Crise também já começa a afectar lojas chinesas na ilha de São Miguel

O comércio local tem sido um dos muitos sectores de actividade visados pelos efeitos da pandemia de covid-19. As restrições impostas à circulação de pessoas, as medidas que limitam o número de clientes dentro de um espaço comercial, a diminuição do poder de compra e até o próprio medo e incertezas quanto ao futuro que afligem os consumidores, levaram a que estas lojas sintam grandes quebras de facturação.
Os estabelecimentos propriedade de empresários chineses que normalmente eram das que mais vendiam, já começam também a sentir os efeitos da crise. Na Avenida Marginal de Ponta Delgada uma destas lojas, com uma área considerável e num espaço onde há uns anos atrás se realizavam as feiras do livro, encerrou as suas portas, num sinal claro de que a crise se vai agudizando e começa a atingir todos. 
A poucos metros situa-se outro destes estabelecimentos propriedade de cidadãos originários da China. Na loja ‘Moda Oriental’, encontramos Wang que explica como tem corrido o negócio nestes quase onze meses de pandemia na região.
“Está mau porque este espaço vive muito do turismo e como perdemos esse turismo o negócio ficou fraco. Está muito complicado. A nossa quebra é de mais de 50% e o que vamos ganhando só dá para pagar a renda”, lamenta.
Para Wang as medidas restritivas impostas pelo Governo Regional “são acertadas” apesar de também referir “que este vírus não vai parar”. 
“É verdade que as medidas restritivas têm de ser mantidas mas também é necessário que se cumpra e respeite o distanciamento senão continua tudo na mesma”, refere, explicando ainda que “não vale a pena fechar tudo porque a verdade é que no tempo em que tudo estiver fechado as coisas vão melhorando mas, quando abrir de novo, vai tudo ao monte e volta tudo ao normal com o aparecimento de mais casos. É preciso as pessoas terem mais cuidados de higiene e no distanciamento, senão isto não vai resultar”, destaca.
Questionada sobre se tem conhecimento de outras lojas propriedade da comunidade chinesa que tenham encerrado, Wang afirma que daquilo “que tenha conhecimento só fechou esta aqui ao lado”, voltando a destacar a falta do turismo como o principal factor para as quebras sentidas.
“As lojas que existem na cidade estão mais viradas para o turismo. Como os navios deixaram de atracar foi mau para toda a gente”, salienta.
Ainda em Ponta Delgada, o Correio dos Açores foi ao encontro de Li Jin Hu, um dos mais antigos empresários de comércio chinês com loja na cidade que, apesar de afirmar que “quer manter a loja aberta”, admite que o negócio “está muito fraco e que a situação está muito difícil”, relatando como têm sido vividos os últimos meses.
“As quebras no negócio são mais ou menos de 40%. Tínhamos muita gente que nos procurava das escolas, muitas crianças, e estávamos sempre cheios e agora já não. Se formos a outros sítios, como o Livramento ou as Furnas, já não há quase negócio. Agora também aparecem muito menos pessoas das freguesias que vinham a Ponta Delgada e que compravam aqui na loja”, explica.
Relativamente às medidas restritivas implementadas, Li Jin Hu começa por afirmar que “concorda” com as mesmas e que os apoios do governo foram importantes.
“Já fomos apoiados e isso é bom. Temos tido acesso às ajudas financeiras do Governo como o layoff. Somos como todas as outras lojas e também pagamos impostos. Eu penso que as medidas restritivas têm de ser ainda mais fortes e não estou a falar apenas no comércio, porque, só assim, está a ser difícil parar esta pandemia”, garante. 
O empresário considera mesmo que se deveria avançar para mais uma fase de fecho generalizado e de confinamento.
“Penso que devíamos fechar. As nossas ilhas são pequenas e a situação não pode ser comparada com outros locais mais populosos. Aqui é muito mais fácil fazer isso porque, como estamos agora, torna-se difícil controlar a pandemia. Devíamos fazer como em Março e fechar tudo. Claro que os negócios vão sentir mas o mais importante é mesmo acabar com esta pandemia”, realça.  
Com o cenário que se vive presentemente, Li Jin Hu admite que, depois do encerramento do estabelecimento comercial na Avenida Infante Dom Henrique, em Ponta Delgada, possam existir outros que tenham de optar pela mesma solução.
“Não sei por agora mas deve haver mais algumas lojas que tenham de fechar, principalmente fora de Ponta Delgada. Nas lojas mais pequenas torna-se até difícil os clientes poderem entrar para fazer compras. Há lojas em que só podem entrar uma ou duas pessoas de cada vez e isso dificulta muito o negócio”, afirma o empresário.                     
                                         
                                         Luís Lobão

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Autor: CA

Categorias: Regional

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