhece, e que tem feito correr muita tinta, apesar da transição do PS para o PSD e companhia estar a fazer-se de forma civilizada, em contracorrente com o que se passa na Terra do Tio Sam, onde o presidente Trump se agarra à cadeira do poder dando um triste e lamentável espectáculo que mancha a democracia… Em contraponto, apreciei o gesto do meu querido Presidente cessante Vasco Cordeiro, ao receber o Presidente indigitado José Manuel Bolieiro para falarem sobre a transição do poder… A minha comadre Maria da Praia contou-me que na Terceira o ambiente está de cortar à faca… ao ponto de acusarem o Presidente da Câmara de Angra de ter culpas pela perda de um deputado do PS na Terceira… Disse-lhe que em São Miguel a coisa não vai tão longe e que vários pesos pesados do PS têm colocado as culpas da derrota é no PSD/A e nos acordos que aquele partido fez… A minha prima Angélica diz que há muitos hirtos dirigentes do PS que mantêm as viseiras que colocaram em 1996 quando chegaram ao poder… e que entrevêem a política dali para cá como que o inicio da história dos Açores começasse a partir daquele ano… É pena, e Angélica tem esperança que aproveitem agora a ocasião para fazerem um exame de consciência, embora se gostem de afirmar laicos e agnósticos…  


Meus queridos! Ainda a propósito das eleições de 25 de Outubro, a efervescência que por aí vai com a nomeação e formação do novo Governo Regional dos Açores não tem paralelo na história da Autonomia. Ainda há pouco tempo a comunicação social do rectângulo só falava dos Açores quando havia terramotos ou tempestades. De repente, entre notícias e “paineleiros” só se ouve falar dos Açores e da solução encontrada para o Governo. Até o meu querido Presidente Marcelo teve necessidade de dizer que “uma coisa é gostar e outra é ter de ser”… Por mim, espero para ver, porque ainda não me entrou na cabeça que há votos que valem mais que outros e que os eleitores são classificados de estúpidos ou inteligentes conforme a visão partidária de cada um. Como não tenho nada a perder nem a ganhar, aqui do meu cantinho, na minha rua Gonçalo Bezerra, só me apetece dizer que bastaram cinco mil e poucos votos “para o diabo aparecer” e os Açores serem uma “ameaça séria para o mundo”…

Ricos! Segui com toda a atenção, entre um chazinho e uns biscoitos da Ribeira Grande, o longo debate na RTP/Açores, na noite de Quinta-feira sobre a situação covidiana nos Açores, onde o ainda Director Regional e Autoridade de Saúde,… o meu querido Tiaguim esgrimiu com todas as armas de defesa que tinha… contra o ataque cerrado que veio de todos os lados, desde as ordens dos Médicos e Enfermeiros até ao Presidente da Associação de Municípios de São Miguel. A minha sobrinha-neta, que anda pelas redes sociais, disse-me que o debate tem sido pasto para grandes lucubrações recheadas de opiniões para todos os gostos… Mas, eu penso não ser mulher influenciável, achei que foi um bom debate e permitiu concluir que, mais do que cuidar do controlo da pandemia, cada um procura é “defender a sua dama”… Tive pena que a postura do meu querido Tiaguim foi pouco dialogante, mostras estar cansado e, pior ainda, o comunicado do Governo Regional que saiu da reunião do dia a seguir, cilindrou tudo o que ele andou a defender. Afinal fechou uma carrada de escolas e passa a ser obrigatório o teste antes de viajar para os Açores, coisa que ele na véspera dizia que não podia acontecer por via de não constar na lei que decretou o Estado de Emergência… Um desencontro ou uma desautorização!... Coitado do homem!

Meus queridos! E já que estou a falar em restrições e como não sei quem fiscaliza estas coisas, deixo aqui o apelo da minha prima Jardelina que tem uma sobrinha que trabalha ali para os lados da Calheta e que ainda na noite de Sexta-feira para ontem, no seu serviço nocturno, levou toda a noite a ouvir batucada vinda de uma discoteca cujo nome não diz… para não levar com um processo em cima e que às seis e meia da manhã ainda estava com música e gente a sair aos tombos e berros, sem máscaras nem nada. Se o vírus entrou numa “casa de bonecas”, não entra num clube ou numa discoteca? Não é por mal, mas esta mistura de critérios de poder ser para uns o que é proibido para outros… está a desorientar e a dar cabo da paciência de quem ainda tinha esperança que a responsabilidade individual poderia ser a forma melhor de vencer o medo… Mas não! Pela amostra, estamos mesmo entregues à bicharada que faz o que quer!

Ricos! Cada vez mais a minha querida presidente Maria José faz jus ao seu título de “Presidente demolidora”, agora com a notícia que li no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio e que a minha prima da Rua do Poço já recortou e guardou religiosamente no grande caixote que tem com tudo o que é notícia e artigos dos jornais sobre as famigeradas galerias da Calheta e que diz que a Câmara vai mesmo avançar com a demolição da dita obra, que considerou “ilegal”. Não sou mulher entendida nestas coisas de leis, mas não sei como é que só agora se descobre que aquilo é ilegal, depois de tantos anos e de tantos protagonistas. A não ser que ilegal seja apenas o não cumprimento dos prazos por parte dos concessionários. Mas a mim, e ao contrário de muitos, pouco me interessa o passado. Por muito se querer falar no passado é que pouco se tem avançado. O que interessa agora é que a minha querida Presidente Maria José tenha força para levar avante o seu propósito, porque, em minha opinião, e como já disse aqui nos meus recadinhos, ela “picou o bicho”, mas o bicho ainda mexe…

Ricos! Apesar de já contar um bom ror de anos e de estar reformadérrima da Caixa, ainda sou capaz de me adaptar a muitas mudanças, desde que veja que elas trazem alguma coisa de novo e sadio… Mas não posso com esses fundamentalismos bacocos que confundem os direitos das pessoas com os exageros dessa coisa que está muito na moda e que se chama ideologia do género… exageros que nada têm a ver com a linguagem mais inclusiva que até não fica mal e nalguns casos até é preciso... Bem bom que alguns políticos quando não fazem discursos de vitória, esquecem-se dos triunfalismos de “caras açorianas e caros açorianos” e também vai passando a onda de dizer que uma mulher é presidenta disto e daquilo… A melhor que li estes dias é que a palavra homicídio deixou de significar assassínio de homem ou mulher. Agora, matar uma mulher é um femicídio (a palavra está no dicionário)… só falta dizer que quando se matar um homem, o crime vai-se chamar “machicídio”… Uma questão de fêmea e macho! Isto é que é inclusão! Tenham dó! Deixem-se de inventar tontearias e ocupem o muito tempo que lhes resta para ajudar os que mais precisam…

Meus queridos! Quero mandar um ternurento beijinho ao meu querido e sempre jovem, padre José Fernandes Medeiros, pelas suas 88 primaveras celebradas, no dia 12, oitava de São Martinho, com os meus votos de todas as felicidades, como merece aquele espírito sempre jovem. Sei que ele é um atento e assíduo leitor dos meus recadinhos e de todo o conteúdo do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio. Ao antigo prior da Matriz da Senhora Mãe de Deus, da Povoação, e professor no Externato daquela Vila que ajudou a formar muitos jovens de várias gerações… só desejo que continue com a mesma força e a mesma boa disposição.

Ricos! A minha prima Maria da Vila ligou-me esta semana a dizer que tinha lido no centenário jornal A Crença, propriedade da Matriz de Vila Franca, que estavam a pensar criar uma empresa, ou uma fundação ou uma cooperativa... para que o jornal possa sobreviver. Eu, que sou leitora do velho jornal desde há muitos anos o que quero é que não façam coisas que possam levar ao desaparecimento de mais um jornal da Igreja. Nos últimos tempos a Diocese tem sido coveira de jornais e já se foi a UNIÃO e o CORREIO DA HORTA. O que a minha prima pensa é que está na hora de a Diocese dizer o que quer de A Crença, pois não se compreende que seja o Bispo a nomear o director do jornal, e as responsabilidades do pilim e da gestão fiquem com a Matriz… Pode ser defeito meu devido à idade, mas lembro-me do tempo em que todas as igrejas eram assinantes da Crença pagando o dízimo pela assinatura… porque o seu conteúdo reflectindo a sociedade, servia para apoiar o serviço pastoral…
 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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