27 de dezembro de 2020

Maria Corisca

Recados com amor


Ricos! Mas apesar de tudo, em 2020 houve mais vida para além do vírus e do confinamento, e as mudanças estão aí à vista, com uma nova solução governativa para os Açores e com a expectativa de um 2021 politicamente muito activo, a começar pelas eleições presidenciais de Janeiro, em que o meu querido Presidente Marcelo tem tudo para ser reeleito, mas que vai ser confrontado nos debates e na campanha com muitas das suas indefinições, comentários recorrentes e colagens políticas que auguram um segundo mandato que nada terá a ver com este, em que as selfies e os beijinhos não conseguiram abafar casos como… o furto de armas e munições em Tancos, os escândalos vergonhosos na banca que é privada mas o publico é que paga…, os abusos da Polícia do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, as centenas e centenas de mortes em lares, assim como a violência sobre polícias e agentes da autoridade… Além disso, também vai haver a luta acesa pela conquista de autárquicas, a adivinhar pelas movimentações que estão em marcha, para novos alinhamentos de forças partidárias. A luta política é uma coisa bonita desde que os protagonistas saibam aprender o que é ser poder e o que é ser oposição, coisa que parece cada vez mais difícil pelas amostras que temos visto aqui pelas nossas bandas…

Meus queridos! Passado o Natal com todos os cuidados que repetidamente foram aconselhados, apenas quero dizer que este ano a consoada aqui na minha Rua Gonçalo Bezerra, foi só com a minha sobrinha-neta, já que os meus outros sobrinhos nem conseguiram vir do rectângulo onde estudam. Depois da consoada, e como este ano não fui à Missa do Galo como costumo fazer, sentei-me, com uma fatia de bolo de Natal e um licorzinho de tangerina para ouvir a Missa na Sé de São Salvador de Angra, presidida pelo meu querido Bispo Lavrador, a quem mando um ternurento beijinho pela simplicidade das palavras e pela dignidade da celebração animada por belo coro e imponente órgão e acompanhamento de flauta e trompete, registando-se o regresso do Credo cantado que foi expurgado das nossas missas de festa… E como ficou bonito o gesto do ajoelhar enquanto se cantava o Incarnatus… O regresso de gestos antigos e tão belos que vale a pena saudar, quando por tantos lados se vê a folclorização das missas pensando que assim se atraem crentes…

Ricos! A gente sabe que não pode haver um polícia em cada canto e também sabe que eles são cada vez mais escassos e nem dão para as encomendas da papelada e dos inquéritos, que têm de instruir… e muito menos para andar na rua. Mas há zonas em que seria tão bom ter a presença policial. Diz-me a minha sobrinha neta que passa todos os dias pelo largo do Liceu em Ponta Delgada que aquilo está cada vez pior e que à noite é uma pouca-vergonha que se pode medir pelos restos que ficam para o dia seguinte, com garrafas espalhadas e outras partidas, papéis pelo chão, preservativos espalhados, seringas e não sei mais quê. Ou seja, aquilo é tudo o que não deveria ser e não é só ali, pois que o Largo 2 de Março também é outra zona por onde mete medo passar… O que passa são os anos sem que se consiga resolver aquela chaga dentro da cidade…

Meus queridos! Eu tinha jurado que não ia falar mais dos CTT aqui nos meus recadinhos, porque perante aquela empresa tudo o que se diga é pior que bater em ferro frio, e neste caso, velho e ferrugento. Mas como na semana passada houve discussão no Parlamento nacional sobre a matéria e os responsáveis da empresa até assumiram as falhas que existem para as Regiões Autónomas prometendo pela enésima vez que vão estabelecer parcerias com a TAP e a SATA para resolver o problema, sempre quero dizer que aquilo que ouvi foi mais do mesmo… pois coitadas das pessoas que fizeram compras on line (coisa com a qual estou ainda pouco familiarizada) através das plataformas digitais… e passaram este Natal sem receber as encomendas colocadas à responsabilidade dos CTT e pagas, que ali o preço não se discute, há já tempos sem fim… É que nem com contentores todas as semanas para os Açores, eles são capazes de resolver o problema. E ainda dizem na cara das pessoas que duas semanas para uma encomenda entre o rectângulo e os Açores, não é tempo demais… Só apetece dizer que voltamos ao tempo das caravelas, porque nos tempos de São Vapor a coisa corria melhor. Passa fora!

Meus queridos! A minha prima da Rua do Poço já comprou um caderninho para ir anotando o cumprimento ou não dos prazos para a demolição das galerias da Calheta. A Câmara da minha querida Presidente Maria José não desarma e também não deixa que andem cá por fora tentando desinformar, com mentiras e boatos, como convém a muita gente. A reunião com os investidores, na semana passada foi dura e acabou com um compromisso de que a ASTA vai mesmo avançar e dentro dos prazos que a Câmara vai impor. Vamos lá ver o que se vai passar, mas pelo menos parece que o assunto não é para esquecer. A minha prima só diz que se for desta, alguém vai ficar na história e também a história registará os que não ficam bem no retrato desta velha caldeirada política e económica que devia envergonhar muita gente…

Ricos! Não posso deixar passar estes meus recadinhos de fim-de-ano sem mandar um ternurento beijinho aos directores e a toda a equipa do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio e do velhinho e sempre renovado Diário dos Açores, pela beleza dos suplementos de Natal, com variada e bela leitura e uma assinalável presença dos seus anunciantes que assim provam a confiança na qualidade e presença dos dois matutinos no nosso panorama de comunicação social. E de entre tanto e tão bom que li, seja-me permitido destacar pela riqueza e originalidade, no Diário dos Açores, o magnífico conto de Lopes de Araújo que teve como pano de fundo a ilha do Corvo e o inesquecível Padre Rita. E no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, deslumbrei-me com o conto do Contra-Almirante João Nobre de Carvalho… era uma vez um Natal no Mar dos Açores. Simplesmente comoventes e a merecer leitura atenta. Assim vale a pena!

Meus queridos! Está o país chocado com a chacina de centenas de veados e javalis, por pseudo-caçadores que para além de tudo cometeram o crime de enxovalhar e criar ódios sobre aqueles que praticam com sensatez e equilíbrio a arte da caça. Nem consegui ver as imagens e o que me apetece perguntar é como num país como o nosso se deixa fazer uma coisa dessas. Por mim, (e nem quero ser mazinha em tempo de Natal) eu tinha era mandado um batalhão de agentes do SEF tratar os ditos cujos animais-caçadores… Talvez aí tivessem onde descarregar a bílis… Por outro lado juro que, apesar de não me meter em questões políticas, fiquei perplexa com as declarações do Ministro do Ambiente, Matos Rosa, que por um lado se irou com o mórbido cenário dos veados abatidos, mas por outro dava a entender que a caça era precisa para abrir caminho à instalação dos painéis solares que estão previstos para aquela quinta… Isso parece tudo muito mal contado… e quanto mais falam mais se entalam…

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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