O Conselho do Governo açoriano determinou que a cerca sanitária a Rabo de Peixe, que terminava hoje, dia 8, vai continuar até domingo, dia 13, às 23h59, devido ao elevado potencial de transmissão comunitária activa na freguesia de Rabo de Peixe.
Por via desta decisão do Conselho do Governo, fica proibida a circulação e permanência de pessoas na via pública na freguesia de Rabo de Peixe, excepto para deslocações necessárias e urgentes. Foi também determinado o encerramento todos os estabelecimentos de ensino da freguesia, de todos os estabelecimentos de restauração, bares e outros estabelecimentos de bebidas, com ou sem espetáculo e com ou sem serviço de esplanada, assim como o cancelamento de todos os eventos de natureza cultural ou de convívio social alargado. Neste período as pessoas só podem sair para trabalhar, devidamente documentadas, e os alunos que frequentam outros estabelecimentos de ensino fora da Vila não os podem frequentar, pois têm o dever de confinamento, estando justificada a sua ausência.
Ontem, o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Alexandre Gaudêncio, e o presidente da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe, Jaime Vieira, fizeram o balanço da operação de testagem à população de Rabo de Peixe para despiste do novo coronavírus. Foi uma operação única que demorou três dias e foram testadas cerca de 7 mil pessoas, e identificadas no imediato 119 casos positivos de infecção naquela Vila que tem, à data de ontem, um total de 204 casos de infecção. Terminou a primeira fase da operação de testagem em massa, mas o processo de testagem não parou, como afirmou o director Regional da Saúde, Berto Cabral, e também o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande e da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe. Todos os intervenientes neste processo são unânimes em afirmar que a população de Rabo de Peixe “deu o exemplo”. Alexandre Gaudêncio disse mesmo que “esta era uma oportunidade de a Vila mostrar o que vale e demonstrou que assim é. É um orgulho ter esta população no concelho”, com Jaime Vieira a acrescentar que foi “um exemplo de cidadania e de responsabilidade. Não é fácil tirar de casa sete mil pessoas mas elas compareceram de livre vontade. É uma pequena vitória. Soube-se, assim, onde estava o foco - as pessoas estavam assintomáticas. Mas não podemos baixar a guarda. Apelo à população para se proteger a si, protegendo os outros”.
Em conferência de imprensa, os autarcas anunciaram que vai ser criado um Gabinete de Apoio à Covid-19 na Junta de Freguesia, com Jaime Vieira a adiantar que já há entendimento com a Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros e conversações com outros profissionais para que o Gabinete avance. “Serão dias difíceis”, garante Jaime Vieira, pois agora na Vila de Rabo de Peixe vai decorrer a segunda fase da operação para testagem de contactos próximos de alto risco, dos que estão infectados.
“Falamos de cerca de 1.500 a 2 mil pessoas. Vão ser contactadas para fazer o teste. Já está montado o Drive Thrue no parque de estacionamento para que façam o teste de uma maneira mais confortável”, avançou Alexandre Gaudêncio, tendo realçado que em toda a operação que esteve no terreno, e ainda está, a Câmara da Ribeira Grande fez a ligação com todas as entidades a nível financeiro e logístico.
O presidente da autarquia ribeiragrandense e o Presidente da Junta agradeceram a todos os profissionais e voluntários que estiveram no terreno. “Uma palavra de apreço para médicos que enfermeiros que fizeram a testagem em massa e a Unidade de Ilha de São Miguel que conseguiu fazer uma operação desta envergadura e durante três dias”, acrescentou o Presidente da Vila rabopeixense. Nestes dias, também estão no terreno vários voluntários que têm ajudado a superar as dificuldades de quem está a trabalhar, nomeadamente levando café aos agentes de autoridade e aos profissionais de saúde, bem como diagnosticando os casos que têm necessidade de bens alimentares por estarem confinados.
O Presidente da Câmara da Ribeira Grande revelou que com a linha que a autarquia criou, disponível durante 24 horas, foi possível diagnosticar 50 pessoas que precisavam de ajuda, bens alimentares e medicamentos.
Nélia Câmara