Uma vida de luta

Faleceu a pequena Inês Medeiros que levou os açorianos a “Correr com o Coração”


Despediu-se do mundo na última noite do ano. Inês Medeiros, a jovem que sofria com espinha bífida e malformação de Arnold Chyari, tinha 18 anos. A mãe, Susana Aguiar, sempre a acompanhou e lutou para sensibilizar a sociedade para a diferença, e para acompanhar o crescimento da filha presa a uma cadeira de rodas e às limitações impostas pela doença crónica. 
O Correio dos Açores associou-se no ano passado ao Lions Clube de Rabo de Peixe e ao Novo Banco dos Açores numa angariação de fundos, para juntamente com outras iniciativas, se juntarem esforços para adquirir uma carrinha adaptada para a Inês. A menina tinha já uma nova cadeira, mais adequada ao seu crescimento, e precisava de um novo meio de transporte para que pudesse ver o mundo pelas mãos da mãe.  
Susana Aguiar nunca baixou os braços e foi responsável por várias iniciativas que ao mesmo tempo que sensibilizavam a sociedade para a inclusão e para a diferença, também tinham o propósito de angariar fundos para esta família monoparental, sem suporte familiar, e a precisar de assistência médica recorrente. Susana Aguiar criou o evento solidário “Correr com o Coração”, lançou o calendário solidário “âncoras de esperança” onde mostrava outras mães cuidadoras, e pensava publicar um livro sobre a história de luta e perseverança da Inês, que tanto gostava de girassóis.
O sonho desta mãe, que aos 22 anos se viu confrontada com a doença da sua filha bebé, era criar uma unidade de cuidados continuados onde outras crianças pudessem ter os cuidados e atenção necessárias às suas patologias. Cuidados que Susana Aguiar não encontrava nas respostas sociais existentes em São Miguel, por lhe dizerem que o risco era demasiado elevado. 
Susana Aguiar abdicou de trabalhar durante os 18 anos da filha para lhe poder dar os cuidados e atenção que enquanto mãe sabia que a filha precisava. Quando nasceu, Inês foi transferida para o continente e ali ficou durante alguns meses até que regressou a São Miguel sem que os médicos dessem grandes esperanças de sobrevivência à mãe. Foi fazendo várias operações, internamentos, tratamentos, e muitos costumavam dizer que era o amor e dedicação da mãe que iam mantendo viva a Inês. 
A mãe, queria dedicar-se à enfermagem mas as várias operações, internamentos, tratamentos, obrigavam-na a ficar 24 sobre 24 horas com a pequena Inês que de si dependia. 
A pequena Inês Medeiros esteve agora internada vários dias no Hospital do Divino Espírito Santo, vindo a falecer na passada Quinta-feira. 
O Correio dos Açores endereça à mãe as mais sinceras condolências, na pessoa do seu Director Américo Natalino Viveiros. 
 

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima