Cidadãos de Rabo de Peixe querem orientações políticas claras para a PSP multar e deter quem não está a cumprir as regras

A vila de Rabo de Peixe continua com cordão sanitário por ser uma das localidades que apresenta números elevados de Covid-19. À data de ontem, depois de Sexta-feira para Sábado terem sido diagnosticados mais nove casos do novo coronovírus Sars Cov-2, havia um total de 208 casos activos. Os números ditaram o fecho da vila pela terceira semana consecutiva, mas a população residente, que assume que está em confinamento e cumpre as regras, quer mais. Isto é, quer um policiamento eficaz junto daqueles que não cumprem e pede que a polícia actue em conformidade. Para isso, entendem alguns cidadãos, que o poder político tem de agir já e, em colaboração com as autoridades policiais, determinar novas medidas. Pois, “só a atitude pedagógica, como têm feito os agentes de autoridade, não funciona” e é necessário ter “mão pesada” junto de um grupo de moradores, e são muitos -  dizem ao nosso jornal -, que não cumpre as regras e prevarica todos os dias, prejudicando quem quer voltar a ter alguma normalidade dentro da anormalidade que esta pandemia trouxe à vida das pessoas. “Se as pessoas continuarem na rua sem máscara, frequentando os cafés sem distanciamento social, e conversando na rua encostadas às paredes como se não houvesse vírus, esta vila nem tão cedo vai deixar de ter uma cerca sanitária”, diz um morador de Rabo de Peixe, que assume estar farto de ver todos os dias, dezenas, pessoas que não cumprem as orientações da Autoridade Regional de saúde.
Quem vive em Rabo de Peixe vê o que se passa. Um outro cidadão da vila, devidamente identificado perante a nossa redacção, mas que por medo de represálias não quer sê-lo perante os leitores, diz-nos que “a escassos metros de uma barreira de betão colocada para controlar a Cerca Sanitária de Rabo de Peixe, as pessoas saem de Rabo de Peixe. “São dezenas de pessoas, a pé, de bicicleta, de mota e passam pela cerca em betão, sem qualquer controlo”.  A denuncia é feita às autoridades policiais, diariamente, como diz o nosso entrevistado, mas o feedback que recebem é que “não há meios”, “não há nada a fazer”, “não há controlo nenhum” e que “acerca não funciona porque aqueles que deviam estar cercados, não estão”.
Este morador diz que vive confinado em casa e raramente sai, a não ser para comprar legumes e géneros alimentícios específicos”, necessários a quem tem crianças em casa e está em teletrabalho. “Saio com o bom senso” (…) só que “sempre que isso acontece vejo um incumprimento gritante no centro da vila. Ao passar na Praça, encontrei um café de porta aberta, carregado de gente sem máscara, sem qualquer distanciamento social, sem qualquer cuidado... Liguei novamente para a PSP e a conversa é a mesma: “não podemos fazer nada”; “temos instruções para não multar ninguém”, “temos instruções para ter apenas um discurso pedagógico”.
O discurso pedagógico deve ser a primeira medida a tomar, mas quando as pessoas já não respeitam, os co-cidadãos de Rabo de Peixe, que cumprem e têm dificuldades em sair da Vila até para uma consulta marcada há meses, pedem que o poder político actue e tome medidas mais enérgicas, tal como está a acontecer a nível nacional. Estes cidadãos querem que a Polícia tenha possibilidade de actuar junto de quem não cumpre, que os prevaricadores sejam multados e detidos, se necessário, e ainda que não se passe a imagem de que Rabo de Peixe está a cumprir com as determinações da Saúde “de forma exemplar”, porque isso é falso e não corresponde à verdade. “ A policia fecha os cafés e os donos voltam a abrir, outros têm os cafés fechados e gente lá dentro, muitas pessoas andam sem máscara e não cumprem as regras. O que tem isso de exemplar?, pergunta um morador, acrescentando que se se baseiam no facto de “70% da população ter ido voluntariamente fazer o teste, isso não tem nada de exemplar, quando depois não cumprem”.
Garante ainda este cidadão que é “um dos vários habitantes completamente saturado desta questão, injustiçado e a sentir que “aqueles que deviam estar cercados, fazem o que bem lhes apetece. Estou também cansado do discurso que vem cá para fora, nomeadamente do comportamento exemplar dos habitantes de Rabo de Peixe (…) Não vejo os cafés fechados, continuo a ver pessoas na rua sem fazer nada, continuo a ver ajuntamentos e falta de critério das forças de segurança... o que terá isto de exemplar?”, questiona, uma vez mais e pede mais eficácia na ação política e policial.       

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