Sem trabalho há mais de um ano

Associação de guias de informação turística nos Açores pede “trabalho, formação e certificação”

Trabalho remunerado, certificações e bolsas de formação remuneradas, são estas as exigências que a Associação de Guias de Informação Turística dos Açores (AGITA) procura reivindicar junto do Governo Regional – o anterior e o actual – desde que a pandemia começou a apresentar os primeiros e duros efeitos no sector que mais directamente sente os impactos desta nova crise.
De acordo com o presidente desta associação que ontem se reuniu na sede da delegação da Assembleia Legislativa Regional, em Ponta Delgada, com o Grupo Parlamentar do PS/Açores, estas reivindicações não se tratam de tornar estes profissionais “subsídio-dependentes”, mas sim de “ter alternativas para aguentar até ao próximo semestre”, quando espera que haja sinal de alguma retoma neste campo.
Assim, o que a AGITA pretende para os guias de informação turística dos Açores, bem como para os guias de natureza, é “trabalho em troca de alguma remuneração, certificações e bolsas de certificação remuneradas”, tendo também em conta que desde o ano de 2007 não há uma actualização neste tipo de certificações.
“Um guia está em formação constante e é muito importante que haja bolsas de formação para formar os guias, aproveitar que estamos nesta época em que não temos trabalho para fazer certificações dos profissionais que estão na área e que dentro da legislação regional podem vir a ser certificados, uma vez que não há qualquer certificação desde 2007 de Guia Intérprete Regional”, indica Paulo Jorge Bettencourt.
Em acréscimo, revela, a associação tem também uma “grande preocupação com os Guias de Parque Natural que foram certificados na Região, mais concretamente na Direcção Regional do Ambiente”, uma vez que neste momento “não têm área específica de trabalho”, apelando por isso que seja criada uma Bolsa de Guias através da Direcção Regional do Ambiente “para estes profissionais mais vocacionados para a natureza, para que eles sejam enquadrados numa bolsa profissional” também ela da autoria do Governo Regional.
A atender-se a estes pedidos, Paulo Jorge Bettencourt refere que se estaria a criar uma via para que estes profissionais não desertem todos da sua profissão, tendo em conta que no contexto actual, no qual não há trabalho ou rendimentos, muitos têm sido os que procuram outras ocupações mais estáveis neste momento.
“Convém olharem para nós, Guias Intérpretes e Guias de Natureza, e verem que somos pessoas que investiram muito no seu conhecimento e na sua formação, e que neste momento a Região está em risco de perder esses profissionais porque, não tendo trabalho na nossa área – já estamos sem trabalho há um ano –, as pessoas começam a procurar alternativas e não sabemos se esses profissionais com experiência e com provas dadas voltarão a estar disponíveis para fazer este excelente trabalho que estavam a fazer até agora”, explicou aos jornalistas ali presentes.
Como exemplo de iniciativas positivas, o presidente desta associação salienta trabalhos remunerados feitos em colaboração com a Câmara Municipal de Ponta Delgada, bem como várias visitas guiadas ao concelho da Ribeira Grande que reuniram “o interesse e a adesão da população”, funcionando como forma de “mostrar o nosso trabalho à população local e também a nossa cultura, botânica e geologia”.

Apoios da República ainda
desconhecidos pela Segurança
Social

Na lista das principais preocupações da AGITA estão também os apoios delineados pelo Governo da República para o sector, tendo em conta que para além de estes profissionais estarem “a sobreviver com apoios muito baixos que acabaram em Agosto”, estão agora a ser delineados “novos apoios por parte do Governo da República para a partir de Janeiro que nem estão definidos pela Segurança Social, ou seja, a Segurança Social não sabe nada sobre esse apoio”.
Ainda assim, desta reunião tentam levar “esperança”, sobretudo para que “haja vontade de alterar a legislação de forma que sejamos certificados e que haja interesse por parte da Região de dar a mão a profissionais que muito deram aos Açores até agora, porque fomos os embaixadores da Região, e manter esses profissionais com alguma dignidade”.
Até ao momento, desde a constituição do novo governo, Paulo Jorge Bettencourt adianta que a AGITA procurou já ter a atenção de todos os Grupos Parlamentares, sendo que até ao momento apenas não conseguiu ainda chegar até ao PPM.
Apesar disto, refere que tem sempre “havido alguma abertura para a problemática dos guias”, ainda que haja “alguma dificuldade devido ao facto de os directores regionais ainda não terem assumido as funções, o que torna um pouco complicado começar com actividades remuneradas, com formações, com bolsas de formações e com apoios majorados por via do Governo Regional dos Açores para os Guias Intérpretes e Guias de Natureza da Região Autónoma dos Açores”, concluiu nesta ocasião.

 

PS/Açores afirma que aposta na formação é essencial

 

Rui Anjos, deputado do PS/Açores, recebeu também o presidente da AGITA, salientando que esta reunião resulta do facto de “o Partido Socialista continuar preocupado com o efeito desta pandemia, especificamente no sector do turismo e nos diversos agentes económicos que estão a passar por inúmeras dificuldades”.
Por esse motivo, considerou, à margem desta reunião, que há “medidas que podem ser aprofundadas”, inclusive algumas das criadas pelo anterior Governo Regional liderado pelo PS/Açores, indo assim ao encontro do que foi pedido através de Paulo Jorge Bettencourt.
“Estamos a falar de alguma falta de trabalho, estas pessoas reivindicam alguma bolsa remunerada, formação profissional e algo que os alente e inspire nos próximos meses, que sejam tempos melhores para estas pessoas, para os agentes económicos e para as suas famílias, e neste sentido o partido socialista continua empenhado em encontrar soluções”, procurando assim “contribuir para elaborar legislativamente medidas que possam mitigar os impactos” da pandemia.
Rui Anjos refere que “urge alavancar através da formação, onde eventualmente a própria Universidade dos Açores seria um meio para usufruir e alavancar esta formação precisa”, referindo ainda a possibilidade de envergar através de programas turísticos remunerados, como o “Meus Açores, meus Amores”, afirmando que esta seria “uma medida extremamente importante e pertinente, alavancando assim o trabalho e a remuneração destas pessoas que estão desejosas de retomar a actividade e, acima de tudo, necessitadas de rendimento”, conclui.
J.M

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