Os 10 mais de 2020

Política

José Manuel  Bolieiro

 

 José Manuel Bolieiro ganhou a presidência do PSD/A, e depois suspendeu o mandato de Presidente do Município de Ponta Delgada para estabelecer o contacto de rua com as pessoas tentando ganhar o voto popular. A pandemia não foi favorável aos partidos da oposição, e por isso a tarefa de Bolieiro não era fácil. Apresentou um programa eleitoral assente na alternância de poder e acabou com o PSD/A a obter mais votos do que os obtidos há quatro anos e mais mandatos parlamentares.
Na noite de 25 de Outubro e perante os resultados eleitorais, e tendo em conta a vontade manifestada por outros partidos para gerarem uma alternativa de Governo, Bolieiro soube interpretar a perda de Deputados e votos do PS/A que governava há 24 anos e procurou assim criar consensos com os partidos disponíveis para assegurarem um governo de maioria parlamentar e iniciar um novo ciclo de governo nos Açores.
A solução política encontrada nos Açores em 2020 seguiu o roteiro traçado em 2015 pelo Partido Socialista ao gerar a “geringonça” com a esquerda radical, e que permitiu António Costa e o PS governar durante  uma legislatura. Bolieiro é um uma pessoa de consensos, sabe dialogar e tem o dom da  oratória.
O XIII Governo chefiado por José Manuel Bolieiro está legitimado pela Assembleia Legislativa dos Açores ao ter sido aprovado o seu Programa.
Perante os factos, e considerando o feito de constituir a coligação formada pelo PSD/A, pelo CDS/PP e pelo PPM, assim como o acordo alcançado com os outros dois partidos para constituir uma maioria sólida, José Manuel Bolieiro é escolhido pelo Jornal “Correio dos Açores como a figura politica do Ano de 2020.  

 

Vasco Cordeiro

 

O Presidente cessante do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro merece uma referência especial neste ano 2020, pela firmeza, dedicação e esforço que manifestou num momento muito importante e único, no último século da vida açoriana, em termos de saúde pública. Num ano que já se adivinhava cheio de desafios para os Açores, com problemas relacionados com a urgente reestruturação da SATA e várias empresas públicas, com o ordenamento turístico que se imponha face ao crescimento nunca visto de visitantes às nossas ilhas e com o acompanhamento dos trabalhos para a revisão do sistema autonómico, o deflagrar da pandemia, para a qual ninguém estava preparado, veio alterar e pôr à prova a capacidade de decidir em cima da hora e no meio de incertezas, com a redobrada dificuldade de conciliar a urgência na defesa da saúde com o respeito dos direitos individuais e com a necessidade de acudir à economia e às consequências sociais desencadeadas pela pandemia e confinamentos. Vasco Cordeiro soube afirmar a identidade autonómica açoreana contra visões centralistas da República e mostrou-se um presidente próximo na comunicação e pronto na acção, sem medo de reconhecer os aspectos menos conseguidos. Por isso mesmo, merece entrar nesta galeria de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido e pela coragem demonstrada.

 

Maria José Duarte

 

 Recebeu a presidência da Câmara Municipal de Ponta Delgada em circunstâncias únicas e difíceis, depois da saída do Presidente José Manuel Bolieiro para se dedicar à liderança do PSD, logo seguida da renúncia de Humberto de Melo, por motivos de saúde. Apesar da necessária reorganização do Executivo Camarário e da concentração das atenções no acompanhamento e no apoio às situações pessoais e empresariais derivadas da pandemia, Maria José Duarte e toda a vereação que forma o executivo camarário, foram uma autêntica revelação na coragem de algumas decisões e na aposta em projectos que há muito se impõem, como é o caso dos parques de estacionamento periféricos e a requalificação do Mercado da Graça agendada para 2021. A firmeza com que Maria José Duarte abordou a velha questão das Galerias da Calheta e a clareza e frontalidade com que informou tanto o promotor da obra como a população em geral sobre as datas concretas para início das obras de demolição da parte que é devolvida ao usufruto público quebram um ciclo de indefinições e preocupantes silêncios e geraram uma nova esperança sobre o futuro daquela problemática zona da cidade. Por isso mesmo, a Presidente Maria José Duarte e com ela os vereadores merecem figurar como uma revelação deste ano 2020.

 

Economia

Novo Banco dos Açores/ Caixa de Crédito Agrícola dos Açores  Caixa Económica de Angra do Heroísmo/Santander Totta

 

 Os Bancos com capital regional a operar no mercado açoriano conhecem bem o tecido empresarial da região e têm sabido manter uma relação de proximidade com os seus clientes particulares e empresariais. Com a pandemia e com a crise que se instalou, estas instituições bancárias souberam actuar de forma rápida e aderiram às Linhas de Crédito criadas a nível nacional e regional para minimizar o efeito da crise gerada pela Covid19. Através das Moratória nos créditos puderam também auxiliar diversos açorianos que passaram por situações muito difíceis vendo parte dos seus rendimentos comprometidos com os layoff, deixando de poder, em muitos casos, cumprir com os seus compromissos bancários, tendo as moratórias sido um mecanismo de auxílio precioso para quem ficou em situação precária.
Ao conjunto dos três bancos com sede nos Açores, junta-se o Banco Santander Totta que tem uma significativa presença nos Açores resultante da incorporação da carteira de clientes que eram do Banco Comercial dos Açores, e depois do Banif. O Santander Totta, de acordo com os parâmetros da instituição, tem respondido aos clientes nos Açores, no que toca às medidas de apoio às empresas criadas e protocoladas entre os Bancos e os governos,

 

Patrícia Bensaúde Fernandes

 

 O  Grupo Bensaude celebrou em 2020 duzentos anos de existência. Nasceu em São Miguel em 1820 virando-se para o mar imenso que circunda os Açores e liga as Ilhas a todos os outros rincões do mundo.
Os primeiros negócios foram dedicados aos serviços de navegação  que tiveram grande incremento comercial com o Reino Unido.
Foi  o maior e mais antigo armador do país, fazendo a ligação regular entre Lisboa, os Açores e a Madeira desde 1871, operando no transporte de passageiros e carga. O Grupo teve a Empresa Insulana de Navegação, que se fundiu depois com a Companhia Colonial de Navegação, dando lugar em 1974  à CTM - Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos. Merecem destaque os paquetes  Lima, Carvalho Araújo, Angra do Heroísmo, e Funchal que faziam ligações regulares entre os Açores, Funchal e Lisboa, além do Cedros, do Ponta Delgada que fazia viagens inter-Ilhas. O Grupo Bensaude mantém-se no transporte marítimo através da empresa Mutualista Açoreana.
Além da importância que o Grupo teve no Transporte marítimo, importa destacar a sua importância no transporte aéreo, enquanto accionista maioritário da SATA até 1978.
O Grupo Bensaude teve posição de relevo no sector bancário e segurador, tendo sido o accionista maioritário do Banco Micaelense. Foi sócio da Sinaga e grande impulsionador da indústria tabaqueira.
Além disso foi um importante armador da pesca do Bacalhau.
Em 1975, durante o período revolucionário foi vítima da nacionalização feita pelo Governo de Vasco Gonçalves de todos os sectores considerados como sectores chave da economia.
Mas o Grupo voltou a renascer, diversificou a sua actividade, adaptando e ampliando o portfolio dos seus negócios, desde os combustíveis, aos transportes marítimos e terrestres, e assumindo lugar de destaque no comércio e no Turismo. Presentemente o Grupo Bensaude agrega mais de duas dezenas de empresas, divididas pelas áreas de negócio da distribuição, energia, actividade marítima e logística, turismo e serviços.
O Grupo tem ao seu serviço mais de 3.000 pessoas, distribuídas pelo continente e nos Açores.  É o maior grupo empresarial privado dos Açores estando entre as 100 maiores empresas de capital português
Pelo percurso feito e ao assinalar os duzentos anos de actividade nos Açores, o Grupo Bensaude é um dos grupos que merece ser considerado um dos dez mais de 2020.

 

José Manuel Braz

 

 O Grupo Finançor é actualmente um dos maiores e mais importantes grupos da economia açoriana, estando presente em vários sectores de actividade na Região.
Com mais de 60 anos de história, a Finançor resulta da junção de três empresas da ilha de São Miguel: Sociedade Financeira de Investimentos e Gestões Açores – Finançor, S.A.; Noviçor – Sociedade Agro-Pecuária de São Vicente, Lda.; Sociedade Açoreana de Sabões, Lda.
A Finançor, S.A. foi fundada em 1954 por um grupo de industriais de raízes Micaelenses, liderados pelo Visconde Botelho, absorvendo então a totalidade do património da Sociedade de Moagem Micaelense, Lda.
Mais tarde, em 1976, um grupo de industriais ligados ao sector dos lacticínios tal como alguns produtores ligados à agro-pecuária, adquiriram em conjunto a maioria do capital social da empresa.
No ano de 1980 foi contraído um empréstimo, junto do Fundo EFTA que levou à remodelação do sector de moagem e do de Alimentos Compostos para animais.
Posteriormente, no final dos anos 90, adquiriu à EPAC todas as suas instalações silares localizadas junto às suas unidades de produção e dotou igualmente o sector de fabrico de bolachas, com uma unidade industrial completamente nova.
Em 2002, a Finançor implementou um Sistema Integrado de Gestão da Qualidade e Ambiente pela norma ISO 9001:2000, bem como, um Sistema de Segurança Alimentar (HACCP) em todas as áreas de negócio, certificado pela APCER em 2004.
Presentemente o Grupo Finançor divide-se me 4 grandes ramos: Nutrição animal, alimentação, distribuição alimentar e hotéis e lazer, possuindo unidades industrias de fabrico de rações e bolachas; moagem; processamento e transformação de carne de suíno, bovino e aves; desmancha e embalagem de carne de aves; classificação e embalagem de ovos, para além do biogás.
Na vertente agrícola, o Grupo marca presença na bovinicultura, suinicultura e avinicultura. Para além destas, também a aquacultura é já uma aposta concreta da Finançor.
Nos últimos dias, a Finançor vendeu uma participação de 20% da empresa dedicada à distribuição alimentar, ao Grupo Jerónimo Martins, um dos maiores Grupos empresariais desta área a nível nacional.
Pelo papel preponderante que desempenha na economia açoriana e pela capacidade de expansão demonstrada, José Manuel Braz é considerado o empresário do ano de 2020. 

 

Jorge Alberto Serpa da Costa Rita

 

 Jorge Alberto Serpa da Costa Rita, presidente da Associação Agrícola de São Miguel; presidente da Federação Agrícola dos Açores, vice-presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal e presidente da Assembleia Geral da Associação Portuguesa dos Criadores da Raça Frísia.
Quando em 2002 assumiu as funções de presidente da Associação Agrícola de São Miguel, pouco ou nada se falava em “mais leite com menos vacas” e em “valorização genética” do efectivo bovino da ilha de São Miguel e dos Açores. Volvidos 18 anos, é uma realidade a produção de mais leite com menos vacas na Região tal como é um facto a exportação de genética de vacas da raça Holstein Frísia dos Açores. E no horizonte está ma venda de novilhas de alto valor genético, nomeadamente, para o mercado nacional.
A tempestade que se abateu sobre o leite e lacticínios na economia e na sociedade europeia, com mais produção e a moda de menos consumo, - que atinge os mercados tradicionais dos produtos lácteos açorianos – está a abrir brechas na agro-pecuária açoriana e lança novos e importantes desafios ao sector na Região.
Jorge Rita é o líder incontornável da lavoura micaelense e açoriana e sabe, como ninguém, que, se a aposta na modernização da indústria láctea açoriana deveria ter sido mais orientada para a diversificação das produções com a criação de produtos de alto valor para nichos de mercado que pagam bem, reconhece também que, nas actuais circunstâncias, é preciso ter coragem para reestruturar a agro-pecuária açoriana. Não é por acaso que termina o ano a defender que, mesmo que seja preciso “rachar”, a Região precisa de explorações agrícolas rentáveis e financeiramente saudáveis e uma indústria consciente de que tem de pagar mais pelo leite com mais matéria gorda e proteína e tem de assumir o compromisso de procurar novos mercados para valorizar os seus produtos, com apoios públicos orientados, com rigor e transparência, para uma estratégia global de acção e marketing.
Jorge Alberto Serpa da Costa Rita, pela sua acção em defesa da lavoura açoriana, é o candidato natural, nas eleições deste ano, a mais um mandato na presidência da Associação Agrícola de São Miguel. No seu curriculum tem factos e realidades e poucas palavras bonitas de ocasião. Por isso é que já projecta o futuro do sector com os apoios financeiros comunitários a que a Agricultura açoriana – tal como em outras regiões e países da União Europeia - tem direito na Política Agrícola Comum.
Por tudo isto – e não só por isso – Jorge Rita, enquanto dirigente associativo e estratega do desenvolvimento da agro-pecuária açoriana, é uma das personalidades que integvra os 10 Mais do Correio dos Açores.

 

Inovação

Algicel - Gonçalo Mota

 

Foram precisos mais de 10 anos para esta startup açoriana ver a luz do dia, mas neste ano de 2020, a Algicel, sediada no Parque Industrial dos Portões Vermelhos na Lagoa, arrancou finalmente com a comercialização de um antioxidante que traz benefícios para a saúde, num processo totalmente ‘made in’ Açores e cujo investimento total rondou os 2 milhões de euros.
Tendo como particularidade a aposta num processo tecnológico patenteado e totalmente desenhado por si para a produção de uma estirpe açoriana da microalga Haematococcus pluvialis, donde extraí, através de um processo completamente natural, a Astaxantina, “o anti oxidante mais poderoso da natureza”, a Algicel Biotecnologia e Investigação que emprega 8 trabalhadores especializados e com formação académica, tem capacidade para produzir qualquer coisa como 150 mil frascos deste produto anualmente. Cada um destes frascos contém 30 comprimidos e é vendido ao público com a denominação “Azora”, por um valor que pode variar entre os 15 e os 17 euros.
Este antioxidante que é 6000 vezes mais potente do que a Vitamina C e 500 vezes mais do que a Vitamina E, apresenta vários benefícios para a saúde entre os quais se destacam o reforço do sistema imunitário contra agentes externos; actividade anti-inflamatória; preservação da saúde da pele e maior resistência à radiação ultravioleta; benefício para a saúde ocular; protecção cardiovascular; redução da fadiga; melhoria do desempenho do exercício físico; benefícios da saúde cerebral e cognitiva; protecção neuronal; protecção do corpo contra o stress oxidativo e promove igualmente a saúde das articulações. Para além disso, ajuda a prevenir doenças neurodegenerativas e cardiovasculares bem como, da diabetes ou na ajuda da saúde do sistema nervoso, entre outros.
Gonçalo Mota, Licenciado em Engenharia Agro-Industrial é um dos sócios desta empresa e pela sua perseverança e visão, é considerado como o empresário do ano de 2020 na área da inovação.   

 

Cultura

Ricardo Cabral

 

 Numa altura difícil para todos, o agente cultural Ricardo Cabral foi o rosto visível da campanha “Volta à Ilha de São Miguel”, da União Audiovisual, que se estendeu aos Açores para ajudar artistas e promotores de eventos que ficaram sem trabalho devido à pandemia.
A maior parte dos profissionais do mundo das artes não contou com nenhum apoio durante o tempo que ficaram sem trabalho, a maioria por trabalhar a recibo verde e apenas em eventos sazonais, outros porque ficaram em lay-off.
Por saber das dificuldades por que passam os artistas, Ricardo Cabral juntou-se ao grupo informal criado neste contexto de pandemia – União Audiovisual – e organizou várias recolhas de alimentos e até uma recolha de verbas, numa plataforma online, para ajudar quem além de se alimentar também precisa de pagar as contas. Na altura Ricardo Cabral justificava esta acção porque “só tiveram apoio, como é sabido, os que não têm dívidas ao Estado (Segurança Social e Finanças), mas mesmo assim com o apoio dado o profissional tem de pagar a mensalidade à Segurança Social, ficando com muito pouco para si, na ordem dos 100 euros. Ora, para pagar renda, água e luz e alimentação é certo que esta verba não chega”.
Ao todo as verbas e bens alimentares recolhidos têm servido para ajudar cerca de 15 famílias que perderam rendimentos devido ao cancelamento de espectáculos face à pandemia.
A União Audiovisual começou como grupo informal nacional de ajuda de artistas para artistas, nomeadamente Dj’s, músicos profissionais, promotores de eventos, técnicos de iluminação, entre outros, e depressa de estendeu também à Madeira e aos Açores. Recolhem e distribuem alimentos pelos artistas que mais necessitam e ajudam também com valores monetários para que possam pagar as suas contas. Ricardo Cabral tem-se mobilizado para conseguir chegar a todos os que precisam e que têm feito pedidos de ajuda. Os apoios têm chegado quer de Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, da Irmandade do Senhor Santo Cristo dos Milagres, e outras entidades oficiais, mas também de grupos económicos locais, supermercados, restaurantes e associações que se juntam para ajudar a que os artistas e todos os que gravitam em volta do planeamento e execução de um espectáculo não passem necessidades. Por essas razões, Ricardo Cabral merece ser o rosto da Cultura em 2020.

 

Emigração

Emigrante Carlos Teixeira

 

Emigrante - Carlos Teixeira, natural da Ribeira Grande, foi para os Estados Unidos da América estudar e licenciou-se  em “Marine Affairs”. Fez também um Mestrado em Direito Marítimo. Parte da tese consistiu numa análise comparativa social e económica entre as lotas dos Açores, e as lotas da Nova Inglaterra.
Enveredou, entretanto, pela área dos negócios e criou uma rede de lojas franchisadas do “Dunkin’Donuts”. Quem conhece Carlos Teixeira, destaca a sua simplicidade e amabilidade e a forte ligação que tem à sua terra natal.  
Carlos Teixeira vive em Glenville, no Estado de New York tem três filhos e seis netos e é um cidadão muito bem integrado na comunidade onde vive. Desempenha também funções de Chairman do “Dunkin” no mercado de Albany NY (representante dos “franchisees”) e é o Chairman do “committee” para o desenvolvimento económico para a cidade de Glenville, onde vive, fazendo parte também de outras organizações sociais e políticas. Pela sua actividade empresarial e pelo envolvimento que tem na sua comunidade, Carlos Teixeira é um emigrante que honra os Açores.

 

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima