22 de novembro de 2020

Maria Corisca

Ricos! Juro que já não posso ouvir, todos os dias, os números de casos infectados pela COVID-19 em tudo quanto é televisão e jornais, além do folclore do Presidente da República e do Governo ao anunciarem medidas e mais medidas para matar o contágio, e esquecendo todos aqueles que estão morrendo por falta de tratamento do cancro, da diabetes e de outras doenças impiedosas que matam todos os dias, a juntar aos homicídios e suicídios que acontecem todos os dias…. Sei que o meu querido Presidente Marcelo tem um “gene” do pai que era médico, e que lhe leva dia sim dia sim… sobre a pandemia e a dar receitas para a combater, mas vir anunciar já o “dilúvio” que ele prevê chegar em Janeiro e Fevereiro… tenha dó! Se os portugueses não morrerem da doença vão de certeza começar a morrer do susto! Um pouco de recolhimento da mente e da palavra não faz mal… antes é um lenitivo para quem se sente perseguido pelo ribombar feito à volta da COVID-19. Todos têm obrigação de ser contidos na propagação do alarme que está espalhado.


Meus queridos! Quando li no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio que o meu querido Presidente Marcelo ia anunciar, no dia 24 de Novembro (é já depois de amanhã) que as eleições presidenciais se irão realizar no dia 24 de Janeiro, fiquei banzada com o anúncio do dia em que ia ser anunciado o dia das ditas cujas. Mas mais banzada fiquei quando li, logo a seguir, que quem fez o anúncio foi o representante do PEV (Partido Ecologista os Verdes) que acabava de sair de uma audiência com o Presidente da República. Ou seja, é um partido político que dá em primeira mão a agenda do Presidente Marcelo. Claro que os Verdes não têm culpa… O meu querido Presidente Marcelo é que se põe a jeito de acontecer coisas destas. Mas também não admira nada, porque as cenas de falta de sentido de Estado são seguidas e de protocolos já ninguém fala. Como diz a minha sobrinha-neta, isto está pior que na casa da Maria Cabreira…


Meus queridos! A minha prima Teresinha contou-me que uma vizinha que mora paredes meias com a sua casa… e vive da reforma dos quarenta e tal anos que trabalhou, mostrou - lhe uma cartinha que recebeu da segurança social informando que a partir de agora ela tinha direito a uma ajuda para a compra dos remédios… e que bastava quando fosse à farmácia que pedisse a factura, juntasse cópia da receita e fosse entregar num posto da RIAC… e que depois receberia o pilim da ajuda que até pode chegar a quase quinhentos euros por ano… A dita vizinha rejubilou com a noticia, mas vai agora perguntar como é que se arranja a receita uma vez que agora é tudo electrónico e o utente só tem uma guia de tratamento… Além disso,  o que ela não entende é como só agora se lembraram dela, porque ela ganha a mesma reforma, sem aumento nenhum, há um bom par de anos e nunca lhe mandaram cartinha nenhuma. Diz ela que se calhar a culpa foi dos correios e a carta era para ter sido entregue antes de 25 de Outubro. Nunca se sabe…


Ricos! Não sou mulher de andar a ver muita televisão, porque a multiplicação de comentadores em tudo quanto é canal e a fartura de pimbalhada noutros… não são coisas muito convidativas. Mas sempre vou vendo algumas crónicas e entrevistas para me manter informada. O que me aflige é que muitos entrevistadores já não saibam o que é uma entrevista e o que é um debate. Ricos! O jornalista que faz as perguntas não pode ser num tom de quem está a debater e muito menos a bater. Até parece que o entrevistado está ali para ser vergastado. Mas isto é só para uns, porque para outros as perguntas são bem fofas e envernizadas. Por isso mesmo cada vez menos acredito na independência de muitos jornalistas que andam a servir esta agenda de lavagem cerebral a que todos assistimos. E depois admiram-se do crescimento dos populismos e dos anti-sistemas... Quanto mais lhes batem e lhes perguntam se têm amigos pretos, mais os fazem crescer…


Meus queridos! Li num dia destes no velhinho e sempre renovado Diário dos Açores o rol de pedidos para os Açores que o PCP apresentou em sede de discussão na especialidade do Orçamento para 2021, lá para os lados de São Bento. Subsídio de insularidade, obras nos tribunais, a nova cadeia de São Miguel, a cadeia da Horta que está em vias de fugir para a Terceira, reforço de fiscalização dos mares e muito mais. A minha prima Jardelina que ficou muito penalizada por ter deixado de haver um deputado comunista na Assembleia Regional até pensou logo que aquele partido quis dizer que mesmo não tendo muitos votos nos Açores, não deixa de querer dizer que está vivo e que pensa nas ilhas… Pelo menos vai sendo notícia… mesmo que os assuntos sejam tão velhos como a cadeia de São Miguel ou o estado de alguns edifícios que pertencem ao poder central…

Ricos! Vem a Comissão Justiça e Paz da Diocese dizer que o “novo governo açoriano deve ser capaz de governar para todos os açorianos e encontrar os melhores instrumentos para combater a pobreza estrutural dos Açores, o maior problema da região”. E que “não se deixem levar por ideais eventualmente populistas e sejam capazes de pôr em prática os propósitos de uma sociedade melhor”. Quem lê, assim à primeira, e a medir pelo silêncio da dita Comissão durante muitos anos, até parece que querem dizer que o velho governo não foi capaz de governar para todos os açorianos e de combater a pobreza estrutural… É que ainda antes do novo Governo ser governo estar já a ditar doutos conselhos para que não se deixe levar por populismos, juro que não sei bem como hei-de encaixar todo este pressuroso interesse da dita Comissão Justiça e Paz da Diocese… Isto porque nunca ouvi a dita cuja Comissão, nos quatro comunicados que fizeram desde que tomaram posse há dois que se vão completar no Natal… falar sobre a pobreza que tem crescido a olhos vistos… e que é do conhecimento de muitas Igrejas e organizações de apoio social que pela calada… têm ajudado os aflitos conforme podem… É pena que a Comissão Justiça e Paz da Diocese… só agora tenha acordado para o flagelo da pobreza que convive lado a lado com tantos que tapam os olhos para não verem a dor e a necessidade alheia!


Ricos! Aqui há dias, nos meus recadinhos, falei do processo de beatificação de Madre Teresa d’Anunciada de que nunca mais ninguém ouviu falar, apesar das diligências que se fizeram aqui na minha cidade-norte e que levaram D. João Lavrador a dizer que a Madre não tinha devotos que justificasse. Agora a minha prima Maria da Praia mandou-me da ilha de Jesus um recorte do jornal da Praia do dia 6 de Novembro em que se pode ler que o “Processo de beatificação de Maria Vieira está quase no fim”. E que já houve mais uma reunião plenária de todos os intervenientes e que até já há uma “Comissão local” que tem arranjado apoios (entenda-se dinheiro) para fazer andar o processo. E acho muito bem porque sei a devoção que a jovem mártir gerou na Terceira… O que não entendo é o mesmo empenho dos senhores Bispo e Cónegos relativamente à Madre Teresa. Será pela distância? Ou o Santuário não tem pilim para fazer andar o processo cá? Ou será que há algum milagre provado e não divulgado? Cá por mim, penso é que… 300 anos é muito tempo!
 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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