José Narciso Santos – Sócio e Gerente da associação de produtores Probanana

Falta de mão-de-obra para trabalhar as terras é a principal preocupação dos produtores de banana

À beira de completar 70 anos, José Narciso Santos é o ‘homem forte’ desta associação de produtores que apesar de ainda ter sede na Ribeira Seca, tem o seu armazém no parque industrial de Vila Franca do Campo. Com 12 sócios, sendo que destes, “10 dos quais são produtores”, a Probanana comercializou no ano passado cerca de 350 toneladas de banana, o único produto que recebem e tratam. 
A Associação emprega actualmente 3 funcionários e tem, tal como nos explicou o seu sócio gerente, “contratos com os sócios aderentes de 3 em 3 anos”. 
Na conversa, José Narciso Santos conta que foi “após um grave acidente de trabalho, quando tinha 35 anos”, que se embrenhou mais a fundo no sector da banana. Este produtor esteve igualmente emigrado durante uma década, uma experiência que lhe trouxe alguns benefícios aquando do regresso a casa.
“Estive 10 anos emigrado no Canadá e essa experiência foi muito importante para mim. Deu-me algumas bases boas para trabalhar aqui nos Açores, ao nível de organização”, refere.
Sobre a vida na Probanana, garante desde logo que a Associação “está a trabalhar com boa-fé e vontade”, revelando que existe já a intenção de exportar algum do produto para Portugal Continental. No entanto, explica que esse é um processo complicado.
“Por exemplo de Verão é muito complicado avançar com a exportação. O nosso Verão é muito quente e o nosso clima é muito húmido o que dificulta a chegada da banana ao destino em boas condições”, destaca, explicando o que é necessário para que a exportação seja uma realidade.
“Para avançarmos com a exportação temos de ter outra forma de trabalhar. São necessários contentores de frio e é preciso fazer testes antes de embarcar a mercadoria. Já houve essa experiência de mandar a banana para o Continente mas não chegou lá boa. É preciso fazer as coisas em condições e fazer os testes primeiro. Já estamos há alguns anos a organizarmo-nos para isso”, garante.
Depois dos valores atingidos no ano de 2019, José Narciso Santos admite que “já temos algum produto a mais para vender nos Açores”, mas apesar disso, demonstra satisfação pelo aumento de produção registado até ao momento este ano.
“Este ano aumentamos a nossa produção. Houve novos produtores que entraram e que aumentaram a sua produção de por exemplo 3 ou 4 alqueires para 10. Ainda bem que temos mais banana”, realça.
O gerente da Probanana considera, numa outra vertente, que este sector ligado à horticultura e fruticultura não foi tratado, nem apoiado, da melhor forma pelas entidades governativas.
“Penso que os Governos, todos eles, nunca olharam como deveriam para este sector da banana ou do ananás. Focaram-se muito na lavoura e nós, produtores, fomos sendo esquecidos”, lamenta antes de destacar que “era bom que o Governo tivesse um gabinete com engenheiros que fossem directamente para o terreno, porque muitos tiram o curso e nem sabem como se trabalha o produto”. 
Sobre a pandemia de Covid-19, José Narciso Santos demonstra alguma preocupação sobre o que este problema pode trazer futuramente para a sociedade, revelando ainda que as quebras ao nível de vendas não foram muito considerável durante esse período.
“Admito que durante a pandemia sentimos uma quebra, mas com níveis muito baixos”, salienta. 
Sobre o futuro e quando questionado sobre qual os maiores problemas que encontra no sector, o sócio-gerente da Probanana aponta para a falta de mão-de-obra para trabalhar nos terrenos.
“Na minha opinião e, daqui a uns anos, este sector vai passar por grandes e graves problemas. Os jovens quando crescem, e depois de 18 anos na escola, já não querem vir para o campo. Uns têm vocação para estudar e outros não. Penso que deveria ser dada formação a alguns jovens que não querem seguir os seus estudos”, explica, alertando também para o facto da média de idades dos agricultores ser já avançada.
“A grande maioria dos agricultores é gente velha. E quando acabarmos não vemos ninguém para seguir os nossos passos. Vai haver uma quebra e quem vai aguentando isto são os velhos”, lamenta.
Na opinião deste produtor de bananas do concelho de Vila Franca do Campo esse decréscimo e falta de mão-de-obra direcionada para o sector é uma evidência e “existem até várias ilhas dos Açores que já estão a ficar praticamente sem agricultores”.
Com a intenção clara de futuramente poder exportar alguma da sua banana para o mercado de Portugal Continental, esta associação de produtores tem nos dias que correm a ilha de São Miguel como o seu mercado base.
“Corremos a ilha toda de São Miguel e colocamos a nossa banana nas lojas mais pequenas, como mercados e frutaria. Não vendemos para as grandes superfícies. É uma opção nossa”, explica.
José Narciso Santos que tem “cerca de 200 alqueires de terra com bananeira”, revela que muita da sua produção deste ano “ficou na terra para ser picada e dei também a alguns lavradores para darem às suas vacas”.
O sócio-gerente da Probanana apesar de olhar para o futuro com alguma preocupação, reafirmando a sua grande preocupação relativamente ao futuro e que se prende com a falta de gente para trabalhar nesta área, garante que não vai baixar os braços e que continuará a trabalhar para melhorar este sector de actividade.
“No sector da banana estamos no bom caminho e vamos continuar a plantar. Eu não vou desistir.”
A terminar, José Narciso Santos enaltece as qualidades da banana para a saúde e destaca o papel que as bananeiras desempenham para suster as chuvas.
“As bananeiras, para além de terem uma fruta muito boa para a saúde, ajudam também a evitar as enchentes das ribeiras. Também, por isso, considero que se deve continuar a plantar banana. Ainda há muito terreno desperdiçado e que poderia ser plantado”, afirm o produtor.      
                                         
                                         Luís Lobão

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima