17 de janeiro de 2021

Recados com Amor...

Meus Queridos! Estamos a oito dias das eleições para a Presidência da República e não se sabe como é que elas vão decorrer em plena pandemia. O meu querido Presidente candidato Marcelo foi apanhado pela Covid-19 de manhã, mas à tarde o bicho fugiu porque não aguentava com a pedalada do visitado… e no dia seguinte, feito o centésimo e tal teste ao Presidente candidato, o positivo passou a negativo como que por milagre… apesar de Marcelo ter ficado com dúvidas e inquieto para testar novamente… Esse vai e vem fez com que o cândido Presidente não apareça nos tempos de antena… coisa que está a afligir os e as fãs do Presidente Marcelo… Cá por mim, acho que a falta de Marcelo cria um vazio na campanha e faz crescer em intenção de votos candidatos que a terem um bom resultado, poderá subir-lhe a coisa à cabeça…
Cá para mim, que não sou mulher de me meter em políticas, acho que as eleições deviam ter sido marcadas para as vésperas do Natal, porque assim todos os candidatos podiam participar na campanha e o povo acorreria às urnas… porque estava contente com o alargar do cinto às restrições impostas pelo Estado de Emergência… Vamos ver o que isso vai dar e já falta pouco!

Meus Queridos! Sexta-feira, a minha comadre Silvina telefonou-me para me dar conta que antes de se iniciar a nova cerca comunitária à Vila de Rabo de Peixe, houve uma azáfama barulhenta, feita com famílias a circularem de um lado para o outro carregadas de sacos de roupas, comidas e bebidas por causa das securas com o confinamento. O propósito foi juntar-se em casa de familiares para passarem o fim-de-semana com churrascadas e outras festas. Diz Silvina que aquilo são autênticas confraternizações em tempo de controlo de um vírus que se combate com isolamento.
 Não sou mulher de enredos mas fizeram-me também chegar a notícia de que houve pessoas na Vila que se deixaram infectar só porque os vizinhos que estavam infectados com o Covid-9, receberam cabazes recheados com bens essenciais provindos da Câmara Municipal da Ribeira Grande, e a forma de também serem contemplados os que não estavam com o vírus, foi ir buscá-lo onde estivesse para poderem também ser contemplados com os cabazes do Município… Só mesmo vendo para acreditar! Mas já nada me admira… Com esta e com outras, a prova dos nove é que esta coisa de cercar para curar… mais parece uma brincadeira, porque o mundo está cheio de espertalhaços que podem não ter capacidade para muita coisa, mas têm esperteza quanto baste para fugirem de uma forma ou de outra aos deveres de cidadania.


Ricos: Ainda falando sobre cercas e cercados, a minha amiga Francelina vem todos os anos do Canadá com o marido para passar o Inverno na casinha que tem em Rabo de Peixe, para fugir ao maldito snow que a deixa derreada devido ao reumatismo crónico que a atormenta. Francelina telefonou-me a barafustar desalmadamente dizendo que não podia ir participar na missa de Sexta-feira do Senhor Santo Cristo em Ponta Delgada, cumprindo, assim, a promessa que fez na altura que o filho mais velho teve um acidente de trabalho e que milagrosamente se salvou. Francelina culpa o Governo Regional pelo incumprimento da promessa, porque mandou os polícias fecharem todas as saídas e entradas daquela Vila, impondo mais uma vez uma cerca sanitária de que nada tem servido para controlar esta pavorosa pandemia. A minha amiga entende que o Governo ande a apalpar terreno com as medidas profiláticas que vai titubeantemente tomando, porquanto deveria perceber que uma população inteira saturada não pode voltar a pagar o ónus de alguns incumpridores. Dizer que os agentes da Inspecção das Actividades Económicas vão para o terreno fiscalizar, quando esta entidade não tem força legal para punir os infractores, é atirar areia para os olhos. Se o Governo pretende achatar a curva da contaminação da pandemia, não é com mais uma cerca sanitária, deixando o rebuliço continuar dentro dela.


Meus queridos! Nos meus recadinhos da semana passada falei dos cuidados que deve haver por parte de pessoas e instituições para que neste período tão difícil se possa conciliar a necessidade de cumprirmos as regras, sem sermos escravos do medo que alguns, como que de propósito, andam para aí a espalhar…. E falei em muitos dos nossos queridos párocos que não tinham resistido à tentação de fazer festas na igreja… festas que eles muito bem sabem, continuam depois em casa e aí é que a porca torce o rabo… porque é no calor dos ajuntamentos e da pinga que vai escorregando sem se dar por isso… é que está o perigo… Por tudo isso, hoje quero mandar um ternurento beijinho ao prior da Matriz da velha capital vila-franquense, pois como me disse a minha prima Maria da Vila, até ordem em contrário foram suspensas todas as festas… e lá se foi Santo Amaro que na sua ermida atraía centenas de pessoas no cumprimento das promessas dos “bonecos de massa” que ali se entregam e se arrematam… E também lá se foi o Santo Antão dos lavradores de Ponta Garça, com procissão, missa e convívio que assim ficam para melhores tempos… Os tempos não estão para brincadeiras e contrariamente ao que muitos pensam, os sinais falam por si e o exemplo arrasta… e nunca é demais repetir que cuidar de si é cuidar de todos…


Meus queridos! Nunca fui mulher de nivelar por baixo, nem de defender o social pelintrismo que muita gente defende, desde que não seja com eles. Mas numa altura destas, em que há milhares de pessoas e empresas com a corda ao pescoço e sem saber como será o dia de amanhã, quem é que pode aceitar que o Governo do rectângulo, para servir os altos quadros que vão andar  pela capital do império durante o meio ano da presidência Portuguesa da União, tenha alugado uma frota de dezenas de popós topo de gama, a maioria dos quais da terra de Merkel, por uma pipa de massa e que estão enfileirados nos parques do Centro Cultural de Belém à espera dos destinatários das mordomias? Como diz a minha prima Teresinha, era bom saber se é com condutor incluído ou não… Pelo menos era mais uns empregos. Mas que é um fartar de vilanagem, lá isso é… Por outro lado, é ridículo que grupos privados como a Galp, a Delta Cafés e a Sumol… estejam a patrocinar a Presidência Portuguesa da União Europeia… Só falta alguém patrocinar o papel higiénico que se vai gastar… Tenham tino!


Meus queridos! E já que falo no nosso Primeiro-Costa, não me posso esquecer do que ele disse esta semana, com todas as letras, a propósito das novas medidas de confinamento: “uma vida não tem preço”. Pois não tem… por isso mesmo a Ministra Temido, da Saúde, no mesmo dia ordenou o cancelamento de todas as cirurgias, mesmo as de pessoas com cancro a aguardar a necessária operação, tudo porque uma vida não tem preço, desde que seja com Covid, porque com as outras doenças o número de mortes pode continuar a subir. Há momentos em que estar calado é ser um grande filósofo…

 

Ricos! Vendo esta pelo preço que comprei, mas se for verdade é de caixão à cova. Disse-me ao ouvido um comerciante da baixa de Ponta Delgada, que o carteiro lhe tinha avisado de que todas as lojas tinham de ter caixa do correio na parede exterior, para o carteiro não perder tempo a entrar e deixar as cartinhas na balcão ou no escritório. Se isto for verdade, já estou a ver as ruas daquela cidade, que por acaso até são larguíssimas e com passeios desafogados, transformadas em autênticos pombais, com tanta caixa de correio e quem for nos passeios vai ter que se cuidar para não andar à cabeçada nas ditas cujas… E não há mesmo outra solução?


Meus queridos! Já não posso ouvir tanta gente a dizer que o povo é ignorante, que até às portas dos cafés e tascas emprestam máscaras uns aos outros para entrarem e beberem um copo e depois passam, cá fora a máscara a outro... não sei se isto tudo é verdade ou mentira porque não ando “espiolhando” às portas seja de quem for. Mas há uma coisa que me intriga no meio disto tudo. Perguntem se essas pessoas são ignorantes para saberem tratar de toda a papelada que é precisa para receberem subsídios, abonos e mais tudo o que querem… e a que se acham com direito! É que a esta coisa de cultura e ignorância… há que juntar outra, muito importante e que se chama conveniência….


Meus queridos! Num concurso de cantorias populares, daquelas de improviso, seja elas a cantoria “de fundamento”, seja a desgarrada, ou as velhas, …os Açores ficaram em primeiro lugar na grande maratona do Programa chamado “A Praça” da RTP1. Aqui nos meus recadinhos já tinha dito o quanto gostava daqueles minutos e até alvitrei que se fizesse o mesmo a nível regional… Aos vencedores mando um ternurento beijinho. Mas já que estou com a mão na massa, juro que não posso levar à paciência nem tenho pachorra para aturar os bairrismos de uns quantos que vivem mergulhados na inveja e como que houvesse exclusivos ou direitos de autor para quem improvisa… Tanto gosto de ouvir um micaelense cantar as Velhas, como um terceirense improvisar um baile da Povoação, ou um Pezinho da Vila… Tenham dó!


Ricos! Tinha prometido a mim mesma que não falava mais nas galerias da Calheta até que as máquinas entrassem por lá adentro, porque os milhares de habitantes da zona e arredores, só vão acreditar quando virem as máquinas a demolir aqueles ferrugentos esqueletos. Mas perante tanta informação e contra-informação, parecendo até que há gente interessada em fugas de informação para confundir as pessoas, e tal como me disse a minha prima da Rua do Poço, na passada semana, eu só estou à espera do dia 15 de Fevereiro deste ano para ver em que param as modas… Sei que os promotores daquilo podem ter os melhores gabinetes de advogados e podem vir com argumentos de terem dado empregos e não sei mais quê… mas também sei que tiveram dois hotéis a troco de realizar as obras que têm protelado no tempo… Só espero que agora e depois de terem posto as coisas por escrito, sejam gente de palavra. Os processos legais são sempre complicados. Mas perante a opinião pública, uma só coisa interessa: desenrasquem-se e cumpram o que devem à população.

 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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