Segundo recenseamento agrícola de 2019

Duas em cada dez explorações agrícolas cessaram a sua actividade nos Açores

 Em 2019 foram recenseadas 10 610 explorações agrícolas, menos 2 931 do que em 2009, o que significa que em dez anos duas em cada dez explorações cessaram a sua actividade, revelou ontem o Serviço Regional de Estatística em sequência a um inquérito sobre a estrutura das explorações agrícolas.
 A análise da evolução do número de explorações por classes de dimensão da superfície arável útil revela que tem vindo a registar-se uma redução acentuada das pequenas explorações com menos de um hectare de superfície arável útil. 
Registou-se também uma redução das explorações agrícolas mais pequenas, das classes de um a cinco hectares enquanto nas explorações de 5 a 50 hectares não se registaram alterações significativas entre 2099 e 2019. 
Em contrapartida, nas explorações agrícolas a partir dos 50 hectares de superfície arável útil, assistiu-se a um aumento do número de explorações, atingindo um acréscimo na ordem dos 23% nas unidades com 50 ou mais hectares.
 Em paralelo com o número de explorações, também a superfície agrícola utilizada sofreu uma redução significativa nas explorações agrícolas mais pequenas, em consequência da redução do número de produtores. Cresceu o número das explorações com 20 a 50 hectares e com mais de 50 hectares. 
Em contrapartida, diminuíram as explorações agrícolas até um hectar, de um a 5 hectares e de 5 a 20 hectares. Ou seja, com a redução do número de produtores agrícolas, por abandono da actividade com apoios e reformas antecipadas, aumentou a dimensão das explorações agrícolas que permanecem em actividade. O maior aumento (18%) registou-se mesmo no número de explorações com mais de 50 hectares. Isto enquanto nas explorações dos 20 aos 50 hectares, o crescimento foi de 4%.

Aumentou número
de sociedades agrícolas

 Em 2019, em termos de natureza jurídica do produtor, verificou-se uma redução no número de produtores singulares, tendo havido um aumento do número de sociedades. Registou-se também um aumento de outras formas jurídicas tais como: cooperativas, associações, fundações, escolas privadas, etc.
Os produtores singulares são, na sua maioria, homens, na faixa etária dos 55-64 anos e têm o nível básico de escolaridade. Mesmo considerando a diferença “tão significativa” entre o nível básico de escolaridade e os seguintes, “importa ressalvar o decréscimo, que é notório, face a 2009 e o aumento do número de produtores com níveis de escolaridade mais elevados.
Relativamente ao total de produtores singulares houve um decréscimo de 23% face a 2009, sendo que o as mulheres registam um aumento de 12% e os homens um decréscimo de 27%. Portanto, aumentou o número de mulheres na agricultura açoriana e diminuiu o número de homens a viver do sector agrícola. Esta redução deve-se, em grande parte, à diminuição do número de explorações pecuárias, embora alguns destes produtores tenham constituído sociedade passando a figurar nos quadros dos dirigentes das sociedades.
O total de dirigentes (das sociedades e outra naturezas jurídicas e ainda o produtor singular quando não incluído na mão de obra familiar) sofreu um aumento de 124% face aos números de 2009, sendo que destes a maior parte são dirigentes do sexo masculino. Nota-se um aumento significativo em todas as faixas etárias, com o expectável aumento da faixa dos 45 a 64 anos, uma vez que englobam os dirigentes que, no recenseamento de 2009, estavam inseridos numa faixa etária mais baixa.
Relativamente à evolução do nível de escolaridade, é evidente ainda a predominância do nível básico havendo, contudo, um crescimento muito significativo dos dirigentes com formação secundária e superior, sendo que em algumas faixas etárias os valores quadruplicaram.   
O aumento em 2019 de dirigentes com formação básica na faixa etária dos 45 aos 64 anos reflecte o fato de os dirigentes com essa formação em 2009 terem envelhecido. 
Nota-se a tendência do aumento da escolarização de dirigentes com formação básica nas faixas etárias mais novas (24 a 44 anos), embora pouco significativa face a 2009.

Mais produtores ligados
à agricultura a 100%

Como seria de esperar, a rubrica “tempo completo” aparece muito associada às explorações agrícolas de maior dimensão, enquanto a ocupação até 25% do tempo aparece maioritariamente associada às explorações agrícolas com menos de 1 hectar.
Há um aumento percentual do “tempo completo” face a 2009, não apenas nas explorações de dimensão superior a 50 hectares de superfície arável útil, mas também nas explorações de dimensão de zero a um hectar e de um a cinco hectares. A comparação dos valores percentuais dos restantes intervalos de tempo de actividade mostra alguma estabilidade, não sofrendo variações muito significativas.
Efectivos animais
 Em 2019 foram recenseadas 7.291 explorações, que totalizaram um efectivo de 283 mil cabeças, um aumento de 14% face a 2009 (92.381), com maior crescimento no sector da carne. Contudo, as vacas leiteiras apresentam um aumento de apenas 3,3%, passando de 92.381 em 2009 para 95.454 em 2019. sendo que o crescimento mais significativo se fez sentir no sector da carne.
Verificou-se um aumento no número de suínos em 2019 (49.231), tendo crescido 16% face a 2009 (42.276). No caso dos ovinos a produção sofreu um crescimento acentuado tendo um aumento de 48% durante os últimos 10 anos O número de ovinos passou de 3.850 em 2009 para 5.684 em 2019. O número de caprinos não verificou alterações significativas, tendo ocorrido um decréscimo de 4%. O mesmo sucedeu com o número de aves, embora com um crescimento de 4%.
A maior dos produtores mantém as explorações agrícolas pelo complemento do rendimento familiar (34 a 39%); seguindo-se o valor afectivo (27 a 30%). Aqueles que apontam como motivo a viabilidade económica são 16 a 21% dos produtores e aqueles que não têm outra alternativa profissional representam 13% dos produtores com explorações agrícolas.
A intenção de continuar com a actividade da exploração nos próximos dois anos tem uma taxa de resposta positiva superior a 80% para todas as classes de superfície arável útil, atingindo mesmo valores superiores a 90%.
                                                           J.P.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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