De um total de 580 milhões de euros

30 milhões de euros do Plano de Recuperação dos Açores é “pouco” para a Agricultura

 O Presidente da Associação Agrícola de São Miguel, Jorge Rita, afirmou ao Correio dos Açores que os 30 milhões de euros para a Agricultura açoriana dos 580 milhões de euros da União europeia para o plano de resiliência e recuperação dos Açores “é muito pouco” para um sector em que os agricultores vivem “uma situação dramática”. 
Confrontado com a notícia de que a Cooperativa União Agrícola da Associação Agrícola de São Miguel estaria disponível para ser parte da solução das dificuldades financeiras que vive, presentemente, a Unilite, Jorge Rita deixa claro que ainda não houve qualquer conversa “público a ou privada” sobre este assunto mas que haverá sempre disponibilidade para ser a solução dos problemas que enfrentem os produtores de leite.
Estas declarações foram feitas ao Correio dos Açores em sequência a uma primeira reunião de trabalho com o novo Secretário da Agricultura e Desenvolvimento Rural, António Ventura. Tratou-se de um encontro em que, além da apresentação de cumprimentos, se fez uma abordagem transversal às dificuldades que enfrenta o sector agrícola regional.
Desde logo, foi abordado a questão das ajudas em atraso, no que se refere ao prémio por vaca em que se assumiu o compromisso de as pagar até ao final do ano.
Outra das questões foi a defesa da manutenção do envelope financeiro do POSEI que está praticamente assegurada. Objectivo que é possível “devido, também, à grande persistência da Federação Agrícola dos Açores e empenho dos Estados membros, Portugal, Espanha e França”. 
Na reunião com o Secretário da Agricultura, Jorge Rita deu nota da “relevância que o sector agrícola tem  e a importância que as associações e a Federação Agrícola têm nas decisões presentes e futuras da política agrícola para a Região. Não há sucesso nas decisões políticas sobre a Agricultura nos Açores, se não forem bem articuladas com a Federação Agrícola”, afirmou. No encontro abordaram-se, igualmente, questões relacionadas com os transportes, ao nível dos matadouros, ao nível dos laboratórios e a implicação que têm na rápida informação das análises que são necessárias nas áreas do leite e da carne.   
Jorge Rita defendeu a necessidade de haver uma boa articulação do novo Secretário da Agricultura com a Ministra e com o Ministério da Agricultura porque “são eles que têm assento nas negociações na União Europeia. E a expectativa legítima que nós temos é que a defesa dos Açores e dos interesses da Região em matéria de agricultura se faça de forma consistente, persistente, para que estes interesses fiquem salvaguardados”.  Isto porque a Agricultura nos Açores “não é feita da mesma forma que se faz agricultura no continente e na Europa”, salientou..
 
Correio dos Açores - A Federação Agrícola dos Açores dá a entender que 30 milhões de euros para a Agricultura dos 580 milhões de euros disponibilizados para o plano de resiliência e recuperação dos Açores  é pouco…
Jorge Rita - É evidente. Estamos a falar num programa de 750 mil milhões de euros que é considerada a bazuca no plano de recuperação e resiliência para todos os países da União Europeia. Deste montante, Portugal acaba por ter 13,8 mil milhões de euros. São transferidos para as Regiões Ultraperiféricas 1.145 mil milhões de euros. Os Açores vão receber 580 milhões de euros e, deste total, vão 30 milhões de euros definidos pelo país para a Agricultura açoriana…

O que é pouco…
Em nossa opinião é muito pouco. Sabemos e percebemos que há outros sectores de actividade na Região que precisam, claramente, de apoios e rápidos. É o caso do turismo que precisa de apoios a fundo perdido mas também é bom dar atenção especial aos sectores primários da economia açoriana (Agricultura e Pescas) para que, também, não se crie um problema mais grave parecido ou idêntico àquele que já existe com outro sector de actividade (o turismo). Porque, se isso acontecer, será o descalabro económico em toda a Região. Ainda sim, vamos ver como é que, na Região, vamos desagregar este envelope financeiro de 30 milhões de euros para a agricultura açoriana, o que terá de ser feito de forma cirúrgica. Há aqui um trabalho que é desafiante para todos nós e tem de haver uma boa articulação entre a Secretaria Regional da Agricultura e as Associações e Federação Agrícola no sentido de fazermos o melhor aproveitamento possível e reivindicar mais.
Entendemos que, de certeza absoluta, esta primeira bazuca de 750 mil milhões de euros atribuídos aos países da União Europeia não será suficiente. E existe a possibilidade de o governo português fazer um endividamento até mais 15 mil milhões de euros. Vamos saber se o Governo irá fazer este endividamento e se irá transferir parte destas verbas, na mesma proporção também, para os Açores. Vamos esperar para ver.

A Cooperativa União Agrícola estará disponível para ser solução para as actuais dificuldades financeiras da Fábrica de Lacticínios Unileite?
Nunca tivemos esta conversa, nem pública nem privada, com ninguém da Unileite, da banca e do Governo dos Açores. Agora, obviamente que me preocupa a situação da Unileite como a todos os produtores de leite de toda a Região. Nós estamos preocupados, estamos atentos e estaremos sempre disponíveis para ajudar a encontrar as melhores soluções para os agricultores. Mas, para isso, é preciso que a Unileite também diga do que precisa no quadro de uma colaboração. Agora, nós estamos disponíveis para colaborar…

Está a dizer que a União Agrícola está disponível para ser parte da solução da Unileite…
A Cooperativa União Agrícola da Associação Agrícola de São Miguel está sempre disponível para ser parte da solução dos problemas dos agricultores como tem demonstrado ao longo dos anos, desde que as outras partes envolvidas também o queiram.  
                                                               

João Paz

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Autor: CA

Categorias: Regional

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