17 de novembro de 2020

Opinião

Governo estável? Onde está?

Os resultados eleitorais do passado mês de outubro nos Açôres têm dado “pano para mangas” em todo o país. Uns comentam pela positiva a solução encontrada pelo PSD, outros comentam pela negativa, em especial pela entrada dos partidos CHEGA e INICIATIVA LIBERAL em acordo parlamentar com a coligação formada pelo PSD, CDS/PP e PPM.
Todos sabem que não sou politólogo - nova designação que alguns comentadores se auto classificam. Todavia, não me passam ao lado as situações políticas que vivemos no dia-a-dia, observando o que me rodeia e tentando entender as tomadas de posição deste ou daquele governante ou político em funções.
Assim, e por maior força de razão, o actual momento político não me é indiferente, pelo que me atrevo a emitir a minha opinião, tendo como base a minha independência política em relação, tanto às formações partidárias em presença, como às outras forças em ausência.
Tenho em meu poder as minutas dos acordos subscritos pelas várias forças políticas que assinaram a coligação e os acordos parlamentares. Após atenta leitura verifico que os militantes do PS que, pelo modo como falam e escrevem demonstram ter um ódio por tudo quanto não seja do punho esquerdo fechado (para mim a rosa é para disfarçar), não têm qualquer razão em criticar os partidos coligados e acordantes porque, aqueles documentos, em especial o do CHEGA e o da INICIATIVA LIBERAL, nada têm de diferente daquilo que publicitaram durante a campanha eleitoral.
Penso que a Federação local do Partido Socialista Português está sofrendo as consequências da sua actuação durante 24 anos, tal como aconteceu em 1996, quando o a delegação local do Partido Social Democrata de Madruga da Costa, que Deus tem, perdeu as eleições em favor do PS de Carlos César.
Mas que não se julgue que a nova governação de Bolieiro irá ser tranquila. Julgo que será tudo menos tranquila. Daí admirar a coragem do actual presidente do PSD local em tomar em suas mãos os destinos de uma região que está no fim da lista dos rankings, desde a riqueza à educação, passando pela economia.
Falando concretamente, sou da opinião de que, quando for necessário a maioria de dois terços de deputados a votar favoravelmente um documento, tal não acontecerá porque o PS, naturalmente, votará contra. Julgo que será o que irá acontecer quando for proposta a alteração do número de deputados, da revisão da constituição e da alteração à lei eleitoral.
Por outro lado, mesmo em matérias de menor complexidade, continuarão a haver os “crivos” do Representante da República e, de modo especial, da Assembleia da República que, só pelo facto do CHEGA figurar na votação, o hemiciclo nacional chumbará as pretensões açorianas.
No meio desta barafunda toda, contrariamente às manifestações opositoras dos “fundamentalistas” PS, o ainda Presidente do Governo Regional dos Açôres Dr. Vasco Cordeiro, deu um exemplo do que é ser democrata, ao convidar o Presidente indigitado Dr. José Manuel Bolieiro, para uma reunião no palácio da Presidência do Governo em Santana, visando a passagem de testemunho.
Perante o que acima escrevi, sou da opinião de que o próximo governo que iremos ter tem tudo menos a estabilidade proferida pelo senhor Representante da República.
Diria até que a estabilidade de governação está nas mãos de três pessoas que são os eleitos do CHEGA e da INICIATIVA LIBERAL. 
Mesmo assim, há que contar com os líderes nacionais daquelas duas formações partidárias que, certamente, quererão meter “o colherão” em matérias de interesse específico para os Açôres. Se tal vier a acontecer, é certo e sabido que nada de bom virá daquelas bandas. A menos que os “três mosqueteiros” se revoltem.
De resto, têm o exemplo do que aconteceu na Assembleia da República e, se não estou em erro, na nossa Assembleia Regional também.
Aguardemos o desenvolvimento dos acontecimentos.


P.S. Texto escrito pela antiga grafia.
15 de Novembro de 2020

Carlos Rezendes Cabral
 

 

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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