Em 2020 foram vendidas menos 1.087 viaturas nos Açores que em 2019

Quebra de 23% no mercado automóvel da Região “acaba por ser satisfatória” comparando com o panorama nacional, afirma Antero Rego

Durante todo o ano de 2020 foram comercializadas no arquipélago dos Açores um total de 3 mil 651 viaturas, número este que é o resultado da concretização de menos 1.087 vendas, quando em comparação com o ano de 2019 e que representa uma quebra no sector de cerca de 23%, conforme descrito pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), número este que Antero Rego considera “satisfatório”, tendo em conta os números a nível nacional, que dão conta de uma quebra de 34% no sector.
Apesar da tendência decrescente, aponta a estatística, o ano de 2020 começou com um aumento no número de viaturas vendidas, sendo que no mês de Janeiro foram vendidas nas nove ilhas dos Açores um total de 301 viaturas, quando em comparação com as 286 viaturas vendidas no primeiro mês do ano de 2019, uma diferença de 15 veículos. No mês de Fevereiro de 2020 esse aumento foi ainda mais sentido, já que no referido mês foram vendidas mais 60 viaturas, passando assim de 284 (em 2019) para 344.
Em Março, com a chegada da pandemia, com a implementação do estado de emergência e respectivo confinamento, pela primeira vez no ano as vendas de viaturas caíram nos Açores, sendo que no terceiro mês de 2019 foram concretizadas 282 vendas e que no mesmo mês em 2020 foram realizadas 212 vendas, resultando numa diferença de 70 veículos.
Durante o passado mês de Abril foram vendidas nos concessionários açorianos apenas 110 viaturas, o número mais baixo de todo o ano e que contrasta com o total de 365 viaturas vendidas em 2019. Em Maio concretizaram-se 170 vendas referentes a este sector no arquipélago enquanto no período homólogo foram vendidas 459 viaturas, uma diferença de 289 viaturas.
Em Junho a quebra foi ainda maior, tendo em conta que em 2019 foram vendidas 601 viaturas e que no ano passado se concretizou a venda de apenas 299 viaturas. Em Julho de 2020 o número de vendas sofreu um aumento, já que foram vendidas 386 viaturas. No entanto, no mês seguinte foi retomada a tendência decrescente, já que as vendas apresentam uma venda de menos 20 viaturas.
Por outro lado, durante o mês de Setembro a estatística apresenta uma curiosa reversão na tendência até aqui registada, uma vez que neste mês de 2020 foram vendidas mais viaturas do que no mesmo período referente ao ano de 2019. Isto é, enquanto em Setembro de 2019 foram vendidas 339 viaturas, em Setembro do ano seguinte foram concretizadas 395 vendas.
Contudo, até ao final do ano de 2020 esta tendência não se voltaria a repetir, já que entre Outubro e Dezembro foram vendidas 1.068 viaturas, enquanto nos últimos três meses de 2019 foram vendidas 1.182 viaturas.
Do total de 3 mil 651 viaturas vendidas em 2020 nos Açores, de ressalvar que 2 mil 920 são referentes a veículos ligeiros de passageiros e que 585 dizem respeito a comerciais ligeiros de mercadorias.

Grupo Ilha Verde temia quebras
maiores na venda de viaturas

Terminado o ano de 2020 e feitas as contas, a pandemia resultou numa quebra de 23% no que diz respeito à venda de veículos automóveis nos Açores. Porém, no entender de Antero Rego, do Grupo Ilha Verde, esta percentagem de quebra pode ser vista de uma forma positiva, uma vez que se distancia de alguma forma dos prejuízos encontrados no mesmo sector mas à escala nacional.
“Na Região esta quebra deve-se essencialmente à situação actual e à pandemia de Covid-19 que vem afectar a venda de veículos automóveis. Mas registamos este número num sentido positivo, porque a nível nacional há uma quebra de cerca de 34% e vemos os Açores a resistirem melhor à quebra das vendas automóveis porque o efeito de pandemia é menor do que o impacto que está a ter em contexto nacional e continental”, explica o empresário ao nosso jornal.
Contudo, adianta, o registo estatístico mostra que é a ilha de São Miguel aquela que regista uma quebra maior – e por isso mais próxima da percentagem a nível nacional –, situando-se esta na ordem dos 31%, facto este que era também esperado pelo facto de esta ser a ilha açoriana onde se sentem “os efeitos da pandemia mais adversos”.
No sector automóvel, conta o empresário, os piores meses de 2020 foram, sem surpresas, os meses de Março, Abril e Maio, tendo em conta que o sector fechou por completo, tal como a restante economia, levando por isso a “quebras abruptas na ordem dos 85% a 90%”, embora nos meses seguintes tenha sido possível recuperar alguma desta quebra.
Tal como em muitas outras áreas de negócio, também na venda de viaturas – novas ou usadas – as perspectivas para o ano de 2020 eram muito positivas, o que se fazia adivinhar também pelo número de vendas concretizadas nos dois primeiros meses do ano, já que apresentavam valores superiores quando em comparação com os mesmos meses em 2019.
Porém, chegado o mês de Março, “ninguém esperava que aparecesse o vírus e com o efeito da pandemia, com o fecho e o confinamento do mercado e da actividade em geral em Março, Abril e Maio o contexto mudou totalmente e as quebras foram bastante acentuadas”, diz o empresário.
Por este motivo, diz Antero Rego, o cenário vivido pelos empresários de uma forma geral fazia adivinhar que a quebra no volume de negócios nos Açores viria a ser muito superior aos 23% apurados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores, resultando por isso “numa quebra que acabou por ser satisfatória”.
“Nos meses em que confinámos e que o sector fechou, nos meses de Março, Abril e Maio, obviamente que tivemos quebras muito grandes, e nessa altura perspectivava-se que o sector poderia ter quebras maiores, mas ao longo do ano vieram a verificar-se recuperações e, no nosso entender, uma quebra de 23% acabou por ser satisfatória”.
Ninguém gosta de diminuir [o número de vendas], mas atendendo ao contexto nacional e internacional da doença acabou por ser uma quebra satisfatória. Ficamos relativamente satisfeitos só com esta quebra porque perspectivava-se que fosse maior”, adianta.
Por outro lado, no mês de Setembro houve um aumento no volume de vendas, o que de acordo com Antero Rego se justifica pelo facto de quer o mercado, quer os consumidores, sentirem necessidade de regressar de alguma forma à rotina.
“Verificámos que após o confinamento os meses de Julho, Agosto e Setembro tiveram um efeito positivo [nas vendas]. O que se pode entender é que as empresas tiveram a necessidade de colocar viaturas novas no mercado e que a população teve necessidades também porque esteve confinada durante algum tempo e o facto de não se ter vendido nos meses de Março, Abril e Maio repercutiu-se nos meses seguintes”, diz Antero Rego.
Verificou-se ainda que, em alguns casos, a pandemia criou também necessidades que motivam a compra de viaturas: “O automóvel deixou de ser um bem de luxo e passou a ser bem de necessidade. As pessoas sentem necessidade de comprar carros porque eles avariam, por exemplo, e também porque as pessoas sentiram confiança na economia e no mercado.
Como algumas pessoas se mantiveram mais ou menos activas acabam por ter poder de compra para continuarem a adquirir viaturas. Muitas pessoas também com o receio da transmissão do vírus adquiriram carros para não utilizarem transportes públicos ou boleias. Aproveitaram também para se transportarem em segurança”, adianta Antero Rego.

Crise não impediu exposição de
novas viaturas mas 2021 continua
 a ser uma incógnita

Em relação à aquisição de novos modelos por parte das empresas responsáveis pela venda de automóveis, neste caso da parte do Grupo Ilha Verde, Antero Rego explica que a crise que hoje se tem vindo a sentir não tem influenciado ou limitado negativamente a opção de trazer novos carros para o mercado, com receio de que estes não se vendam, salientando que o que existe é sim uma adaptação ao mercado consoante as suas exigências.
“Nós vamos adaptando as nossas encomendas à procura, e à medida que a procura vai aumentando ou diminuindo nós vamos aumentando ou ajustando as encomendas. Não limitamos por limitar, vamos sempre acompanhando a procura”, diz o empresário, reforçando que mesmo na situação actual “tem sempre havido mercado” para a venda de viaturas.
Em relação ao mês de Janeiro, este representante do Grupo Ilha Verde refere que este ficou marcado por uma menor procura de viaturas no início do ano, sobretudo no que diz respeito aos primeiros 15 dias do mês, “fruto dos efeitos da terceira vaga da pandemia”.
Porém, acredita que esta última semana do primeiro mês do ano será “fundamental para o fecho do mês”, já que na segunda metade do mês se registou uma maior procura pela parte dos clientes.
Fazer previsões para o resto do ano é, de acordo com Antero Rego, “difícil” neste momento, contudo, a sua expectativa é a de que até ao final do ano de 2021 haja alguma recuperação que permita que este novo ano não seja pior do que aquele que passou.
“Calculo que este primeiro trimestre seja mais difícil mas depois tenho a expectativa de que vamos recuperar até ao final do ano e que será um ano relativamente parecido a 2020 ou ligeiramente melhor. Sou optimista para pensar que 2021 será pelo menos igual, diria que não será pior, mas é muito difícil fazer esta perspectiva porque há muitos dados em cima da mesa e basta uma variável mudar para alterar tudo por completo”, realça.
Quanto aos apoios que têm sido concedidos pelo Governo Regional e da República, Antero Rego refere que “seria sempre favorável para o sector haver melhores apoios porque embora saibamos que o Governo está a fazer um esforço, não chega a todos nem chega na medida certa porque o efeito pandémico é muito grande e as empresas estão a sofrer com este efeito. Mesmo havendo lay-off e os apoios que até agora foram disponibilizados às empresas, não foi suficiente para os efeitos da quebra”.

 

 

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