Álvaro Rodrigues e a Serralharia do Outeiro

Um sonho construído a pulso e mantido com muito trabalho

Acompanhando as mais modernas tecnologias, dispõe de equipamentos de topo, assim como uma equipa profissional, que permite uma produção de alta qualidade nos sectores de produção de reboques agrícolas e serralharia civil.
Mesmo com uma agenda apertada, devido aos seus muitos afazeres, Álvaro Almeida Ponte Rodrigues aceitou conversar connosco, na semana que findou.
O nosso interlocutor recordou que o negócio nasceu na casa dos seus pais. “Fomos aprender a profissão em Ponta Delgada, na oficina do mestre Antero de Quental, em 1970, e ali permaneci durante cerca de sete anos. No período das férias, experimentei o ofício em casa dos pais, com um irmão, num pequeno quarto com 16 metros quadrados, onde começamos a fazer uns trabalhos para a pecuária, onde soldávamos alguns utensílios. Com o passar do tempo, começamos a verificar que havia uma janela de oportunidades. A certa altura pedi mais um mês de férias, planeando o que mais poderíamos fazer e arrancamos nesse projecto. O serviço aumentava e passamos a trabalhar na eira da casa dos meus pais, mas as solicitações eram por demais, de tal modo que até íamos para o passeio da rua soldar atrelados, ordenhas e tanques de água. Com isso, o meu pai desenrascou-nos um bocado do quintal, para montarmos uma garagem e aí começou o negócio mais a sério, de tal modo, que um outro irmão nosso tendo acabado os estudos também começou a trabalhar connosco. Depois arranjamos outro colaborador, mais um ajudante e chegamos a ter sete ou oito pessoas a trabalhar lá, durante sete anos”.
Assim começa o negócio da Serralharia do Outeiro, na casa dos seus pais, ali na Rua do Outeiro. “A partir daí, comprámos um terreno, depois mais um e contratámos mais um colaborador, montámos mais uma oficina, mais uma coisa, mais outra e vamos nisso há 42 anos”, releva este empresário de 62 anos de idade.

Outros bons serviços

A Serralharia do Outeiro dispõe, do mesmo modo, outros serviços como a venda de peças usadas e pneus usados e novos.
Mais ainda, tem um centro de resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos (REEEs), trata de outros resíduos assim como os veículos em fim de vida.
Não menos importante é a Unidade de Tratamento de Resíduos da Recicloambi, com novas instalações inauguradas em 2016, que espelha a capacidade empreendedora de Álvaro Rodrigues e a sua determinação.

Equipa de 145 funcionários

“Somos já uma equipa com 145 funcionários, mas há vinte anos a esta parte abrimos a área de resíduos e de reciclagem, que no início era aqui na Serralharia do Outeiro. Temos ainda uma instalação na ilha Terceira, mas anteriormente tínhamos uma outra junto ao aterro sanitário de São Miguel, onde mais tarde acabamos por inaugurar uma outra unidade de raiz, inaugurada em 2016. Foi uma obra que teve um investimento na ordem dos três milhões de Euros e foi muito relevante para a nossa empresa”.
Quase na mesma altura, a Serralharia do Outeiro inaugura um stand de peças auto nos Valados, onde a venda de pneus novos e usados complementa este ramo de negócio.

2020: “ano muito complicado”

“Assim vamos vivendo o nosso dia-a-dia, mas este ano de 2020 foi um ano muito complicado. No início da pandemia tivemos uma média de 45 funcionários no lay-off e foi uma grande parte dos funcionários da área dos resíduos, que congelou um bocado e não se vendia. Estiveram assim, mais ou menos dois meses, depois regressaram. Não despedimos ninguém, mas foi um ano muito difícil, porque gerir uma empresa com 145 funcionários, com esta pandemia foi muito complicado para nós”.
 

O dia-a-dia sempre preenchido...
 

Mas, como é o seu dia-a-dia?
 “Tenho aqui outros dois irmãos, que são encarregados de algumas áreas que temos. Chego sempre quase à mesma hora do que eles, ou seja, às 07h15, mais coisa, menos coisa, e já estamos aqui a essa hora para abrir a porta e colocar tudo em ordem e ver os nossos colaboradores chegar. Gosto muito que os nossos funcionários cumprem os seus horários de trabalho, para que eles sintam também gozo naquilo que fazem e não tenho razões de queixa, até porque empenham-se”. 
É também chegada a altura de se distribuir tarefas, porque há pessoal que sai para trabalhos exteriores, como a montagem de pavilhões, gradeamentos, portões e todo o restante circuito, que diz respeito à metalo-mecânica é resolvido logo pela manhã. “Tem de ser assim, porque senão tenho uma carga de funcionários à espera que o patrão chegasse ou o encarregado para orientar os serviços. Sempre tive isto em mente e é isso que digo aos meus filhos, ou seja, o patrão é que tem de abrir a porta ou o encarregado”.

Marcar presença em todas as instalações

Álvaro Rodrigues tem ainda dois filhos a trabalhar na Serralharia do Outeiro, mas tem também por hábito fazer o circuito à volta das instalações da empresa. Começa pela Freguesia dos Arrifes, passa pelas Murtas, na Ribeira Grande, e pelos Valados, mas nunca se esquece de ligar para as instalações sediadas na vizinha ilha Terceira, onde tem uma instalação de resíduos e uma estação de serviço de pneus e venda de peças auto, que labora com 14 funcionários. Álvaro Rodrigues nasceu na Rua do Outeiro, vive na Rua do Outeiro e, como tem por hábito dizer, “é tudo aqui na Rua do Outeiro”, ou não fosse ele, um arrifense de gema. “A Freguesia dos Arrifes é a minha terra e é uma freguesia muito grande. Temos aqui muitos clientes e foi onde começamos”. Sobre o futuro, diz pretender “consolidar o que já existe e manter os postos de trabalho”. De resto, acrescenta estar expectante em relação a 2021. “Vamos ver o que é que o ano de 2021 tem para nos oferecer, porque às vezes planeamos uma coisa e depois sai outra, e isto também acontece”.
O seu filho Sário, trabalha em estreia colaboração com o pai, nos orçamentos, e a sua filha, Romana, gere a parte da gestão e contabilidade. A Serralharia do Outeiro tem cerca de três mil clientes. “Já é um bom leque de clientes, que acabam por ser amigos, mas temos muitos clientes/amigos também em todas as ilhas, para onde vendemos muitos reboques, inclusivamente para a ilha do Corvo. Continuamos a vender, dentro das nossas possibilidades e das possibilidades até do mercado”. 

Marco Sousa
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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