Volume de negócios de empresa Pérola da Ilha ronda 1 milhão de euros em vendas

A história da ‘Pérola da Ilha’ vem do tempo da sogra de Francisco Paquete que se encontra presentemente na gerência desta empresa. Zélia Poim que trabalhava “antigamente na empresa Pereira e Pereira” foi quem deu o impulso a esta fábrica sediada na Fajã de Cima, tal como nos foi contado.   
“Tudo começou com a minha sogra que trabalhava antigamente na empresa Pereira e Pereira e começou a fazer umas coisas em casa. Uns raminhos de salsa, umas verduras e depois começou a fazer e vender amendoins sobremesa e batata frita. O volume de vendas cresceu e ela optou por se estabelecer por conta própria e arrancar com um negócio”, explica.
De lá para cá, desde o início dos anos 90, época em que a empresa passou a ter a denominação actual de ‘Pérola da Ilha’, o negócio foi expandindo e apostando em novos produtos como o “milho, a fava frita e tudo o que está dentro dos frutos secos”. Francisco Paquete destaca o facto de, presentemente, já não se encontrarem nos Açores as matérias-primas necessárias para a produção na fábrica.
“Naquele tempo ainda se encontrava matérias-primas aqui na região, nomeadamente as pevides, o amendoim com casca e a fava que se fritava era de cá. Havia uma certa cultura de frutos secos e que hoje em dia praticamente desapareceu. Também hoje as quantidades de fabrico são maiores. Ainda se encontra a fava com casca, mas o restante produto dos frutos secos é tudo importado. Vem da China, dos Estados Unidos, do Egipto, do Irão, entre outros”, destaca Francisco Paquete que admite algumas dificuldades em fazer chegar essa matéria-prima à região.
“Está a ser cada vez mais difícil. Uma das razões tem a ver com as próprias culturas e com o clima a nível mundial que tem feito alguns estragos e à falta de certos e determinados produtos. Tem-se sentido isso, mas temos tentado ter sempre produtos para o fabrico e o essencial é o facto de procurarmos ter sempre produto com qualidade”, afirma.
Fundada como uma empresa familiar, o gerente da Fábrica ‘Pérola da Ilha’ destaca a importância dessa componente na vida da empresa bem como a própria ligação que se procura manter com a freguesia da Fajã de Cima.
“Ainda se mantém como uma empresa familiar e os trabalhadores são, de uma forma geral, aqui da Freguesia (…) isso é importante e até há data temo-nos dado bem e tem funcionado bem desta forma. Temos uma boa equipa de trabalho, sempre pronta para as adversidades que possam surgir”, salienta.
Com um total de 17 trabalhadores, Francisco Paquete revela que dois deles estão na Ilha Terceira e como refere em jeito de brincadeira, “por acaso não são da freguesia”, explicando a aposta na comercialização através de um armazém nesta ilha do Grupo Central.
“Na Terceira temos um armazém de distribuição. Esta aposta surgiu pela falta de transporte inter ilhas, aliás e melhor dizendo, existem transportes mas por vezes são insuficientes, nomeadamente nos congelados (…) Nós somos também fabricantes destes produtos na área alimentar, como croquetes e rissóis. Temos uma gama grande de congelados e optamos por alugar um armazém lá na Terceira, com uma arca de conservação e a partir daí fazemos distribuição nas outras ilhas”, justifica.
A vertente dos congelados é outra das componentes importantes, que “começou há mais ou menos 25 anos” e, de novo, por influência determinante da filha da fundadora da empresa.
“Os congelados começaram com as pizzas e depois estenderam-se para os outros produtos. Isto tudo através da minha cunhada, Sónia Poim que começou esta história (…) Penso que os nossos rissóis são únicos quando comparados com a concorrência. Optamos por ter sempre nos congelados produtos de qualidade”, realça.
Francisco Paquete explica ainda que tipos de produtos se podem encontrar na ‘Pérola da Ilha’.
“Temos uma gama enorme de produtos e há pouco tempo fizemos uma diferenciação nessas gamas. Temos a gama doce, a aperitivo (que é o sal), a natural e a dos congelados. São as 4 gamas para diferenciar todos estes produtos”, refere.
Dentro destas gamas de produtos, Francisco Paquete admite que “os aperitivos representam uma maior fatia do bolo nas vendas”. Para além destes, “também os congelados representam uma grande percentagem”, enquanto os “doces, saem mais na época da Páscoa”.
Sobre o volume de negócios da empresa, o actual gestor avança que “anda à volta de 1 milhão de euros. É um número que tem algumas oscilações embora, há uns anos atrás, tenhamos atingido 1,2 milhões de euros. A crise fez com que descesse um pouco”, admite.
A ‘Pérola da Ilha’ tem no denominado mercado da saudade, como Estados Unidos da América e Canadá, um dos locais para onde exporta alguns dos seus produtos, apesar de ser admitido que é localmente que se regista o maior volume de vendas. Os transportes para estes países constituem-se como o principal entrave para o envio dos produtos.
“Exportamos para os Estados Unidos da América (EUA) e Canadá e estes mercados têm tido cada vez mais a nossa preferência a nível de exportação. Estamos até agora a preparar uma encomenda de 4 paletes de produtos, mais na gama dos frutos secos porque existem produtos que são muitos difíceis em termos de transporte e, mesmo esse transporte, nomeadamente para os EUA, demora cerca de um mês e meio para lá chegar. É muito tempo. Esse é um dos aspectos que nos impede de enviar mais. O produto em si também perde qualidade neste mês e tal”, afirma.
Apesar de “estas exportações representarem apenas 2 ou 3% da nossa facturação”, Francisco Paquete admite que apesar das contas deste ano ainda não estarem fechadas “penso que vendemos mais para esses destinos”, explicando ainda como é feita essa distribuição quer no estrangeiro quer no mercado de Portugal Continental.
“Temos dois clientes, um em cada País que faz a distribuição dos nossos produtos. Para o Continente enviamos para algumas casas dos Açores e damos sempre a referência da Loja Açores”.
Sobre a pandemia, o empresário admite “alguma insegurança” e que se perderam alguns clientes durante este período.
“Perdemos alguns clientes na restauração, na hotelaria e em alguns alojamentos locais que compravam os nossos produtos. Todo o ser humano vive de esperança e vamos esperar que venham dias melhores (…) Sabemos que muitas empresas fecharam e vamos esperar que o próximo ano seja melhor”, destaca.
Precisamente sobre o futuro, Francisco Paquete afirma que o grande objectivo passa primeiramente “por manter aquilo que temos e penso que essa aposta e esse esforço tem de se centrar em mantermos a nossa qualidade”. O empresário apesar de admitir que possam ser lançados novos produtos, destaca também que “esse lançamento requer muito investimento, que vai desde as embalagens até às análises. Por isso, ponderamos bem antes de lançar um novo produto”, refere antes de destacar que a fábrica possui igualmente uma loja aberta ao público onde se “pode vir comprar à unidade, por exemplo. Não vendemos apenas na fábrica em grandes quantidades e esta loja foi criada precisamente para satisfazer o nosso consumidor”.
A terminar, Francisco Paquete explica como quer que a empresa seja reconhecida pelos consumidores açorianos.
“Quero que seja reconhecida pela sua qualidade e principalmente por isso. Foi um dos pilares e matrizes que a nossa fundadora nos deixou. Dentro da própria ‘Pérola da Ilha’, pela amizade e camaradagem que existe na equipa e que faz com que também haja esse transporte de qualidade para fora. Uma equipa que trabalhe mal dentro não consegue nunca trabalhar bem para fora. Esta sincronia é fundamental para que no final haja o contentamento de todos”, afirma.                

 Luís Lobão

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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