Confeitaria Ponta del Doce traz a São Miguel uma fusão entre sabores do Brasil e dos Açores

A paixão de Vânia Neves pela confeitaria nasceria ainda no Brasil, país de onde é natural e onde se dedicou a uma empresa responsável por adoçar festas com “bolos e docinhos”, mas seria interrompida pela vontade de abraçar a necessidade de se tornar missionária e, assim, espalhar a palavra de Deus pelo mundo.
Foi com este sentimento de missão que, há cerca de dois anos, chegou à ilha de São Miguel e conheceu a sua actual sócia, Jucicleide Rigaud, também ela brasileira, com quem estabeleceu o objectivo de abrir uma confeitaria em Ponta Delgada que conseguisse cruzar o melhor das duas culturas no que à doçaria diz respeito, nascendo assim – oficialmente – a 23 de Novembro a confeitaria Ponta del Doce, homenageando a cidade onde está localizada.
Por seu turno, Jucicleide Rigaud considera-se já uma açoriana no coração, uma vez que se apaixonou pelos Açores ainda em 2004, contando com sete anos vividos na ilha Terceira e oito, actualmente, em São Miguel, sendo a responsável pela gestão da pastelaria uma vez que é nesse sentido que segue a sua experiência profissional.
Localizada perto da Avenida Marginal, as empresárias realçam que o seu objectivo passava ainda por deixar a loja e a confeitaria com um aspecto confortável e no qual as pessoas se pudessem sentir em casa: “Os armários, o sofá e as flores existem porque entendemos que este espaço se deveria parecer com uma casa porque nós queremos que as pessoas entrem aqui e que se relacionem umas com as outras nas nossas mesas, queremos que o nosso estabelecimento faça parte desta missão”, dizem.
Apesar do sonho concretizado, a realidade é que na sua generalidade este não foi, de todo, um processo fácil, sobretudo ao ter em conta que a abertura da confeitaria foi adiada durante quase nove meses devido a problemas que iam surgindo pelo caminho, motivados também pela pandemia de Covid-19 que apanhou todos de surpresa.
“Não foi fácil, nós tivemos problemas no meio do caminho com profissionais que estavam trabalhando na obra e que desistiram a meio já com contratos feitos. Tivemos que refazer e chamar outras pessoas para nos ajudarem nos acabamentos porque alguns profissionais já tinham desistido. Esses desencontros foram um bocadinho complicados, houve algumas coisas em que tivemos que esperar muito tempo, tivemos momentos em que as lágrimas vieram aos olhos”, relembram, adiantando que concluir a obra foi um verdadeiro “teste de fé”.
Ainda assim, mesmo com todas estas dificuldades que até ao momento se têm revelado benévolas, a mensagem que estas duas sócias pretendem passar para o público em geral e para os restantes empresários que agora passam por algumas dificuldades provocadas pela pandemia e pela crise que a acompanha, é a de que é preciso “ter perseverança” e confiar que a resolução dos problemas ocorrerá “no momento exacto”, sem esquecer no entanto que “sempre vão surgir problemas”.
“Connosco, acredito que foi estabelecido um milagre no meio do caos, porque o que aqui temos é um milagre mesmo. Quando vimos que a pandemia chegou e nós nem tínhamos aberto a loja, mesmo quando tudo estava encaminhado, ficámos um pouco estremecidas, mas no final das contas tudo se restabeleceu e Deus fez um grande milagre”, dizem.
No que diz respeito ao conceito da confeitaria em si e nas matérias-primas que privilegia, Vânia Neves adianta que em primeiro lugar surgem as frutas locais, tal como o ananás – o fruto que é também o rei das sobremesas mais vendidas –, e a banana dos Açores, que depois de incorporada em bolo é também dos preferidos dos visitantes que vão deixando também as suas sugestões.
Conforme contam as proprietárias, a confeitaria Ponta del Doce tem vindo a receber a maioria dos seus clientes no período da tarde, uma vez que as pessoas têm a ideia de que este é um espaço onde apenas existem sobremesas. No entanto, este também pode ser um bom local para tomar o pequeno-almoço e de experimentar algumas das iguarias mais populares do Brasil, como a coxinha, a tapioca ou o pão de queijo, dizem.
“Acho muito interessante essa fusão, os doces misturarem-se com os salgados, e termos um ambiente onde os açorianos e os brasileiros comem juntos e desfrutam da culinária de um e de outro”, diz Vânia Neves, referindo que a confecção de bolos no Brasil e nos Açores é “um bocadinho diferente”, tendo em conta que “tem um pouquinho mais de recheio e é um pouco mais molhado”, tendo também por isso “uma grande aceitação dos açorianos que cá vêm”.
O objectivo principal da loja, neste momento, passa por “continuar a crescer e a confortar as pessoas nos momentos difíceis”, podendo esta meta ser alcançada quer com a boa disposição do staff, quer com os doces que ali existem e que, em certas situações, podem reconfortar quem o come.
Para além de terem o objectivo de fazer crescer a lista de produtos vendidos, Vânia Neves e Jucicleide Rigaud gostariam também de utilizar o espaço como ponto de encontro com outras pessoas, pensando no futuro utilizar a confeitaria como palco para um curso que tem como objectivo final fazer com que as pessoas percebam o verdadeiro significado e o verdadeiro impacto positivo que a experiência de comer na mesma mesa pode trazer às famílias.
De momento, e tendo em conta que o Natal é bem propício ao consumo de doçaria, as expectativas das sócias estão elevadas para a época festiva, uma vez que a loja poderá ser a responsável por adoçar o final de ano de muitas famílias através das encomendas que podem ser realizadas até ao dia 20 deste mês.

Joana Medeiros
 

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