Concessão de 10 mil euros à ‘Alegria e Paz’ cooperativa de panificação histórica do Nordeste gerou polémica na Câmara

A concessão de um apoio de 10 mil euros à Cooperativa de Panificação ‘Alegria e Paz’ pela Câmara Municipal de Nordeste causou alguma celeuma entre a vereação socialista e a maioria social-democrata na autarquia.
Segundo o Presidente da Câmara, trata-se da “única padaria no concelho que fábrica e outros produtos de forma artesanal, faz parte do património e história gastronómica do concelho, perpetuando os sabores, hábitos e recordações do paladar dos nossos antepassados”.
No entender do autarca, a ‘Alegria e Paz’ “merece todo o respeito e cuidado por parte do Município” e, “face ao momento actual provocado pela Covid-19” a padaria “enfrenta uma baixa considerável de vendas, comprometendo” o seu “bom funcionamento, pondo em risco todo o património gastronómico que representa e, até, arriscando um possível encerramento, provocando, caso isso aconteça, uma perda irreparável na cultura nordestense”.
A decisão da maioria social-democrata na Câmara sustentou a decisão de concessão do apoio à ‘Alegria e Paz’ com base num parecer jurídico, com o qual a vereação socialista não concorda.
A vereação socialista discordou da concessão do apoio e o vereador Carlos Mendonça explicou que a situação em que vive a cooperativa de panificação “não é motivada”  pela Covid-19, “mas é sim uma situação que já se arrasta há muitos anos, com pagamentos em atraso a serem resolvidos com pagamento de pão”. Numa declaração de voto publicada em acta da reunião camarária, a vereação socialista cita o argumento da cooperativa de panificação: “actualmente, atravessamos vários problemas de ordem financeira, motivados pela baixa na venda do pão, aumento dos custos da matéria-prima para a produção e aumento dos encargos salariais e respectivos impostos…”.
Contra-argumenta a vereação socialista que as dificuldades da cooperativa “já se arrasta há muitos e muitos anos (…) ao ponto de ex-funcionários desistirem de trabalhar precisamente pelo incumprimento por parte dos responsáveis, no pagamento dos seus vencimentos, atingindo mais de 5 meses de ordenados em atraso”.
Os vereadores socialistas citam “alguns associados e fundadores da cooperativa, já aposentados, de não lhes ter sido pago o que é devido de acordo com o próprio estatuto que rege a cooperativa e em troca dos vencimentos remuneratórios, é-lhes pago o que é devido com produtos confeccionados, a custo zero, até algum dia atingir o valor em falta pela própria cooperativa”. No entender dos vereadores do PS, a Cooperativa de Panificação ‘Alegria e Paz’, com o apoio de 10 mil euros, não vai fazer nenhuma obra, não vai desenvolver nenhum evento, não vai desenvolver nenhuma acção formativa, para as quais tenha sido declarado relevante interesse municipal e, assim sendo, este subsídio não reembolsável “ está fora de “qualquer alicerce legal”.
A Cooperativa de panificação ‘Alegria e Paz’ produz pão de trigo e de milho, massa sovada e biscoitos, confeccionados de modo tradicional, em fornos de lenha, aquecidos com a lenha (madeira) do mato do Nordeste.
Segundo o site da Câmara de Nordeste, a cooperativa “recupera o saber dos antepassados, transportando para os dias de hoje um alimento antigamente presente em qualquer casa nordestense: o pão, de trigo e de milho, a que se juntava pontualmente, por ocasião das festividades, a massa sovada (pão doce) e os biscoitos.
“O ‘pão da Lomba da Fazenda’ ou o ‘pão do Nordeste’, como é conhecido, dependendo de se viver no concelho ou fora deste, é o único na ilha de São Miguel integralmente confeccionado de modo tradicional. A aparência, o sabor e o aroma são inconfundíveis”, lê-se no site da autarquia.
 

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Autor: CA

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