Com quebras de 64% nas Termas das Caldeiras na Ribeira Grande

Luísa Pereira defende mais rapidez nos apoios e a extensão dos contratos de concessão de exploração das termas

A conversa com Luísa Pereira, a actual responsável pela exploração das Termas das Caldeiras, na Ribeira Grande, gira inevitavelmente em torno do presente e das dificuldades porque passam as empresas ligadas ao sector do turismo em consequência da pandemia de Covid-19. A empresária começa por quantificar as quebras registadas este ano.
“As Termas das Caldeiras em 2020, comparativamente a igual período do ano de 2019, registaram perdas exactas de 64%. Estas perdas já se anteviam face aos 5 meses em que este sector permaneceu encerrado, aquando da implementação das primeiras medidas impostas no âmbito da pandemia de Covid-19”, revela, explicando que as termas “encerraram em Março e a sua actividade só foi reposta em Agosto de 2020”.
Sendo esta uma actividade concessionada pelo Governo Regional, Luísa Pereira lamenta que não existam “medidas eficazes para as concessões”.
“O anterior Governo não conseguiu criar uma medida capaz para estas empresas privadas e o actual Governo, até há data, também não o fez”, afirma. Para a responsável pela exploração das Termas das Caldeiras da Ribeira Grande e “face aos tempos tortuosos que estamos a viver, em todos os sectores de actividade” é necessário que “com eficiência e prontidão”, sejam apresentadas “respostas à medida das necessidades para cada sector de actividade e que estas medidas comportem as excepcionalidades das tipologias de negócio existentes”.
A empresária lembra também que “em todos os sectores de actividade, os impostos em 2020 foram pagos na totalidade, mesmo quando as contas às receitas foram simples de se fazer: 0€ de receita”. Face ao cenário existente, Luísa Silveira defende portanto que os prazos de concessão devem ser alargados.
“A solução para as concessões passa pela prorrogação dos prazos de concessão, face ao momento actual, de forma a garantir que, no mínimo, estas empresas possam ser capazes de assumir compromissos com os apoios em vigor, nomeadamente com a linha de crédito Covid”, refere.
Na sua opinião, é necessário actuar com urgência e que se considerem as excepcionalidades.
“Evidentemente que o espaço temporal a atribuir a cada concessão deverá ser equacionado (…) e considerando os factores presentes no caderno de encargos. Esta é a medida mais simples e mais eficaz para estas empresas privadas e que, no imediato, fará com que estas possam, à semelhança de todas as outras empresas, recorrer aos apoios disponibilizados pelo Governo”, destaca.
Luísa Pereira considera, portanto, que “é necessário atribuir liquidez às empresas e, consequentemente, às famílias. Durante anos, na Região e no país, injectaram-se milhões de euros, dinheiro público, em empresas públicas e ainda assim não foi possível salvá-las do desfecho que se previa, e num momento como o que vivemos não se consegue sequer dar respostas simples, concretas e diferenciadas aos privados? Talvez importe relembrar que o Estado somos todos nós e que o dinheiro aplicado nas tentativas de salvação de empresas públicas era e é de todos nós”, lembra.
A empresária r considera que as medidas em vigor “são benévolas” e que “não se pode considerar que são à mensuração de todos os sectores de actividade, porque não são, e a longo prazo, creio que estamos todos bem conscientes de que se tornarão insuficientes e insustentáveis”, realça.
Luísa Silveira defende que é urgente agilizar o processo de entrega dos apoios e caso e isso não aconteça, poderá ter como consequência o encerramento de muitas empresas e a consequente a subida do número de desempregados.
“Há empresas que fecharam por terem chegado a este momento já fragilizadas e entrámos já num momento temporal de fragilização de empresas consolidadas (…), estamos num momento crucial em que os apoios se podem traduzir na bóia de salvação de muitas empresas e consequentemente ‘o cinto de segurança’ dos postos de trabalho. A chegada tardia destes apoios resultará numa situação ainda mais catastrófica para a economia”, garante.
Apesar das dificuldades com que se depara, a empresária mantêm a “esperança e a confiança” de que se poderá dar a volta a esta situação complicada.
“A recuperação da economia é, contudo, o último capítulo de um livro que aparenta ainda não ir a meio. Entendo que devemos estar focados capítulo a capítulo. Com a certeza de que esta não será a última crise da história da humanidade. O tempo é de incerteza, mas mantenho a esperança e a confiança na capacidade que o ser humano dispõe para se reinventar”, diz.     
 

LL/Marco Sousa             

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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