17 de novembro de 2020

Análise

Bolieiro, negociador exímio

Já estão divulgadas na imprensa todas as palavras contidas nos acordos celebrados pelos partidos representados na nova legislatura da Assembleia Legislativa Regional, eleita em 25 de Outubro passado. Pelos jornais fiquei sabendo que o texto desses mesmos acordos se encontra no site do PSD/Açores, para quem os quiser ler e até imprimir e guardar, para memória futura. José Manuel Bolieiro garantiu que não existem quaisquer acordos secretos sobre as matérias abordadas e a sua palavra deve ser tomada como garantia segura.
Estudei atentamente os textos em causa e nada neles me surpreendeu negativamente. Antes pelo contrário: convenceram-me que José Manuel Bolieiro tem direito a ser reconhecido como um exímio negociador!
O Acordo de Coligação de Governo celebrado entre o PSD/Açores, o CDS/Açores e o PPM/Açores tem um conteúdo programático bem claro. Nele é fácil identificar os contributos dos dois partidos com Grupos Parlamentares mais pequenos, aliás muito positivos e enriquecedores; mas forçoso é reconhecer que o núcleo do mesmo é constituído pelos compromissos eleitorais formulados pelo líder do PSD/Açores, no seguimento de ampla consulta e frutuoso diálogo com a sociedade açoriana, valorizando os meios disponíveis pelas novas tecnologias de comunicação. Estas facilitaram a participação de muitas pessoas e entidades que talvez noutras circunstâncias não se mostrassem disponíveis para participar por temor de alegadas represálias do poder socialista.
O Acordo de Coligação é válido por duas legislaturas, o que garante estabilidade por um prazo alargado, essencial para enfrentar a crise existente e promover a aceleração do processo de desenvolvimento da nossa Região Autónoma em moldes diferentes dos seguidos no longuíssimo consulado socialista, cujos resultados estão à vista e bastantes são positivos, justo é reconhecer. A decisão soberana do Povo Açoriano no acto eleitoral recente apontou claramente para a mudança, de objectivos, de métodos e de pessoas, e é isso que a Coligação negociada e liderada por José Manuel Bolieiro e ele próprio se comprometem a proporcionar. 
O Acordo Parlamentar celebrado entre os partidos da Coligação e o Chega/Açores inicia-se com a proclamação da dignidade da pessoa humana, da firme adesão aos direitos dos cidadãos garantidos na Constituição e na Declaração Universal dos Direitos Humanos, para a qual a primeira remete. Os temas nele mencionados especificam matérias contidas no Acordo de Coligação e no discurso político do Presidente do PSD/Açores, como sejam a transparência, o combate à corrupção e a promoção do emprego como ferramenta indispensável para reduzir a subsídio dependência. Fica claro o compromisso de assegurar a estabilidade governativa durante a legislatura a iniciar. A Bolieiro, negociador do Acordo, por ter curado de nele incluir a referida proclamação - chapeau!
Como o Chega é habitualmente diabolizado por não respeitar os Direitos Humanos e o seu líder nacional é useiro e vezeiro em tiradas demagógicas, sempre ampliadas pela comunicação social, que assim lhe dá palco e faz afinal o jogo dele, sou levado a concluir que o Chega/Açores, protagonizado por antigos militantes e simpatizantes do PSD/Açores, adere aos grandes princípios que regem os regimes democráticos e permitem afinal a correcção das injustiças e dos males derivados dos desvios do poder. É bom que assim seja, porque os partidos políticos com assento no Parlamento Açoriano, para cumprirem com a Autonomia Constitucional dos Açores, têm de ser eles próprios autónomos, com órgãos dirigentes regionalmente legitimados, livres para fazer as opções que mais convenham aos interesses regionais. 
O Acordo do PSD/Açores com o Deputado eleito pelo IL/Açores inclui a calendarização de algumas medidas preconizadas no Programa Eleitoral do primeiro, mas não refere compromissos de garantia da estabilidade governativa no período da legislatura, talvez por serem óbvios, quando algumas dessas calendarizações têm exactamente essa referência. Uma vez rejeitada a continuidade da governação regional pelo PS/Açores, a opção alternativa que se impõe passa pela liderança do PSD/Açores e pela sua manutenção durante os próximos quatro anos.
Temos portanto um quadro político definido por negociações realizadas nos Açores e entre Açorianos. As tentativas de interferência por entidades externas soçobraram e até caíram no ridículo, apesar da habitual gula dos media e seus agentes pelo insólito e pelo negativo. Se alguém pensou que os dirigentes partidários regionais e os Deputados podem ser manipulados de Lisboa, como se de meros fantoches se tratassem, é porque não sabe o que são os Açores e os Açorianos, conscientes e orgulhosos da sua Autonomia Constitucional. 
Lamento ter de dizer que me indigna ver, ouvir e ler pessoas, por algumas das quais até tenho simpatia mas que habitualmente nos ignoram e não querem saber para nada dos nossos problemas e dificuldades, sentenciando agora sobre o que devemos ou não devemos fazer, quando as opções sobre os Açores só podem e devem ser nossas e merecem respeito. Pelos vistos, ainda não perceberam que os Açores são uma Região Autónoma, com vida política própria, onde têm de imperar as livres opções dos legítimos representantes democráticos do Povo Açoriano. Metam-se na sua vida e deixem-nos em paz!

João Bosco Mota Amaral
(Por convicção pessoal, o Autor 
não respeita o assim chamado 
Acordo Ortográfico.)    
     
 

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Categorias: Opinião

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