Entrevista ao jogador do Desportivo de Rabo de Peixe, Hugo Moniz

A subida do ‘Rabo de Peixe’ “foi inolvidável”

 Correio dos Açores - Como tem sido a tua prestação nesta época no Desportivo de Rabo de Peixe?
Hugo Moniz - Tem sido uma boa prestação, na linha daquilo que tinha planeado e que a equipa está a conseguir. Com a ajuda de todos os colegas e o mister Matias e sua equipa técnica, que me têm ajudado muito a nível mental e técnico-táctico.

Como foi receber a notícia do destaque na 7ª Jornada?
Sem dúvida nenhuma que as boas notícias são sempre muito gratificantes. É sempre bom o reconhecimento do nosso trabalho, que eu encaro como um incentivo e mais responsabilidade para continuar a dar o meu melhor pela equipa.

Fala-nos da tua excelente prestação na época passada no Desportivo de Rabo de Peixe.
Foi uma época muito boa, em primeiro lugar a nível coletivo, pois conseguimos atingir o tão ambicionado título de Campeão dos Açores, o que foi uma meta que deu uma grande alegria aos adeptos e mesmo a toda a Vila de Rabo de Peixe. Em segundo lugar, e a nível pessoal, foi também uma boa época em que marquei 13 golos e fiquei feliz por ter ajudado o Clube Desportivo de Rabo de Peixe a alcançar os seus objectivos, o que foi muito compensador poder ajudar um clube que, aliás me tem apoiado muito.

Lembras-te como começaste a jogar?
Sim, lembro-me perfeitamente, apesar de ser muito novo na altura. Eu comecei a jogar com apenas 5 anos de idade no clube da minha cidade, no Sporting Clube Ideal, e na altura comecei como guarda-redes, mas rapidamente o mister, devido à minha baixa estatura, optou por me colocar a médio.

Qual foi o teu grande sonho de criança?
Como todas as crianças sonham alto em um dia, quando forem grandes, terem uma boa profissão. Eu, da minha parte, sempre sonhei em ser jogador de futebol profissional e, para além disso, a minha grande aspiração era um dia poder representar a Seleção de Portugal, como atleta de grande competição e estar nos patamares mais altos.

Que clube marcou mais a tua carreira?
Devo dizer, em primeiro lugar, que eu tenho um carinho especial por todos os clubes por onde passei, quer seja o Angrense, o Santa Clara, o S. Roque, o Ideal, o Marítimo da Graciosa, o Águia e, como não poderia deixar de ser, o Desportivo de Rabo de Peixe, que marcaram o meu crescimento enquanto atleta e enquanto homem. No entanto, pelas razões óbvias, a minha passagem pelo Futebol Clube do Porto, na época de 2007/2008, é uma marca que saliento com orgulho e fica bem gravado na minha carreira desportiva.

Fale-nos da tua passagem pelo Futebol Clube do Porto.
Foi sem sombra de dúvida uma experiência muito enriquecedora, onde aprendi muito como jogador, embora tenha sido muito difícil para mim, pessoalmente, porque não é nada fácil com apenas 12 anos de idade deixar a família para trás, numa altura da vida em que precisamos de estar perto dos nossos familiares e amigos. Mas, para mim, valeu a pena, porque pude partilhar o “balneário” com jogadores que hoje são nomes grandes do futebol português e internacional, como foi o caso do Ruben Neves, do André Gomes, do Gonçalo Paciência, entre outros. Foi uma experiência que guardarei para o resto da minha vida.

Como foram os teus anos também fora da ilha, no Angrense e o Marítimo da Graciosa?
Foram épocas muito positivas, e como já tive oportunidade de dizer antes, eu fui muito bem recebido em ambas as ilhas, onde as pessoas me trataram muito bem. A adaptação na Graciosa foi um pouco difícil, mas na Terceira foi mais fácil. Fiquei muito grato pela atitude das pessoas, dirigentes e adeptos de ambos os clubes.

Como te sentiste na ajuda do Águia dos Arrifes na subida de divisão?
Senti-me feliz por ter ajudado o clube a regressar aos Regionais. Foi, sem dúvida, uma grande época desportiva aquela de 2017/2018. Pessoalmente, foi uma satisfação enorme por ter contribuído para que o Águia dos Arrifes tivesse atingido um grande objetivo da massa associativa e dos seus dirigentes. Senti alegria das pessoas dos Arrifes por aquele feito e ainda estou muito grato da forma como me receberam.

Qual o clube onde mais cresceste em termos tácticos e como homem?
Como homem, foi no Angrense, porque tive que estar longe da família, viver sozinho, aprender a fazer coisas que não estava habituado. Tudo isto fez-me crescer pessoalmente e deu-me uma independência enquanto ser humano. A nível tático, no Desportivo de Rabo de Peixe, pois o mister Matias e o seu adjunto são muito profissionais e transmitem-me muitos conhecimentos para eu continuar a crescer em termos desportivos.

Porque optaste pela carreira de atleta de futebol?
A razão é muito simples, porque desde pequeno esta é a minha paixão e o meu sonho. Enquanto eu puder, não me vejo a fazer outra coisa, dado que dentro e fora do campo vibro com o futebol e o futebol sempre fez parte da minha vida. Marcou-me o facto de que, em pequeno, eu acompanhava o meu padrinho nos seus jogos, e desde então eu sonhava ser como ele, ou seja ter uma bola nos pés e jogar até mais não poder ser.

Qual foi o lance que mais te marcou?
Já tive muitos lances que recordo nesta minha carreira desportiva, mas o meu primeiro hattrick, na época passada contra o Boavista na Terceira, fica marcado na minha memória como um momento que recordarei para sempre.

Que jogo guardas na tua memória como o mais positivo?
Toda a época passada foi para mim uma época inolvidável em todos os sentidos, porque foi para o Desportivo de Rabo de Peixe chegar a um patamar que tanto ansiava e, em termos pessoais, porque tive uma prestação que me deu muita satisfação.

E qual o mais negativo?
O mais negativo foi o jogo que em cometi a agressão ao árbitro. Foi um lance muito triste, que lamento profundamente ter cometido. Aproveito para, uma vez mais, pedir desculpa ao árbitro em questão, César Andrade. De qualquer forma, aquele gesto foi um momento de reflexão eque me aproveitei para crescer e evoluir no controle das minhas emoções. Até dos momentos maus da nossa vida devemos aproveitar para retirar coisas boas e, neste caso, felizmente, fiquei mais maduro.

Onde te sentes mais à vontade num jogo, como médio ou avançado?
Como avançado, gosto de ter liberdade para fazer o 1vs1 com o defesa, poder finalizar ou assistir o avançado.

Em que medida o futebol marcou o teu modo de viver e encarar a vida?
O futebol ajudou-me a manter-me afastado dos maus caminhos, vivia num bairro em que muitos dos meus amigos seguiram caminhos maus e perigosos, e o futebol ajudou-me imenso. Claro que o apoio da minha família também foi fundamental. Para mim, o futebol é uma escola de vida, onde aprendemos a viver e a cumprir regras que trazemos para a vida.

Quais os requisitos para um atleta ter sucesso?
O cuidado com o seu corpo é fundamental, a alimentação, o descanso, o foco no treino e muita dedicação. O sucesso só vem com muito trabalho e muito suor, e de uma entrega total, tanto durante os treinos, como nos jogos.

Qual o teu sonho como atleta do Campeonato de Portugal?
O meu sonho é, em primeiro lugar, ajudar a equipa a atingir os seus objectivos e, depois, poder assinar um contrato profissional.

Alguns jogadores do plantel do Desportivo de Rabo de Peixe testaram positivo. Como viveste este momento?
Não é fácil para um jogador ficar confinado porque deixa de treinar e de jogar. A grande maioria dos atletas têm enfrentado, acima de tudo, grandes incertezas e tudo isso sem saber quando voltará a normalidade ou quando essa situação melhorará.

Qual é o teu desejo para 2021?
O meu desejo e penso que é o desejo de todo o mundo é que acabe a pandemia do Covid 19 que está a atrapalhar a vida de toda a gente.

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