Tendência inverteu-se nos últimos três anos

Pesca, aquacultura e comercialização do pescado dominava a Economia do Mar em 2017 na Região

Em 2016 e 2017, os Açores e a Região e a Madeira representaram, em conjunto, 10,7% do Valor Acrescentado Bruto da Economia do Mar nacional (4,1% nos Açores e 6,6% na Madeira, respectivamente). 
Esta proporção compara com um peso relativo inferior das duas regiões autónomas (4,5%) no total do Valor Acrescentado Bruto do país (2,1% nos Açores e 2,4% na Madeira).
Estas estatísticas foram reveladas ontem, no quadro da segunda edição da Conta Satélite do Mar, pelo Instituto Nacional de Estatística por ocasião do Dia Nacional do Mar.
A Conta Satélite do Mar foi desenvolvida pelo INE em parceria com a Direcção-Geral de Política do Mar (DGPM), ao abrigo de um protocolo estabelecido entre as duas entidades.   
Esta edição da Conta Satélite do Mar foi realizada em estreita articulação com o Serviço Regional de Estatística dos Açores e a Direcção Regional de Estatística da Madeira.
Nos anos de 2016 e 2017 o Valor Acrescentado Bruto da Economia do Mar no VAB regional foi de 7,5%. E o Valor Acrescentado Bruto da Economia do Mar no VAP da Madeira foi de 10,3%.
É relevante que a Economia do Mar da Madeira vivia muito em 2016 e 2017 das actividades de recreio, desporto, cultura e turismo (76,9%) enquanto a pesca se ficava pelos 8,9%; e a actividade portuária pelos 3,9%.
Já no caso dos Açores, a Economia do Mar vivia, nos mesmos anos (2016-2017), sobretudo da pesca, aquicultura e comercialização de pescado (41,2%), ficando as actividades de recreio, desporto, cultura e turismo nos 38,9% e a actividade portuária em terceiro lugar (13%). Entretanto, passaram-se três anos sobre estas estatísticas e as actividades ligadas ao turismo tiveram um crescimento exponencial nos Açores, sem que a pesca deixasse de ter o peso que tinha. Mas, provavelmente, as posições ter-se-ão invertido, fiando a actividade turística em primeiro lugar e a actividade da pesca em segundo lugar.
Nos Açores, a Economia do Mar representou, em 2016-2017, em média, 7,5% do Valor Acrescentado Bruto regional. Por níveis de observação, é destacado o peso significativo das actividades características (como a pesca e aquicultura, a náutica, a construção naval, as obras portuárias e de defesa costeira, a actividade portuária, os transportes marítimos, etc.), que corresponderam a 85,4% do Valor Acrescentado Bruto e 94,6% do emprego na Economia do Mar.
Na distribuição do Valor Acrescentado Bruto da Economia do Mar, por agrupamento, destaca-se, em primeiro lugar, a pesca, aquicultura, transformação e comercialização dos seus produtos, seguindo-se o recreio, desporto, cultura e turismo, com particular ênfase para a componente náutica, e em terceiro lugar os portos, transportes e logística, que totalizaram mais de 90% do Valor Acrescentado Bruto da Economia do Mar.

A Economia do Mar na Madeira

Em 2016-2017 a Economia do Mar representou, em média, na Madeira  10,3% do Valor Acrescentado Bruto. Por níveis de observação, verificou-se um claro predomínio das actividades favorecidas pela proximidade do mar, ou seja, actividades associadas ao turismo costeiro, que constituíram 77,5% do Valor Acrescentado Bruto e 75,4% do emprego.
Há um elevado peso relativo do agrupamento do recreio, desporto, cultura e turismo a reflectir a relevância do turismo costeiro na actividade económica da Madeira.

A economia do Mar no país

A Economia do Mar representou 3,9% do Valor Acrescentado Bruto nacional no triénio 2016-2018 e 4% do emprego nacional em 2016-2017. 
Entre 2016 e 2018, registou um crescimento de 18,5%, enquanto o Valor Acrescentado Bruto nacional aumentou 9,6%.
 Entre 2016 e 2017 as remunerações na Economia do Mar aumentaram, a nível nacional, 8,8% e o emprego 8,3%, ambos valores acima do observado na economia nacional (6% e 3,4%, respectivamente). 
Perspectivando a importância relativa do Valor Acrescentado Bruto da Economia do Mar na economia nacional, verificou-se que, no triénio 2016-2018, a sua dimensão em Portugal foi superior à de ramos de actividade como a agricultura, silvicultura e pesca (2,4%) e a energia, água e saneamento (3,6%), sendo próxima da construção (4,1%.
Por níveis de observação, as actividades características, como a pesca e aquicultura, a salicultura; a construção naval; a actividade portuária; os transportes marítimos, as obras costeiras, a náutica, representaram 45,8% do total de Valor Acrescentado Bruto da Economia do Mar e metade do seu emprego (51,2%).
As actividades transversais, isto é, os equipamentos e serviços marítimos, corresponderam a 13,8% do Valor Acrescentado Bruto e 12,6% do emprego na Economia do Mar.
 As actividades favorecidas pela proximidade do mar, ou seja, actividades associadas ao turismo costeiro, corresponderam, no país, a 40,4% do Valor Acrescentado Bruto e a 36,2% do emprego na Economia do Mar.
   

A Economia do Mar por actividades mais significativas

1 – Pesca e aquicultura e transformação e comercialização dos seus produtos - compreende as actividades relacionadas com a cadeia de valor dos produtos da pesca e da aquicultura. As actividades centrais incluem a Pesca e a Aquicultura, com conexões a montante às indústrias de alimentos para animais, designadamente para a aquicultura, e a jusante à indústria de transformação, como a preparação e conservação de peixes, crustáceos e moluscos. Inclui ainda a produção de gelo, a armazenagem frigorífica e a comercialização, por grosso e a retalho, dos produtos da pesca e da aquicultura. 

2 – Recursos marinhos não vivos - compreende as actividades relacionadas com a pesquisa e exploração de recursos energéticos convencionais (petróleo e gás natural), com a pesquisa e exploração de minerais marinhos e com a extracção e refinação de sal e produção de condimentos dele derivados. Inclui ainda a dessalinização da água do mar. 

3 – Portos, transportes e logística - compreende as actividades relacionadas com a cadeia de valor do transporte por água, cuja actividade central é o transporte marítimo de mercadorias e de passageiros. A jusante inclui os serviços portuários e de aluguer de meios de transporte marítimos e fluviais e o transporte fluvial de mercadorias e passageiros.

4 – Recreio, desporto, cultura e turismo – contempla a actividade marítima de recreio e de desporto, a cultura de vertente marítima e o turismo marítimo e costeiro, incluindo as marítimo-turísticas que operam em água. Este grupo compreende as actividades relacionadas com a náutica, onde são consideradas a náutica de recreio e a náutica desportiva. O turismo costeiro inclui o alojamento, as rendas imputadas de segundas habitações, a promoção imobiliária dos alojamentos turísticos, actividades de restauração, agências de viagens e actividades de recreação e lazer associadas, incluindo as actividades culturais relacionadas, à semelhança das actividades consideradas na Conta Satélite do Turismo, afectas apenas às freguesias costeiras. 

5 – Construção, manutenção e reparação navais – compreende as actividades de construção de embarcações e plataformas flutuantes, incluindo as embarcações de recreio e desporto, bem como as actividades de reparação e manutenção de embarcações e seu desmantelamento em final de vida. 

6 – Equipamento marítimo - compreende actividades da indústria transformadora muito diversas, como, por exemplo, as que permitem equipar uma embarcação ou plataforma flutuante. É um agrupamento heterogéneo, dedicado fundamentalmente à construção e reparação de equipamento relevante para as outras actividades da economia do mar. Optou-se, deste modo, por reunir num único agrupamento todas as actividades identificadas na indústria transformadora com a produção/reparação de equipamento marítimo de apoio à maioria das actividades dos outros agrupamentos. 

7 – Infra-estruturas e obras marítimas – compreende as actividades relacionadas com obras de construção e de expansão de terminais portuários, de forma a desenvolver condições de acessibilidade marítima e terrestre, nomeadamente corredores terrestres para o transporte de mercadorias por caminho-de-ferro (associado ao transporte marítimo, através da ligação dos caminho-de-ferro aos principais nós de transporte intermodal). Inclui ainda a construção e reparação de portos, marinas, assim como trabalhos de dragagem, de proteção e de defesa da costa, etc. 

8 – Serviços marítimos – contempla, como a designação indica, as actividades de serviços relacionados com o mar. Inclui a educação, formação e a I&D em áreas relacionadas com o mar, actividades de governação, como a defesa e segurança marítimas e o ordenamento do espaço marítimo, e um grande subgrupo de outras actividades de serviços que engloba serviços de informação e comunicação marítimos, consultoria e serviços às empresas nas áreas do mar, financiamento e seguros marítimos, actividades de comércio e distribuição relacionados com o mar e outros 

9 – Novos usos e recursos do mar – foi constituído com o intuito de quantificar um conjunto de actividades emergentes, ainda com pouca relevância económica, que seriam, de outro modo, “diluídas” nas outras actividades. A pertinência deste grupo isolado foi avaliada no decurso dos trabalhos. Compreende a biotecnologia marinha; as energias renováveis marinhas; o armazenamento de gases; a pesquisa e exploração de recursos energéticos não convencionais (hidratos de metano) e os serviços de observação da terra.
                                    

João Paz
 

Print
Autor: João Paz

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima