Empresário ribeira-grandense Carlos Teixeira

“É possível instalar uma primeira loja ‘Dunkin’Donuts’ em Ponta Delgada”

  Correio dos Açores – Depois de terminar o período escolar nos Açores decidiu ir  para os Estados Unidos da América onde frequentou o ensino superior e licenciou-se em “Marine Affairs”. Como descreve o percurso que fez durante esses anos e que benefício lhe trouxe em termos profissionais, a formação académica em  “Marine Affairs”, numa altura em que ainda não se valorizava a economia azul como acontece agora no século XXI?
Carlos Teixeira (empresário açor-americano)  - Sou licenciado em “Marine Affairs” e tenho um Mestrado em Direito Marítimo. Escrevi e defendi a minha tese de mestrado na Universidade de Rhode Island em 1986. Parte da minha tese consistiu numa análise comparativa social e económico  entre as lotas dos Açores, e as lotas da Nova Inglaterra com incidência nas lotas de São Miguel e em especial na lota de Rabo de Peixe em comparação com as lotas de Boston, Worcester e a de New Bedford, em Massachussets. Na altura em que escrevi a tese foram-nos facultados todos os meios necessários para que a pesquisa que efetuei no Açores juntamente com o meu  orientador da tese, Professor Geral Krause, fosse possível. Na altura foi devido à colaboração do então Secretário do Comércio e Indústria, Sr. Américo Natalino Viveiros, assim como  o deputado Sr. Artur Martins e o Sr. Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande Sr. Engenheiro Hermano Motta, que foi possível o projecto concretizar-se. Visitámos quase todas as ilhas dos Açores e os seus portos de pesca, mas a experiência mais importante e gratificante foram os três meses que passámos em Rabo de Peixe todos os dias, de manhã à noite, a entrevistar os pescadores, falar com a população piscatória, estudar em detalhe o sistema da lota, dos compradores, vendilhões, exportadores de peixe etc. Apesar de termos feito pesquisa nas lotas da Ribeira Quente, Caloura e Mosteiros, Rabo de Peixe e a sua simpática gente ficaram até hoje no meu coração. Sempre que volto a São Miguel, visito sempre o porto de Rabo de Peixe.
Quanto ao resto dos meus estudos, fiz a escola primária na escola da Ribeira Grande e os antigos primeiro e segundo ano como colegial interno no Seminário Colégio do Senhor Santo Cristo em Ponta Delgada. Continuei  os meus estudos no Liceu Antero de Quental até ao antigo sétimo ano. Vim estudar para os Estados Unidos em 1978 juntamente com dezenas de estudantes que, na altura a seguir ao 25 de Abril de 1975,  vieram para os Estados Unidos estudar para várias Universidades. Vim com a Marta que  hoje é minha mulher. A nossa  intenção era, depois de terminarmos os cursos, voltar a São Miguel. Terminamos os cursos no URI, ela com um mestrado em Francês, mais tarde concluiu mais um mestrado em psicologia de educação na “State University of New York” onde lecionou durante alguns anos assim como também no “Union College” em Schenectady New York. Também foi professora do Liceu em Guilderland NY até se reformar.
No meu caso, na altura o curso que vim tirar para os Estados Unidos não existia em Portugal. O Secretário da Agricultura e Pescas de então era o  Sr. Engenheiro Ezequiel Moreira da Silva, com o qual falei muitas vezes acerca de pescas e do mar e até certo ponto contribuiu também para a minha decisão de vir estudar “Marine Affairs”  para os Estados Unidos. Enquanto estudava no Liceu Antero de Quental ingressei no primeiro curso de guias profissionais de turismo que foi lecionado no Solar da Graça em Ponta Delgada. Após ter terminado o curso, fui guia de turismo não só até vir estudar para os Estados Unidos como também durante os seis anos que estive a estudar na Universidade de Rhode Island, os quais passava o Verão em São Miguel. Na altura, os guias de turismo ganhavam bem e tínhamos boas gorjetas. Quando voltava à Universidade sempre dava para trazer uns trocos comigo para ajudar nas despesas diárias de um estudante.
Na altura em que vim estudar para os Estados Unidos, falava-se pouco da economia azul nos Açores. Felizmente, as coisas evoluíram rapidamente, e as medidas usadas e adoptadas na Politica Comum de Pescas, recursos marinhos, conservação de stocks e espécies, Zona Económica Exclusiva Marítima, zona costeira, Direito do Mar, etc., foram, ao longo dos anos,  sendo implementadas na Região. Como tudo, e com a evolução dos tempos e dos povos, quando se trata de assuntos relacionados com o mar, haverão sempre novas medidas que terão de ser adaptadas, mudadas e implementadas, para proteger o mar, para o nosso bem e para que as próximas gerações, possam e continuem a usufruir daquilo que nós temos tido o privilégio de usufruir até agora.
Quando, leio sobre estes assuntos do mar, embora já não seja a minha área de “expertise”, faz me sempre recordar os meus tempos enquanto fui estudante do URI. Quanto aos benefícios profissionais em relação à formação académica. Penso que não só no meu caso, mas na maioria dos casos, uma formação  universitária em qualquer área é benéfica logo que a pessoa goste e se sinta feliz com aquilo que faz. Claro que no meu ramo de negócio não é necessário um curso superior, mas com os desafios diários que temos de enfrentar em qualquer negócio, uma coisa é certa, é como o Americano diz “ knowledge is power” (conhecimento/ sabedoria é poder) e sobre isto não há dúvida. Não querendo estar a divagar mais, uma coisa é certa, para aquilo que um “ businessman” tem de enfrentar diariamente, quanto mais conhecimentos tem, mais probabilidades tem de estar preparado para antecipar o seu adversário.

Como tem sido a sua participação nos negócios e empreendimentos que a família tem desenvolvido em sectores ligados ao comércio e à agro-indústria?
Meu pai e minha mãe começaram o Aviário da Ribeira Grande em 1972 com outros sócios. Mais tarde, acabaram por comprar a parte dos  sócios e durante mais de 40 anos foi o negócio principal da família. Durante esta mesma altura também tiveram um espaço na Ribeira Grande juntamente com minha tia Leonor Teixeira onde faziam casamentos e outras festas durante 10 anos.
Em 1993 ganhámos o concurso público para a exploração da marina, bar, restaurantes e piscinas de Ponta Delgada. Formamos uma empresa em que meus pais, meus irmãos e eu éramos sócios. Exploramos este negócio durante 20 anos sendo meu irmão Mário o administrador.
Entretanto, como resolvi ficar a residir nos Estados Unidos, apareceu a oportunidade de um negócio para importar produtos americanos para o Supermercado Solmar através do nosso amigo Sr. Mário Caetano.
E é assim que nasce o negócio da  importação de  produtos americanos para São Miguel. Com os meus irmãos a viver nos Açores e eu em New York, estavam reunidas as condições necessárias para expandir este tipo de negócio. Meu irmão Pedro que vivia nos Estados Unidos regressa aos Açores e começa também a trabalhar para a firma juntamente com meus irmãos Mário e Alexandre, e daí surge a primeira loja Liberty na Ribeira Grande. Com o passar dos tempos, abriram-se outras lojas Liberty em outras ilhas e uma em Lisboa. O nosso negócio é, como qualquer outro, desenvolvido com muito trabalho, dedicação da nossa parte e da nossa excelente equipa de colaboradores que fazem parte da firma.
Como têm conseguido gerir os negócios neste período de pandemia? E como vislumbra o futuro?
Em tempo de pandemia, como em todo o mundo, tivemos que nos adaptar à situação. No caso específico do “Dunkin”, como somos considerados parte dos serviços essenciais, tivemos a opção de manter as lojas abertas juntamente com os  “Drive Thrus”. As lojas que não têm “drive thrus”  continuam abertas, mas com grandes restrições. Todas as lojas que estão abertas seguem à risca as regras do departamento de saúde existentes em cada Estado para além  das novas normas que foram criadas devido à pandemia. Em relação às vendas, felizmente para as lojas que têm “drive thrus”, têm-se mantido estáveis  e até em alguns casos têm subido, pelo facto de muitas pessoas terem receio de entrar nos estabelecimentos da concorrência que não têm “drive thru”. De notar que no caso do “Dunkin”, antes da pandemia, as vendas em média nas lojas com “drive thu”, eram acima dos 75%. Tivemos de adaptar e implementar métodos no sistema de “drive thru” para acomodar os clientes que deixaram de entrar nas lojas e optaram pelo “drive thru”, para que o tempo de espera dos clientes não fosse demasiado longo. Há lojas que servem pelo “drive thru” diariamente centenas de carros por dia e algumas mais de mil carros por dia. A previsão, felizmente para o nosso tipo de negócio, vai continuar a ser favorável devido à nossa implementação no mercado com a maioria das lojas com “Drive Thrus”. Infelizmente, há outros negócios que estão em situação mais complicada.

Que análise faz da economia americana, e como antevê a sua evolução?
A economia americana estava muita boa até aparecer o Covid 19. A taxa de desemprego em New York estava a 3.6%, o stock market estava fantástico, as vendas de carros, casas, bens essenciais estavam a subir, a construção  civil de vento em popa etc. Chega a pandemia, e uma grande  parte dos negócios entra em recessão nas primeiras semanas, e muitos destes negócios  fecharam e não voltaram a abrir. O Governo criou incentivos e empréstimos a fundo perdido para que as empresas se mantivessem abertas e para poderem pagar os seus empregados. Nós também beneficiámos destes empréstimos, embora algumas regras estejam  ainda por definir à espera que o Congresso esclareça alguns pontos que ainda não estão bem esclarecidos. Penso que só depois do novo Presidente tomar posse é que serão determinadas as regras finais. O Ronald Reagan tem uma frase célebre que diz: “ The most terrifying words in the English language are: I’m from the government and I’m here to help”. A tradução é a seguinte: As palavras mais aterrorizantes ou assustadoras da língua Inglesa são: “Eu sou do governo e estou aqui para ajudar”. Vamos a ver se este não será o caso. Quanto ao futuro da economia Americana, penso que a América vai passar um período bastante difícil nos próximos tempos mas, com o tempo, começará a entrar novamente no percurso de recuperação.
Com  milhões de pessoas a serem vacinadas, o primeiro passo para a normalidade já começou.

Além da sua formação académica, nos EUA, lançou-se no mundo dos negócios, tornou-se um empresário de sucesso possuindo uma rede de lojas Dunkin Donuts em Glenville, no estado de Nova Iorque...
A formação académica é sempre uma mais-valia aparte de se exercer ou não aquela profissão. Já no meu tempo de estudante a formação universitária nos Estados Unidos, com a excepção de algumas profissões,  não garantia um emprego na área da especialidade que a pessoa se tinha formado. É muito comum  no dia-a-dia lidar-se com pessoas formadas em diversas áreas que não trabalham na área que se especializaram. No entanto, há um valor acrescentado que é atribuído às pessoas formadas, e que geralmente são remuneradas de acordo com a sua formação e posição que ocupam. Já estou a trabalhar na nossa firma, no “Dunkin” como agora é chamado há 34 anos, e a experiência adquirida por mim ou por qualquer outro “franchisee” que está neste negócio há vários anos é, sem dúvida, uma mais-valia, relativo à concorrência. O “know how” que é passado ao longo dos anos por um  “franchisor” com mais de 70 anos de existência, como é no caso do “Dunkin”. Este “know how” específico a este negócio é passado ao”franchisee” ao entrar no negócio. Isto é que é muito importante e evita que o ‘franchisee” tenha de  passar pela fase de aprendizagem de que qualquer outra pessoa num novo negócio geralmente tem de passar, assim evitando que o negócio não feche a porta, devido às medidas que são tomadas à priori com o tal “know how” adquirido, para evitar o fracasso de um “Dunkin restaurant.
De tomar nota é o facto de quando comprei a minha primeira loja em 1986, haviam dezenas de Açoreanos que já estavam no negócio, na maioria, na Nova Inglaterra. A maioria tinha uma, duas ou três lojas, com a excepção dos maiores terem já mais de 10 lojas. Trabalhavam nas lojas com a família e a educação era, na maioria dos casos, a que trouxeram dos Açores quando emigraram. Hoje em dia, os filhos e filhas, ou seja, a segunda e terceira geração de “franchisees” neste negócio, uma grande percentagem deles já são formados em Economia, Arquitetura, Marketing, Engenharia, Direito etc. e fazendo parte de grandes organizações, completamente diferente das circunstâncias da geração do “Dunkin Donuts” dos seus pais. Cerca de 20% dos negócios que abrem nos Estados Unidos não sobrevivem o primeiro ano e 50% abrem banca rota nos primeiros 5 anos. A formação académica, como já mencionei anteriormente, é importante em todos os ramos, mas tomar a decisão de abrir e gerir um negócio de raiz requer que se tenha em mente que tem de se trabalhar muito e que nem sempre se consegue alcançar o sucesso desejado. E quem tem negócios sabe bem que esta é a realidade. Num  ramo de negócio como o Dunkin, em que muitas das lojas estão abertas 24 horas por dia, 7 dias por semana, não  há um botão na mente do dono que se possa apagar por completo, quando se chega a casa ou quando se vai de férias. Não quero dizer com isso que trabalhamos mais do que os outros. O facto de se fazer parte de uma Franchise de sucesso, fundada pelo William Rosengerg em 1950, com mais de dez mil lojas  que hoje em dia faz parte da Inspire Brands que tem no seu  portfólio várias franchises como a Sonic, Arby’s, Buffalo Wild Wings,Jimmy John’s, Rusty Taco e Baskin Robbins com cerca de um total de trinta e duas mil lojas em 60 países. Para além do dar o “know how” como “franchisor” também proporciona ao “ franchisee” um certo nível de conforto de pertencer a uma companhia de grande sucesso em diversos ramos. Em contrapartida, a exigência e as regras do “franchisor” são sempre  um factor a tomar em consideração diariamente na vida dum “franchisee” e da sua organização. Não  vou entrar aqui em detalhes, mas tem de haver uma simbiose benéfica para os dois para que haja sucesso. Quanto à dimensão do Dunkin na cidade onde vivemos, há 3 lojas Dunkin aqui nesta cidade as quais as possuímos. As outras lojas que temos estão localizadas em várias  cidades vizinhas, a qual a mais distante está a cerca de 601 quilómetros da nosso escritório central. Somos uma empresa familiar com cerca de duzentos empregados que, como menciona na sua pergunta num País em que tudo  é pensado e feito em grande escala,  nós no mundo do Dunkin  somos uma gota no meio do oceano. A Inspire Brands tem  650 mil colaboradores dos quais 3200 são “franchisees”.

É possível desenvolver o conceito de lojas  Dunkin Donuts nos Açores?
Hoje tudo é possível. Há doze anos o “Dunkin” entrou em contacto connosco para saber se estávamos interessados em abrir em São Miguel um “Dunkin Donuts”. Depois de analisarmos a situação, e devido ao  facto de haver problemas de logística assim como perante o preço elevado dos transportes marítimos, chegamos à conclusão de que naquela altura não era viável.

Os seus três filhos, Natasha, Nicole e Miguel Teixeira, trabalham consigo na rede de negócios que tem. Como é repartida a responsabilidade que cabe a cada um?
Os meus três filhos à maneira que foram terminando a sua licenciatura ou mestrado começaram a trabalhar para a firma. Antes de tomarem a decisão de quererem ser sócios da firma, e como todos eles desde os 16 anos de idade durante as férias do Liceu e da Universidade, trabalhavam para a firma, passando por todas as posições que temos nas lojas desde a limpeza até à gerência das lojas, sabiam muito bem o que o negócio englobava. Ao tornarem-se sócios e “franchisees”  tiverem de tirar o curso do “Dunkin” e fazer estágio numa loja do “Dunkin” na Florida. Nunca incentivei nenhum dos meus filhos a trabalharem para a firma. A minha filha Natasha é licenciada em Biologia, é Vice-presidente da firma e é diretora administrativa, é responsável por tudo o que tem a ver com salários leis de trabalho, pagamentos, bancos etc. O  Miguel é licenciado em Economia, é Vice-presidente da firma e é diretor de produção, operações e manutenção (remodelação, construção, manutenção, funcionamento diário das lojas, e tudo o demais que se tem de resolver no terreno no dia a dia). A Nicole tem um mestrado em Psicologia clínica, é Vice-presidente da firma e é diretora de recursos humanos, formação de pessoal e comunicação com os clientes. Todos os nossos empregados antes de começarem a trabalhar nas lojas, e consoante a posição que irão desempenhar, têm de completar um treino online específico para aquela função. Só depois de terminarem o treino online é qua passam para as lojas para terminarem o estágio no restaurante com os colegas e a gerente da loja. Para além da Natasha que trabalha diariamente no escritório, o Miguel passa a maioria do seu tempo no terreno e a Nicole, como temos dois centros de formação em duas cidades diferentes, divide o seu tempo pelos dois escritórios. Não há chefes entre eles, e colaboram todos entre si. Como parte do nosso negócio é feito através das novas tecnologias, estamos constantemente a investir nesta área, e por isso sempre a par de toda a inovação que vai aparecendo no mercado. Isto faz com que nós e todos os nossos colaboradores estejamos sempre em comunicação constante, apoiando todos os departamentos da firma e fazendo com que sejamos mais eficientes em todas as áreas e no fim o objectivo é que todos os nossos clientes saiam satisfeitos das nossas lojas todos os dias. Se há alguma queixa que é transmitida pelo cliente, nós resolvemos imediatamente no mesmo instante e no máximo dentro de 24 horas. O cliente tem sempre razão, mesmo que não a tenha. Se há alguma queixa sobre espera, produto etc. não há comentários a fazer, a não ser pedir desculpa, devolver o dinheiro e oferecer um voucher para a próxima visita ao restaurante. Quando se serve milhares de pessoas por semana há sempre a possibilidade de haver alguma queixa.
 
Com a entrada dos seus filhos nos negócios passou a ter mais tempo para si? Passou a vir mais vezes aos Açores?
Com a entrada dos meus filhos no negócio, continuo a trabalhar da mesma maneira, mas com outro tipo de responsabilidades. Começo a trabalhar todos os dias muito cedo e quando dou por mim já está na hora do jantar. Mesmo quando estou em São Miguel tenho o meu escritório em casa onde trabalho todos os dias. Hoje em dia com um computador e um telemóvel, trabalha-se de qualquer parte do mundo. Entre também ser Chairman do “Dunkin” no mercado de Albany NY (representante dos “franchisees”)  e de ser o Chairman do “committee” para o desenvolvimento económico para a cidade de Glenville, também faço parte de outras organizações sociais e políticas, incluindo ter sido membro do clube de  Rotários locais durante mais de 20 anos, (tive de interromper por falta de tempo, mas vou regressar em 2021). Tudo isto mantém-me bastante ocupado. A única diferença que há é que quando comecei no negócio  não tinha outro remédio senão trabalhar para sobreviver. Agora trabalho para ajudar os meus três filhos e os meus seis netos. Tenho dois genros e uma nora, mas não trabalham para a firma. Antes da pandemia passava parte do Verão mais a minha mulher Marta na Ribeira Grande, mas infelizmente já não vamos aí há mais de um ano.

Um dos seus hobbies é coleccionar e recuperar carros antigos...
O interesse  pelos carros antigos começa em adolescente, quando via o mestre Venceslau passar nas ruas da Ribeira Grande conduzindo o seu carro antigo. Sempre admirei o carro dele e mais outros que apareciam de vez em quando pela ilha. Depois de vir  viver para upstate New York um dia passei numa cidade chamada Schoharie, e foi aí que comprei o meu primeiro carro antigo, um Chevrolet descapotável de 1930 com seis cilindros. Foi o primeiro carro que levei para São Miguel há cerca de 30 anos, onde permaneceu durante cinco anos até o enviar novamente para New York onde ainda hoje se encontra na minha garagem. Em 1996 resolvi abrir um antiquário em Ponta Delgada em frente ao mercado da Graça somente com   antiguidades Americanas da época Vitoriana. Durante os quatro anos que tive o antiquário, tive oportunidade de comparar antiguidades durante as minhas viagens e nessa altura comprei mais alguns carros antigos para restaurar como tinham sido construídos originalmente. Encontrei uma oficina especializada em restauração de carros antigos perto de casa, e durante alguns anos o meu “hobby” foi supervisionar diariamente a restauração de vários carros antigos que ainda estão na minha posse e todos eles a trabalharem bem. Cada carro levou cerca de um ano para se fazer uma restauração total. Na altura optei pelas marcas Hudson e Essex, embora sejam duas marcas de carros diferentes, pertenciam à mesma companhia. Os carros de que estou a falar foram construídos entre os anos de1925 e 1932. Naquela altura a Hudson era a terceira marca de carros mais vendida nos Estados Unidos, atrás da Ford e da Chevrolet. O Hudson era um carro, maior mais confortável e mais luxuoso que o Essex. Em 1929 quando um Essex  custava cerca de 700 dólares um Hudson do mesmo ano custava cerca de 1400 dólares. Tenho um Essex de 1929 que está em São Miguel, no qual ando todos os dias quando estou de férias. Tenho também um Hudson de 1929 e um de 1932 nos quais  ando cá com eles de vez em quando. Para além destes carros que acabei de mencionar tenho também um Essex de 1925, um de 1928 e um de 1930. Adoro carros antigos, e anualmente frequente “shows” de carros antigos em vários Estados da América, mas infelizmente devido a falta de tempo, tenho alguns carros que não conduzo há algum tempo. Quando chamei de “hobby”  comprar e restaurar carros antigos, é mesmo um “hobby” no sentido da palavra. Quem pensa em adquirir um carro antigo como investimento, pondere antes de o adquirir, porque na maioria dos casos não passa dum gosto que se tem de conduzir, restaurar e preservar os carros que os nossos avós conduziam há quase 100 anos atrás. A satisfação que tenho de ter restaurado os carros, foi o facto de contribuir para que as futuras gerações possam ter a oportunidade de ver e conduzir os carros que os seus antepassados conduziram.

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Autor: CA

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