27 de dezembro de 2020

Editorial

Teorias desfazadas das realidades

 1- O Natal já é passado e agora é tempo de fazer contas à vida, enquanto o mundo gravita à volta da vacina contra a COVID-19 quando a “COVID-20” bate à porta com a nova variante da SARS-2.
2- É ridículo o espectáculo organizado para a chegada de 9.700 vacinas a Portugal para vacinar uma população de dez milhões de habitantes. Tal quantidade nem chega para vacinar o pessoal de saúde e muito menos para a ministrar às outras pessoas consideradas de alto risco.
3- Vamos esperar para ver quando e quantas vacinas vão chegar às Regiões Autónomas, embora se reconheça que, pela primeira vez, há uma medida tomada a nível da União Europeia no que toca à saúde, distribuindo-se, embora de forma simbólica, a vacina ao mesmo tempo para todos os países europeus.
4- As nossas reticências não têm por finalidade minimizar os riscos da pandemia nem tão pouco a importância das vacinas, que são uma consequência sem paralelo da evolução da ciência na área da saúde, ao conseguir em tão pouco tempo, remédio para conter o alastramento do contágio pandémico.
5- O que se pretende é que haja dos responsáveis políticos uma alteração na forma de gerir a pandemia, porque a exposição diária e o espectáculo que se faz da doença, leva a esquecer os milhares de pessoas que morrem de outras patologias porque ficaram esquecidas e deixaram de ser tratadas.  
6- O que se vê todos os dias são opiniões desencontradas de especialistas que querem ter os seus momentos de glória, mas que acabam gerando medo numa parte substancial da sociedade. Pior ainda é quando aparecem altos responsáveis do país com sintomas de hipocondria, fazendo, a miúdo, sessões pedagógicas que são prejudiciais para a saúde mental.
7- Nestes quatro dias de 2020, os empresários põem contas à vida, olhando para o rasto de destruição deixado neste ano, e como vão recuperar os estragos para sobreviver em 2021.   
8-Vemos por aí muitas teorias académicas quanto ao estado das empresas e a forma de as recuperar ou de as deixar morrer.
9- Muitos desses académicos precisam de descer à terra, e para o caso, um estágio prático de gestão de uma empresa seria uma experiência importante para verem a diferença entre a gestão teórica feita numa folha de Excel, e a prática no terreno, que obriga a produzir-se e a vender o produto a preços capazes de ombrear com a concorrência, e obtendo receitas que permitam pagar o investimento e os demais custos, e garantir o emprego e a solvabilidade da empresa.
10- Temos enormes desafios para o próximo ano que vão para além do combate à pandemia, e à recuperação económica, e que se centram nas pessoas que são a razão de todo o resto.
11- Se cada um fizer o que lhe cabe enquanto cidadão e membro da sociedade, tudo será mais fácil, mas isso exige diálogo, verdadeiro sentido das realidades, cooperação, responsabilidade e partilha.
Américo Natalino Viveiros

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