Nova Presidente da AHRESP vai apresentar ao Governo Regional pacote de 10 medidas para ajudar a salvar a restauração açoriana

O que é que a levou a integrar a Direcção da AHRESP nos Açores?
Sou empresária e trabalho nesta área. Aliás, todos os delegados e presidentes das delegações têm de ser pessoas associadas à AHRESP. Eu, como tenho um espaço nocturno, sei quais são as dificuldades. O convite surgiu por parte da Direcção nacional da AHRESP, uma vez que desde o início da pandemia fui sempre acompanhando toda a informação que foi sendo veiculada e os apoios que estavam disponíveis. Foi quase como um guião para a nossa Presidência, daí que quando me foi endereçado o convite, considerei que estaria disponível para ajudar nesta luta a nível regional. 

A que desafios se propõe ao assumir a Presidência da AHRESP na Região?
 Como sou defensora da excelência e da qualidade, algo que faz parte do meu ADN como pessoa, o meu desafio enquanto Presidente da AHRESP passa por uma maior proximidade com todos os empresários. Gosto de conhecer as pessoas olhos nos olhos. Ser também uma presença constante junto de quem gere e de quem decide. Tenho como objectivo estar muito perto dos decisores e claro, ter uma maior força associativa na Região é muito importante para ter também algum peso nas reivindicações que, mesmo os não associados da AHRESP, se irão rever. Com maior força associativa estaremos mais perto dos objectivos. 

Presentemente a AHRESP tem quantos associados nos Açores?
Temos alguns que não estão activos devido à pandemia, mas actualmente temos 197 associados.

A situação é crítica neste sector de actividade…
Bem crítica. Estamos com quedas abruptas de consumo não só devido à crise e devido ao facto das pessoas terem ficado com menos dinheiro disponível no seu orçamento para recorrerem aos restaurantes, aos bares e inclusivamente ao alojamento, mas também, devido às imposições criadas de encerramento de espaços e que levaram à diminuição da frequência da restauração e dos bares. Isto fez com que a facturação nem sequer desse para pagar os custos. Há uma drástica redução da facturação e é mesmo muito urgente e fundamental para a sua sobrevivência medidas de apoio imediatas.

Na sua opinião que medidas deveriam ser implementadas?
A minha opinião vai muito de acordo com o que a AHRESP tem estado a fazer. Logo no início da pandemia a AHRESP apresentou 70 medidas. Nem todas foram implementadas mas algumas foram, como por exemplo o layoff simplificado e é crucial que esses apoios sejam mantidos. Agora, no início de Novembro, foi apresentado pela AHRESP ao Governo da República, um programa de emergência que também será muito brevemente apresentado ao Governo Regional. São apresentadas 10 medidas essenciais. A primeira delas é uma aplicação temporária da taxa reduzida do IVA aos produtos de alimentação e bebidas; uma segunda é um incentivo não reembolsável para as micro, médias e pequenas empresas; um terceiro ponto passa pela protecção do emprego, a tal excepção do layoff simplificado até 31 de Dezembro de 2021. Estamos já a colocar um ano inteiro porque 2021 vai ser de tentativa de recuperação. Para além disso, uma campanha de dinamização ao consumo; outra medida passaria pelo apoio específico à animação nocturna; moratórias especiais e contributivas e moratórias sobre as rendas. Esta medida é muito importante porque por vezes nem existe facturação suficiente para pagar a renda. Defendemos apoios municipais e principalmente em Ponta Delgada, existem muitos espaços que têm rendas municipais; suspensão da aplicação de iniciativas legais nacionais e comunitárias; um quadro normativo para cada um dos espaços da pandemia. Era importante haver uma interpretação comum e equitativa. Estas são algumas das medidas que queremos que em 2021 sejam implementadas e que de alguma forma, haja abertura do Governo Regional para o conseguirmos fazer. Acredito que sim e fiquei de alguma forma entusiasmada com o Programa do Governo Regional. Um dos factores que foram abordados pelo novo Presidente do Governo é que vai existir uma atenção especial pelo turismo. O objectivo passa por revitalizá-lo e isso já nos traz algum ânimo e estamos, desde já, disponíveis para conversar e ajudar a estruturar uma política de turismo eficiente e sustentável a nível económico, social e ambiental. Conversando e cooperando penso que todos poderemos chegar a ‘bom porto’. 

Já tem alguma reunião agendada com algum membro do Governo Regional?
Não tenho. Já foi pedida mas havia necessidade de o Governo apresentar primeiro o seu programa o que está precisamente a acontecer durante esta semana na Assembleia Legislativa. Estou a aguardar para que na próxima semana já possa ter alguma resposta sobre uma possível reunião para breve. Havendo o Natal perto e não havendo a possibilidade de nos reunirmos pessoalmente, haveremos de fazê-lo de outra forma. Esperemos que haja alguma esperança para os nossos associados e para o sector que nós defendemos, fazendo com que eles se aguentem durante o ano de 2021, senão o que vai acontecer é que o turismo vai voltar e não vão existir boas empresas para o receber. O objectivo é esse; que as boas empresas se mantenham para assegurar excelência e qualidade.

Caso estas medidas não sejam implementadas, considera que as falências podem começar a ser uma realidade?
Com certeza. Quando não há dinheiro a circular os empresários não sabem onde o ir buscar. Acredito que haverá abertura da parte do Governo para implementar estes apoios de uma maneira ou de outra. Pode não ser na totalidade daquilo que os empresários estão a pensar ser possível, mas este apoio financeiro vai ter de ser robusto, nem que mais tarde se tenha de pagar. Ou seja, mesmo que não seja a fundo perdido é agora a hora do Governo dar apoio à restauração e à hotelaria.

Pode dizer-nos quantas empresas já entraram em falência neste período?
Não tenho essa informação. A última informação que tinha do turismo relativa ao mês de Setembro e comparativamente com Setembro e Outubro do ano transacto houve uma queda substancial. Isto na hotelaria. Na parte da restauração, há quebras acima dos 41% ao nível da facturação. Se não existir um apoio financeiro robusto isso vai levar a que as empresas não tenham outra alternativa a não ser abrir falência e colocar as pessoas no desemprego. Esse não é o objectivo, nem dos associados da AHRESP nem, com certeza, do Governo.

Que perspectiva tem para o futuro do sector?
O futuro é uma incógnita. Tentamos perspectivá-lo mas podem acontecer muitas surpresas e uma delas poderá ser que a vacina tarde em chegar. As empresas têm de conseguir sobreviver até essa data.

Existiu recentemente um protesto dos empresários da restauração à porta da Assembleia República que ganhou dimensão na comunicação social. No caso da AHRESP, aqui nos Açores, está pensada algum tipo de manifestação?
Conseguimos compreender a angústia e o sentimento de impotência sentido pelos empresários. A AHRESP é uma instituição centenária, tem 124 anos de existência e a sua postura é aquela que sempre esteve no seu ADN; sermos sempre a voz dos sectores de actividade que representamos e em particular neste período tão difícil que atravessamos. A AHRESP tem feito sempre parte da solução e nunca do problema.  
                                                         

Luís Lobão

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima