Alguns encarregados de educação não autorizaram os filhos a ser testados

Pais encarregados da educação e docentes das escolas de Rabo de Peixe pedem que alunos que não façam teste fiquem em casa

 Alguns pais e docentes da Escola Básica e Integrada de Rabo de Peixe, que integra as escolas Luísa Constantina, Rui Galvão de Carvalho, Dom Paulo José Tavares, António Tavares Torres, António Medeiros Frazão (Calhetas) e António Augusto da Mota Frazão (Pico da Pedra), manifestaram o seu descontentamento por estarem a ser feitos testes em massa ao novo coronavírus SARS-CoV-2, responsável pela doença Covid-19 a toda a comunidade educativa sem ter sido salvaguardado o facto de alguns pais não permitirem que os seus educandos sejam sujeitos ao teste e os mesmos possam frequentar a escola. Isto é, os alunos que não fizerem o teste podem voltar à escola porque a entidade escolar não pode impedir a sua frequência. Tantos os pais como os educadores e professores entendem que é um direito que os pais e encarregados de educação têm de não permitir a feitura do teste até aos 12 anos de idade, mas o que não percebem é que não tenha havido por parte da tutela, neste caso Secretaria da Educação e Secretaria Regional da Educação e Desporto, uma comunicação assertiva a explicar que mesmo havendo esta possibilidade havia a alternativa de que quem não fizesse ficaria em casa por um determinado período, o que não acontece. 
Percebem que há a necessidade de testar todos mas não percebem porque não preparam as possibilidades para evitar receios e medos.
Os professores, identificados perante a nossa redacção, dizem mesmo que esse processo não foi bem feito. “Foi decidido!” No entanto, não houve preparação para estes testes em massa. Não houve qualquer comunicação aos pais nem da tutela nem do Conselho Executivo. Houve professores que em teletrabalho tiveram como missão fazer telefonemas aos pais a dizer que os seus filhos teriam de ser testados e qual o dia, e claro alguns recusaram.
Os alunos e professores das escolas de Rabo de Peixe já foram testados e hoje são os das escolas de Calhetas e Pico da Pedra. Fica assim fechado este processo e as escolas deverão começar as suas actividades na próxima segunda-feira, as restantes cujos resultados já saíram já têm indicação para começar a abrir. Só que o medo está instalado. “Os pais, cujos filhos estão no pré-escolar dizem ser uma injustiça que se tenha feito testes a crianças tão pequenas (alguns com três anos) e que outras da mesma idade não tenham feito. “Como é possível estarem a conviver na mesma sala de aula dois tipos de situações, em que fica a desconfiança de que se o que não fez teste e não tem sintomas possa estar infectado. Isso é uma situação que não deveria acontecer. Os responsáveis políticos deviam ter pensado numa situação que não criasse essa divisão”, dizem.
As declarações do Conselho Executivo de Rabo de Peixe de que ninguém é obrigado a fazer teste se os pais não permitirem e que não pode impedir o regresso dos alunos quando as escolas reabrirem também não colhe. Os pais, professores e educadores querem que seja feita pressão junto da tutela para que as crianças que não forem sujeitas a teste fiquem em casa por um período não inferior a 10 dias. Se tal não acontecer o que referem é que vai haver desconfiança e medo. Palavras que também estão a ser usadas na página oficial da EBI de Rabo de Peixe no Facebook. Nesta rede social são muitos os pais que se interrogam e que discordam da posição assumida tanto pela escola como pela tutela, com a maioria considerar ser “uma injustiça”. Há mesmo quem diga: “Realmente tem piada, então meus filhos fazem e depois vão ter contacto com quem não fez teste, isso é justo? No mínimo ficava impedido de frequentar a escola não?”, fica a pergunta. A posição da escola na mesa rede social é: “Não podemos obrigar ninguém a fazer testes”.
                                   Nélia Câmara

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Autor: CA

Categorias: Regional

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