Svetlana Pascoal, professora do Conservatório Regional de Ponta Delgada

A artista russa que se considera açoriana e vive a saudade da família e terra natal

Correio dos Açores - Como vives o Natal 
na ilha?
Svetlana Pascoal (professora do Conservatória Regional) - Eu vivo o Natal em São Miguel por duas ocasiões: primeiro é o católico no dia 25 de Dezembro, com a tradição do bacalhau e peru, sempre tudo feito pelo meu marido, com a entrega das prendas aos familiares e amigos mais próximos. Para mim, é um momento de parar a corrida dos ensaios, aulas e concertos. Desde 2002, que estou cá e apreendi com muito respeito as tradições do Natal católico. Gosto da mesa, o convívio das famílias, em que alguns anos passávamos Natal em casa do Senhor Hermano Mota e D. Margarida Hintz, com o verdadeiro espírito natalício. Para mim é um momento mágico quando a família e os amigos estão juntos na mesa, e as crianças esperam a chegada do Pai Natal. Nos primeiros anos na ilha (2002-2003) cheguei a tocar nas Missas da Igreja do São José, ainda com batuta do Maestro José Leite e do Coral de São José. Tudo era novo, ainda nem falava bem português. Era a descoberta de uma outra cultura, em que eu sempre me senti muito bem. 
Entretanto, o Natal ortodoxo acontece do dia 6 para 7 de Janeiro e, naquele dia, há mais prendas para os meus familiares de cá (marido e filha) e amigos próximos. A tradição ortodoxa do Natal começa quarenta dias antes, com o jejum, sem carne, praticamente ementa vegetariana, e quando aparece a primeira estrela no céu, as famílias juntam-se na mesa, com 12 pratos tradicionais. Há muito tempo, o Natal era proibido. Na União Soviético, nem festejávamos, as prendas chegavam na passagem do Ano, pelas mãos do Avô do Gelo (Pai Natal). Actualmente, o Natal lá também é feriado, e estão a reaprender a manter e a viver tradição.

Manténs alguma tradição do teu país?
 Como disse, festejo o Natal Ortodoxo, mas mais, a passagem de ano. Nessa altura eu é que sou o master chefe na cozinha, a confecionar os pratos típicos da minha terra, os quais o meu marido gosta muito: pelmeni, salada Olivié (salda russa, mas um pouco diferente do que fazem aqui). Como tenho canais de tv russos, assisto à missa ortodoxa no Natal, vejo filmes da minha infância que fazem lembrar esta altura.

O que é mais importante para ti na celebração do Natal?
Para mim, o Natal é estar com a família, parar a corrida do trabalho, da rotina, dos ensaios e concertos. Sentir paz, reflectir, apreciar o tempo com família e amigos.

Como tens vivido este período de pandemia?
Como todos, este tempo trouxe-nos muitas incertezas, parece que estamos a viver aqueles filmes futuristas, onde as pessoas ficam distantes e isoladas. O que era imaginação, tornou-se realidade. Em Março e Abril foi o período mais difícil: sou professora, ensino o piano pela internet. Experiência estranha, mas as tecnologias pelo menos, deixaram-nos manter o contacto com os alunos, que continuaram a aprender. Mas o que senti mais, para além de ensinar os alunos a aprender, foi a necessidade de falar, saber coisas simples, se estão bem, como passam dias, senti isso do lado deles: poder falar, comunicar, desabafar. Nada pode substituir o ensino presencial. Senti tristeza porque muitos concertos foram cancelados. Para os músicos não é só uma maneira de ganhar (eu sou professora, e tenho o ordenado fixo, mas quem vive só com arte… nem há palavras para descrever o desespero e as dificuldades que passam). Como pianista senti falta daquela adrenalina, ir ao palco, as saudades dos ensaios com colegas, onde tocamos juntos, falamos, rimos, fazíamos música e tivemos depois energia do regresso do público. Participei no projeto do Conservatório Regional, gravei parte do piano em casa, a minha colega, Natáliia Zhylkina no violino a sua parte, e depois saiu um vídeo muito bonito com música do Bach. Foi bonito o resultado, mas deu mesmo a sensação que estamos longe dos amigos, da família, ou seja, um vazio que o computador não pode preencher e nem substituir.

Porque vieste parar a estas longínquas ilhas dos Açores?
Aterrei em São Miguel em 2002, no fim do Janeiro. Tratou-se de um convite de uma escola particular, Mater Música, que precisava de uma professora de piano, de preferência de origem russa. Eu, nessa altura já era, há 5 anos, professora na Universidade Estatal de Pedagogia, na faculdade de música, e trabalhava na minha tese ”Processos de integração entre várias culturas musicais”. Gostava muito do meu local do emprego, dos colegas, mas o ordenado era bastante baixo no Ensino Superior naquela altura na Rússia, pois eram tempos difíceis depois da perestroika, com a economia em estagnação, etc.
 Aceitei convite para vir cá com a ideia de ficar, no máximo, dois anos e regressar para a minha Alma Mater e concluir a tese. Mas, casei em 2003 e fiquei por aqui. Em 2004 e até agora sou professora de piano no Conservatório Regional de Ponta Delgada.

Como foi a tua integração na sociedade açoriana?
A minha integração foi inesquecível, no bom sentido, pois fui acolhida de forma muito atenciosa, e havia uma preocupação para comigo, fosse no local de trabalho pelos meus colegas na escola Mater Musica, fosse pela senhora em casa de quem estava a viver, Maria do Carmo que foi a minha primeira professora de português. Eu cheguei aqui sem saber falar, sabia bastante bem italiano que fazia parte do currículo na licenciatura e doutoramento, e foi quem me levou para o Coral de São José, onde fui quase filha do coral. Ajudavam-me em tudo. Até a minha primeira declaração de IRS foi feita pelo Maestro José Leite. Impossível escrever cada nome, mas todos estão no meu coração e muitos continuam grandes amigos. Comecei a tocar Missas na igreja de São José, foi tudo novo para mim. Frequentei cursos na Universidade dos Açores, da língua portuguesa que me ajudou muito a sentir-me mais confortável e bem integrada. No mesmo ano comecei a tocar no Orfeão Edmundo Machado, onde também encontrei muitos amigos até hoje. Foi um tempo mesmo muito bom, descobrir a ilha, a língua, as tradições, a mesa açoriana, tudo era novo e interessante. Desde então mantenho muitas amizades, que se tornaram quase família.

O que sentes mais falta do teu país?
Este ano sinto muita falta mesmo de não ir até lá, e não houve voos. Não ver a família, não abraçar os pais, familiares de lá, não encontrar-me com amigos de lá, não comer coisas típicas que estou habituada desde infância, não andar nas ruas da minha cidade… Este ano a saudade é grande, aperta muito, há dias que vou muito abaixo, pois a família é tudo, é o nosso suporte. E nós somos crianças enquanto os nossos pais estão aqui, todos anos, o mês de Agosto era lá…

Já te sentes açoriana ou estás muito ligada à cultura do teu país?
Sinto-me dividida. Acho que me posso considerar açoriana, não só por estar aqui quase há 19 anos e por ser casada com um açoriano. Aprecio a música açoriana e sinto, em muitas temas, a nostalgia que há na música russa. A mesa açoriana, acreditem, que é uma das melhores. Gosto das pessoas que são verdadeiros amigos e que estavam e estão comigo nos tempos bons e maus. Mas continuo a ser russa; gosto da nossa literatura, tradições, tenho canais russos em casa que deixam manter contacto com a terra natal. Mas com idade e com tempo, sinto mais nostalgia da minha terra, e percebo os açorianos que, depois de muitos anos, voltam do Canadá ou de outros países para os Açores. A terra onde nós nascemos, é sempre a primeira no nosso coração. 

Porquê essa vocação para a música e não para outro tipo de profissão?
O meu sonho não era ser música. Estudava piano no conservatório, mas o rumo que tinha na cabeça era ou advocacia ou economia. Mas, no exame final do 8º grau no conservatório, chegou a professora do Curso superior, ouviu-me, e disse que seria crime se eu não continuasse a estudar. Eu fui conhecer a minha futura professora no colégio de música, gostei, e não pensei mais. A música sempre fez parte da minha família, o sonho da minha mãe era ser cantora de ópera mas, na altura, após a segunda guerra mundial, mais seguro e bem visto era ser professor, e ela seguiu esse caminho. Durante 50 e tal anos foi professora de História. Penso que, de certo modo, eu realizei o sonho dela.

Enquanto mulher da música, para além do piano, tens outro instrumento de eleição? 
Não posso escolher um só. Gosto do violino e a minha filha estuda no Conservatório Regional esse instrumento e gosto de ouvi-la a tocar e acompanhá-la no piano. Mas cada outro instrumento tem a sua voz, as suas características, que chamam a atenção: timbres, vozes de cada instrumento mexem comigo e depende de obra e do meu estado. Se chove, gosto muito de ouvir saxofone, por exemplo. Não sou limitada em meus gostos só com música clássica, gosto muito de rock, música dos anos 60-70, jazz clássico e muito mais.

Em criança qual foi o teu primeiro instrumento musical?
Tive muita sorte nesse sentido. Na creche que eu frequentava, tínhamos uma orquestra e toquei lá numa harpa pequena, no xilofone e acordeão. Em casa, eu tinha piano pequeno, saxofone, acordeão, flauta. Os meus pais gostam muito da música, os meus brinquedos principais eram musicais. O meu passatempo era ler e comecei cedo, com 4 anos, a ouvir discos de vinil. E a nossa professora de música na creche disse-me que teria de entrar no Conservatório e que eu tinha talento.

Já fizeste parte de várias Orquestras. Qual a que mais te marcou? 
Tive sorte em tocar muito aqui, em São Miguel e nas outras ilhas e Continente. Vou dizer com toda sinceridade: admiro o amor, gosto, paixão pela música dos coros amadores, das freguesias, bandas da música. Toquei com batuda dos muitos maestros de cá: José Leite, José Carlos Rodrigues, Luís Filipe Carreiro, Cristiana Spadaro, Ana Betriz Moniz, Rita Andrade, Cármen Subica, Diogo Oliveira, Marco Torre, Odilardo Rodrigues, Amâncio Cabral, e de fora, Adriano Martinolli (Itália), Paulo Vassalo Lourenço, Jorge Alves, Marco Ferreira, Délio Gonçalves. Escolher só um concerto é muito difícil. 
Com José Leite foram os primeiros concertos na ilh; com José Rodrigues do Orfeão Edmundo Machado fiz uma grande digressão no Continente. Com o coral de São José tive oportunidades de acompanhar como pianista co repetidora as melhores vozes de Portugal, como Elizabeth Matos, Luís Rodrigues, Mário Alves, Dora Rodrigues, Ana Paula Russo, Carlos Guilherme, e geração mais nova e muito talentosa, como André Henriques, Bruno Almeida e muito, muito mais. Com o Coral de São José, toquei para o príncipe Alberto do Mónaco, para os presidentes Sampaio e Marcelo Rebelo de Sousa, obras de grande qualidade e valor musical e histórico, como Requiem de Mozart e as Messias do Handel. 
Com o Orfeão Edmundo conheci o repertório açoriano que acho que sei tocar mesmo com grande sentido açoriano e tenho um disco gravado com temas mais famosos. 
Com o VOX Cordis tive oportunidade de estar no mesmo palco com Jorge Palma, mudar por completo o estilo musical, tocando jazz, música pop, da Disney, sempre com muitos desafios diferentes propostas pelo presidente Gabriel Costa. 
Há pouco tempo, voltamos a fazer concertos com o coral de São José em outros formatos: no jardim da biblioteca pública em Ponta Delgada, manter tradição dos Clássicos de Natal, dessa vez, infelizmente, sem público, mas a música continua a existir, ser tocada e será ouvida com ajuda de tecnologias.
 O Presidente do Coral de São José, Ricardo Botelho, com ajuda da direcção, tenta não parar e faz com que a música aconteça. Tenho medo e receio que alguns grupos musicais de cá, coros, bandas, possam desaparecer com a impossibilidade de manter as suas actividades, como já disse, admiro todos eles. E quando toco com esses grupos, sinto felicidade da parte deles para com os profissionais que acompanham. Estou com eles e gosto mesmo de me sentir útil sem nenhum vaidade ou snobismo. Muito pelo contrário. Mas as obras mais gratificantes, sem dúvida, foram feitas com a Sinfonieta.

Que nomes do panorama musical internacional mais destacas do teu percurso profissional?
Internacional não sei, como referi em cima, mais do nível nacional. Acompanhei fazendo parte da Sinfonieta Dulce Pontes, duas vezes e isso é inesquecível. Trabalhei com maestros que referi em cima. Mas para mim, sinceramente, isso não é tão importante. Adoro fazer música e participar em projectos regionais. Por exemplo, fiz muitos concertos com a soprano Andreia Filipa Colaço, que tem curso do conservatório, e apesar de não ser profissional, a música continua a fazer parte da vida dela. Refiro o nome do barítono José Corvelo, um músico de grande nível nacional que é açoriano da ilha das Flores. Podia dizer mais nomes, que é impossível, mas aprecio muito essa paixão pela música nos amadores. Temos, talvez, menos apoio financeiro, se comparar com grandes e famosos, assim isso torna-se mais gratificante e importante para desenvolver e manter a cultura musical açoriana. 
Temos grandes músicos aqui, açorianos, estrangeiros que fazem música de alta qualidade. Claro, ouvir e assistir a concertos dos músicos famosos de fora e com renome é importante para o nosso desenvolvimento profissional.

Qual o palco que mais te enche a alma?
Gosto do palco em geral, pois traz adrenalina, mas cada um é diferente. O Coliseu deu-me muito gozo participar como co repetidora em preparação das óperas (projectos da associação Quadrivium e maestro Amancio Cabral); ou Clássicos de Natal com o Coral São José  e “SharingofMusic” do Vox Cordis (cheguei a tocar num dos projetos deles mesmo na arena, foi muito diferente para mim, e um dos concertos com musicais da Disney que ficou na memória). 
O Teatro Micaelense é mais clássico, com um belíssimo piano Steinway. Há pouco dias gravamos lá com colegas do Conservatório e com alunos um concerto que será transmitido brevemente na RTP Açores, é um palco mais académico, com ambiente de rigor. Adoro tocar nas igrejas de São José e do Colégio, pois a acústica é especial e linda. Onde sinto mais responsabilidade é no teatro da Ribeira Grande, a minha segunda terra. Há pouco tempo realizou-se um concerto com o Coral de São José e a soprano Helena Castro Ferreira. Sentir a alegria do público que a música voltou, foi uma emoção muito forte para mim. E o piano de lá, Bechstein, é um dos melhores da ilha.

Quais são as tuas referências musicais?
No mundo musical se falar do Piano, SviatoslavRichter, StanislavNeighauss, MichailPletniov, GlennGuld, Tatiana Nikolaeva. Mas, como já disse, o mundo não ficaria completo sem Beeatls, ou PhillCollins, ou Lui Armstrong etc. etc. 
Há música para cada momento da nossa vida, do nosso estado, do nosso gosto.

Fale-nos do trabalho desenvolvido pela Orquestra Quadrivium e pela Sinfonietta de Ponta Delgada.
A Sinfonienta faz parte da minha vida musical em São Miguel. A maioria dos concertos que faço nos últimos anos, são com a Sinfonieta. Toco muitas vezes como parte da orquestra, fazendo parte do piano ou outros instrumentos que não temos na ilha mas clavinova pode imita sons de harpa, celeste etc.
Clássicos de Natal a acompanhar Coral de São José, Requiem de Fauré com o VOx Cordis, noites de Verão em frente da Igreja do Colégio. Não sei ao certo quantos concertos já foram feitos com essa Associação Musical. Sinto-me lá bem recebida e valorizada. Um dos desafios musicais que tive por parte desse grupo e do Maestro Amâncio Cabral, foi ser pianista co repetidora na preparação de várias óperas no Coliseu, tocar e acompanhar solistas e coro nos ensaios, durante a encenação, foi muito interessante, puxou muito por mim como pianista, é um trabalho que gosto muito de fazer e fez falta esse ano não acontecer. Uma das pessoas da direcção do Quadrivium escreveu-me que muitos projectos deles aconteceram porque eu participei, como pianista. Ouvir isso deu-me mais confiança e força para agarrar outros projectos, muitas vezes fora da minha zona de conforto. Neste momento, tenho mais um desafio para frente, proposto pelo Maestro Amâncio Cabral, espero consegui-lo realizar.

Qual tem sido o papel do Conservatório de Ponta Delgada no ensino da música?
O Conservatório Regional é o centro do ensino musical académico na nossa ilha, ensino dos muitos instrumentos clássicos e tradicionais, como viola da terra e do canto. Existem academias, alguma informação que recebem nas bandas filarmónicas. Mas o ensino completo, fundamental, seja do instrumento, seja parte teórica, só encontramos no Conservatório. Durante muitos anos de existência saíram muitos músicos profissionais, que brilham aqui na ilha, como professores e músicos, ou no Continente e fora do país. 
O Conservatório está constituído por professores de vários países, Itália, Ucrânia, Rússia, Inglaterra, já teve professores americanos, franceses e temos colegas de Portugal Continental, o que cria um ambiente multicultural de partilha, traz riqueza nos métodos do ensino. Cada vez mais se tem melhorado as condições do ensino. A direcção actual investiu em pôr Internet na escola toda e comprou mais instrumentos. Há sempre coisas a melhorar e evoluir, mas há uma enorme evolução desde 2004, quando entrei no Conservatório como professora de Piano. O ensino do instrumento é um ensino bastante caro e exigente em condições. Também as direções, desde D. Maria Teresa Rodrigues (eu não trabalhei com ela, mas ela convidou muitos músicos estrangeiros e percebia a importância da presença deles na evolução do ensino musical no conservatório). Ana Paula Andrade, neste momento a Isabel Albergaria, tentam alargar o currículo da oferta da escola, com disciplinas novas, fazendo com que o Conservatório leve a música fora das paredes da escola, que seja um centro de cultura musical. 
Claro, sempre pode ser mais, falta, por exemplo, a parte do ensino do jazz, mas isso exige professores formados e outra logística. Também os professores do conservatório, na sua maioria, são músicos que tocam na Sinfonieta, na Orquestrada da Câmara de Ponta Delgada, fazem concertos ao solo, acompanham os coros amadores, isso também é um lado muito importante da nossa escola, pois não temos na ilha, por exemplo, Teatro da Ópera, ou Orquestra Sinfónica como conjunto profissional fixo e constante.

É fácil viver da música nos Açores?
Só de música, não. Sou professora de Piano no Conservatório Regional de Ponta Delgada, e é isso o meu suporte financeiro. Muitos pensam que estamos a ganhar muito com concertos. Mas o que está para trás, ensaios, estudos, horas e horas, semanas, meses, muitas vezes, com a família abandonada. Nesse momento, eu nem consigo imaginar como é que sobrevivem os músicos que vivem só com concertos, com animação musical nos bares, clubes…

Achas que faz falta uma orquestra sinfónica nos Açores?
Sim. Acho que São Miguel e outras ilhas merecem. Temos a Sinfonieta em São Miguel, mas nas outras ilhas só podem ouvir na TV, praticamente é impossível levar as outras ilhas para ouvirem ao vivo. Também, há muito bons músicos nas outras ilhas que podiam fazer parte dessa Orquestra. O que é necessário, para concretizar esta ideia, não sei. Mas acho que investir, tentar fazer isso seria um grande passo na história musical dos Açores. É difícil, não há dúvida. Mas nada é impossível, desde que haja apoio e pessoas que puxam essa ideia para frente. A música em si, não vive só com concertos, precisa de apoios. Como chamam no meu país, sponsor, mecenatos, patrocinadores, seja como for, em Portugal há, por agora, muito pouco apoio para a cultura.

Em Novocheboksarsk alguém já ouviu falar dos Açores?
Como o meu irmão é jornalista, já saiu um grande artigo sobre os Açores e São Miguel e uma russa que chegou até aos Açores. Sim, os meus parentes ligam-me, quando o programa Nacional Geografia mostra as nossas Ilhas. Sabem que existe cozido das Furnas, todos lá adoram Chá da Gorreana, que sempre levo, bem como os nossos queijos e Licores e Vinhos.

António Pedro Costa
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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