Cuidados Intensivos vão ser alargados para 20 camas no Hospital do Divino Espírito Santo

A conferência de imprensa conjunta dada pelo Director Regional da Saúde, Berto Cabral, e o Presidente da Comissão de Acompanhamento da Pandemia, Gustavo Tato Borges, iniciou-se com o anúncio e lamento de um óbito no Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira. Trata-se de um homem de 66 anos que se encontrava internado naquele hospital desde o passado dia 26 de Novembro. Com este falecimento, elevam-se para 23 os óbitos registados nos Açores devido à pandemia de Covid-19.   
Nesta conferência de imprensa, Berto Cabral começou por elencar a actual situação pandémica vivida na Região, afirmando que “as medidas adoptadas tiveram sempre como princípio, agir de forma preventiva e não reactiva”. O Director Regional da Saúde deu como exemplo o caso da ilha Terceira, onde as medidas aplicadas não tiveram como consequência um “descontrolo de novos casos activos”.
“O que temos vindo a constatar, com excepção de alguns casos na ilha de São Miguel, é que as medidas foram as adequadas. No caso da Terceira, mesmo existindo transmissão comunitária, as medidas aplicadas não levaram a que aparecesse um descontrolo dos números nem dos novos casos activos. Neste momento a Terceira encontra-se numa situação bastante estável”, destacou.
O Director Regional explicou depois os motivos porque foram realizados testes em massa nos estabelecimentos de ensino de Vila Franca do Campo e em Rabo de Peixe. Berto Cabral anunciou ainda neste âmbito que foram “realizados mais de 4300 testes” em que foram “detectados 108 casos positivos”.
“Esta operação começou a ser desenvolvida antes do final do ano (…) entendemos manter a testagem massiva nessas escolas exactamente porque tínhamos a oportunidade de testar um universo significativo daquelas comunidades e, com isto, conseguirmos chegar a muitos casos positivos e depois seguir todo o processo de identificação e testagem dos seus contactos próximos de alto risco”, justificou.
Sobre os testes obrigatórios para quem tenha como origem as ilhas de São Miguel e Terceira, Berto Cabral admitiu que esta obrigatoriedade “poderá ser estendida” nas viagens entre estas duas ilhas, como forma de salvaguardar a situação mais estável que se manifesta na Terceira. Apesar de admitir que o número de casos detectados neste tipo de testes “ser muito baixo”, o Director Regional não considera “que seja o momento para cancelar a realização desses testes”.  
Berto Cabral anunciou também na conferência de imprensa realizada no Solar dos Remédios, em Angra do Heroísmo, que foi estabelecida uma parceria entre o Comando Operacional do Exército nos Açores e a Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel, para ajudar na vigilância activa e investigação epidemiológica em São Miguel.
O Director Regional da Saúde alertou para a necessidade de serem mantidas todas as medidas de contenção durante os períodos festivos que se aproximam, referindo-se concretamente ao Carnaval e às celebrações do Dia dos Amigos, Amigas, Compadres e Comadres, realçando ainda para a necessidade do uso correcto das máscaras de protecção e para necessidade de não desvalorizar alguns sintomas, tais como, “a tosse seca e persistente; febre superior a 38º graus; cansaço excessivo; dores generalizadas; garganta inflamada; corrimento nasal ou nariz entupido; diarreia e perda de gosto ou olfacto”.
Questionado sobre a capacidade instalada nos cuidados intensivos no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), Berto Cabral admite que “apesar de ainda não estar em ruptura total”, já existe “um número significativo de ocupação”. O Director Regional da Saúde anunciou que estão a ser desenvolvidas diligências para a criação de mais uma enfermaria que aumentará a capacidade futura deste serviço para “cerca de 20 camas de cuidados intensivos”.  
Já Gustavo Tato Borges, Presidente da Comissão Especial de Acompanhamento da Pandemia começou por explicar a razão pela qual deixaram de ser publicadas, nos comunicados divulgados pela Autoridade de Saúde, as cadeias de transmissão existentes na Terceira e São Miguel.
“Decidimos terminar com a divulgação das cadeias de transmissão porque o número de casos positivos identificados, que não se inseriam numa cadeia conhecida, era de tal forma grande que não existe capacidade técnica de manter esse trabalho, além de que, se temos transmissão comunitária, o número de cadeias vai ser infindável nas ilhas de São Miguel e Terceira”, explicou.
Tato Borges admite que a situação “explodiu” na ilha de São Miguel, destacando as freguesias de Rabo de Peixe e de Ponta Graça, “como sendo os casos mais problemáticos”.
“As freguesias Ponta Graça e Rabo de Peixe são, neste momento, os sítios mais problemáticos da ilha de São Miguel. Isto advém também daquela busca que fizemos nas escolas e de um evoluir de contactos entre a população de São Miguel por altura do Natal e Ano Novo”, refere.
Apesar da implementação de medidas restritivas no passado fim-de-semana, o número de casos positivos tem vindo a aumentar com o Presidente da Comissão de Acompanhamento a admitir que “esta evolução é normal e esperada”. Tato Borges realçou que, na última semana, “os números diminuíram em todo o lado, com excepção do concelho da Ribeira Grande”, garantido que as medidas são eficazes mas que é necessária “paciência”.
“É preciso ter paciência, porque não é possível travar a pandemia de um dia para o outro. Não existe nenhuma medida que faça com que amanhã os casos deixem de existir. Se houvesse implementaríamos”, garante.
Gustavo Tato Borges apelou ainda à responsabilização da população para que mantenham e cumpram as recomendações, alertando para a ocorrência de algumas situações não desejadas.
“Temos solicitado a colaboração de todas as entidades publicas e privadas para a não realização de eventos que possam promover esse aglomerados. No entanto verificamos vários relatos de que funerais, comunhões e baptizados continuam a ser efectuados sem nenhuma limitação e com aglomerados de pessoas superiores aquilo que seria desejado”, afirma, antes de esclarecer que a possibilidade de restrições destas celebrações” está em cima da mesa” e que, relativamente aos estabelecimentos de ensino na ilha de São Miguel, “por agora o mais seguro é manter as escolas fechadas (…) para termos uma diminuição do nível de risco de uma forma mais rápida”.
Apontando para o futuro, garante que não recomendou ao Governo Regional o “confinamento geral”, admitindo que não está colocada de parte o endurecimento das actuais medidas em vigor.
“Acreditamos que as medidas que estão implementadas são as ideais. Há medidas que estão a ser pensadas para o Conselho de Governo de amanhã (hoje), mas não fazemos isso porque se passa no continente. Não recomendei o confinamento geral em todo o lado, se bem que está no documento que foi enviado para o Governo, como sendo uma das possibilidades de intervenção”, referiu.
O Presidente da Comissão de Acompanhamento da Pandemia afirmou ainda nesta conferência de imprensa que foram enviadas amostras laboratoriais para o Instituto Ricardo Jorge com o objectivo de se perceber se a estirpe que circula no Reino Unido já foi “importada para a Região.
Gustavo Tato Borges prevê que “só no meio da próxima semana” poderemos assistir a uma diminuição de casos positivos na Região.                                              

Luís Lobão

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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