Covid-19 está a espalhar-se em São Miguel a grande velocidade e Governo toma medidas duras para travar a pandemia

 O governo açoriano endureceu as medidas nos Açores, mais concretamente na ilha de São Miguel, para tentar controlar o avanço do vírus Sars Cov2 que provoca a doença de Covid-19. Para medição de riscos e por proposta da Comissão de Acompanhamento da luta Contra a Pandemia está ser usado o modelo alemão, vulgarmente conhecido por “modelo dos semáforos”. Assim, a decisão do Conselho do Governo teve em conta as medidas restritivas para os concelhos de acordo com o seu nível de risco de transmissão, baixo, médio e alto. Os concelhos considerados de alto risco são aqueles em que se verifique mais de 100 novos casos por 100 mil habitantes nos últimos sete dias.
Nos Açores existem 564 casos activos e destes 519 estão diagnosticados em São Miguel (100 nas últimas 24 horas), sendo que na ilha há quatro concelhos de alto risco – Ribeira Grande, Vila Franca, Lagoa e Ponta Delgada -, onde a velocidade de contaminação é elevada. Nordeste é de médio risco e Povoação de baixo risco. Mas como a situação de alto risco abrange mais de 50% dos concelhos, as medidas restritivas são para toda a ilha. Todos os restantes concelhos dos Açores são de baixo risco. Isto é, menos de 50 novos casos por 100 mil habitantes nos últimos 7 dias.
Os números eram altos mas a partir das festividades do Natal e Ano Novo, em que as pessoas se movimentaram muito em festas em casas de amigos e familiares, é que o número de casos disparou. Na ilha Terceira, os números mantiveram-se e não há medidas duras a aplicar.
Em Conferência de imprensa na ilha Terceira para anunciar as decisões restritivas tomadas pelo Conselho do Governo, o Secretário Regional da Saúde e Desporto, Clélio Meneses, revelou que fora os concelhos de alto risco em São Miguel “os restantes não exigem grande atenção que não seja o contínuo acompanhamento”. Assim, a partir das 00h00 desta sexta-feira em toda a ilha de São Miguel há obrigatoriedade de teletrabalho, sempre que a actividade e as funções o permitam, para os profissionais com mais de 60 anos e/ou outros com doenças crónicas e quando não for possível o teletrabalho é recomendado o desfasamento de horário; limitação de ajuntamentos na via pública a quatro pessoas, excepção para os do mesmo agregado familiar; encerramento de cafés e restaurantes às 15h00 (mantendo após este horário a actividade take-a-way) e no restaurante quatro pessoas por mesa, salvo se forem do mesmo agregado familiar; encerramento de estabelecimentos do comércio local e centros comerciais às 20h00 (excepção para farmácias, clínicas e bombas de gasolina); e ensino à distância para todas as escolas. Durante os dias da semana  fica proibida a circulação na via pública entre as 23h00 e as 05h00 e ao fim de semana, a partir das 15h00, excepção para os que têm de trabalhar, ir à farmácia e outras emergências justificadas. Estas medidas são aplicadas ao abrigo do Estado de Emergência que vigora em Portugal e têm a duração de uma semana, sendo avaliadas depois deste período, podendo estender-se se o Presidente da República prolongar o Estado de Emergência, como tudo indica que sim, uma vez que a nível nacional o número de casos de covid-19 também tem vindo a aumentar e já foram anunciadas novas medidas restritivas. O próprio Coordenador da Comissão de acompanhamento da luta contra a pandemia, Gustavo Tato Borges, acredita que na próxima semana nos Açores os números vão continuar a subir, daí a necessidade de implementação rápida de medidas restritivas.
Gustavo Tato Borges na mesma conferência de Imprensa explicou também São Miguel puxa muito pela balança pela avaliação dos números, havendo uma realidade muito distinta do que se passa no resto da região mesmo face à ilha Terceira, onde se considera a existência de transmissão comunitária mas os números têm sido reduzidos.

Governo está a agir
de boa-fé e a trabalhar    

Clélio Meneses, por seu turno, deixou a garantia de que o governo açoriano está a trabalhar para promover os apoios às famílias que fiquem em casa com os filhos durante este período em que as escolas encerrarem. Também quis deixar a mensagem de que “os açorianos podem acreditar no governo, acreditar que estamos a fazer o que nos compete, que estamos agir de boa-fé sem qualquer intuito de iludir ou confundir as pessoas ou até tirar qualquer aproveitamento que não seja garantir a saúde dos açorianos. Não tomamos medidas cegas e fáceis. Não fechamos tudo por fechar. Seria certamente mais fácil mas também mais irresponsável. Afectar-se-ia a Educação, as relações sociais, as famílias, a Economia. Por isso, tomamos medidas para cada local e para cada tempo consoante a evolução da situação e o aconselhamento da Comissão de Acompanhamento da Luta contra a Pandemia.
Clélio Meneses garante que este executivo” não reage às pressões, aos alarmismos ou sequer às confusões e pânico que alguns tentam semear. Actuamos de forma consciente e serena”, salientando que neste quadro pandémico “temos tomado medidas e dado resposta imediata e localizada. Por exemplo, a testagem à Vila de Rabo de Peixe, que envolveu um conjunto vasto de meios e de recursos, com a testagem de perto de 7 mil cidadãos daquela freguesia, testagem às escolas de Rabo de Peixe e Vila Franca do Campo com cerca de 4.700 testes, decidimos encerrar estabelecimentos mas também decidimos não encerrar estabelecimentos e também decidimos não fazer cercas”. Na perspectiva do governante “estas decisões, quer sejam de restringir quer sejam no sentido de não restringir, foram sempre fundamentadas de acordo com o que era mais correcto para cada situação” e apela a que todos cumpram a sua parte e tenham os comportamentos exigíveis para conter a pandemia: Uso de Máscara; distanciamento social e higienização das mãos. “Este é o melhor caminho. Custa pouco a cada um mas garante muito a todos. Se todos tomarem as medidas necessárias, certamente que este pesadelo que está a saturar as pessoas, com consequências nas suas famílias e nas relações sociais, quanto mais cuidado tiverem mais depressa isso passará”.
Célio Meneses deu conta de que tem sido muitas as pressões que têm sido feitas junto da tutela quer para fechar escolas quer para fazer cercas a localidades, no entanto, admite, “que o que se veio a perceber é que pela decisão responsável de não encerrar, não fechar e não restringir direitos, liberdades e garantias das pessoas – e manter a maior normalidade possível – a situação regularizou-se”.
O titular da pasta da Saúde também dá nota positiva ao processo de vacinação. “O Governo Regional esteve presente, próximo e eficaz. As vacinas chegaram aos Açores na noite de 30 de Dezembro cerca da meia-noite. Pelas 05h00 já estavam ser transportadas de Angra para Ponta Delgada e pelas 10h00 estava iniciado o processo de vacinação, em simultâneo, nas ilha de São Miguel e Terceira”. Segundo deu nota até esta semana ficam vacinados mais de cinco mil açorianos.
Sobre as críticas feitas pelo ex-presidente do Governo dos Açores, o agora deputado Vasco Cordeiro, de que têm sido feitos menos testes, e pelo ex-director Regional da Saúde, o agora também deputado Tiago Lopes de que não estão a ser tomadas medidas de contenção rápidas, Clélio Meneses diz que deviam era ajudar e não desajudar, voltando a referir que “não tomamos medidas de momento. Estamos a acompanhar a situação”.

Pessoas não fizeram caso de sintomas e agora há famílias inteiras infectadas

O Coordenador da Comissão de acompanhamento da luta Contra a Pandemia garante que o número de testes é muito superior, embora reconheça que nos primeiros dias do ano foram inferiores por haver profissionais de saúde de férias. A média diária é de cerca de 1800 testes relativa ao mês de Dezembro. E tendo em conta as críticas de que deviam ter sido tomadas medidas mais restritivas para a época festiva – Natal e fim-de-ano – refere que depois de acontecerem as coisas é fácil dizer que era preciso fazer algo em São Miguel e curiosamente só nesta ilha, a ilha Terceira que tinha risco médio antes do Natal comportou-se de forma bastante adequada e agora tem um nível médio de risco, sendo expectável que em São Miguel acontecesse o mesmo, o que não se verificou. Contudo, garantiu, “não estamos a abrandar. Mas precisamos de agir, e estamos a fazê-lo”.
Também lembrou, segundo os dados recolhidos, que muitas pessoas tinham sintomas há vários dias e/ou não acharam importante e/ou por medo de ficarem em isolamento não recorreram de forma mais rápida aos serviços, o que fez com que agora se encontrem famílias inteiras positivas quer em Vila Franca do Campo quer na Ribeira Grande quer agora também na Lagoa. Isso, diz o Coordenador, a renovação do pedido de que “as pessoas não devem negligenciar os seus sintomas e a partir do momento que tenham algum sintoma que possa ser enquadrado na doença de Covid-19 devem recorrer à linha de saúde Açores e devem recorrer às unidades clínicas para serem avaliados e testados. Só assim vamos conseguir conter a pandemia – testagem regular e massiva – e não perder hipóteses”.
Gustavo Tato Borges também refere que o risco não está dependente do número de casos que existe na Região, pois São Miguel com 519 pode-se dizer que “já é alarmante, mas não nos preocupa só número, porque estas pessoas positivas estão isoladas, o preocupante é a velocidade com que ficaram infectadas. Por isso, a medição é feita pelo número de dias e não pelo número de infectados. Felizmente, estamos a assistir a uma estabilização do número de internamentos”. Portanto, ao nível dos hospitais ainda não se verifica uma situação preocupante e esperemos que não haja evolução, embora garanta Gustavo Tato Borges que “os hospitais estão preparados para acolher mais pessoas. E estamos também a equacionar a possibilidade de abrir hospitais de rectaguarda de maneira a que, em consequência destes números que vamos encontrando, possa haver necessidade de internamento esse assim for  possamos ter outras opções”.
O Coordenador da Comissão de acompanhamento da Luta Contra a Pandemia admite que nas próximas duas semanas seja expectável um número de casos positivos na ilha de São Miguel. “Acreditamos que na segunda e terceira semanas desta data possamos assistir a uma diminuição de número de casos e mostrar que estas medidas surtiram efeito”.
As autoridades de saúde também lembram que os contactos entre pessoas, que constituem veículo de contágio e de propagação do vírus, bem como as suas deslocações, devem limitar-se ao mínimo indispensável. O objectivo é travar o mais rapidamente possível a pandemia.

Nélia Câmara

 

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