7 de fevereiro de 2021

Saúde e tecnologia

 1- No dia 4 de Fevereiro assinalou-se o Dia Mundial da Luta Contra o Cancro. A data não passou despercebida, mas a verdade é que a pandemia sobrepôs-se a uma doença que é silenciosa, entra na casa de cada um, deixando um rasto de destruição nas pessoas e nas famílias.
2- Em Portugal são diagnosticadas por ano cerca de cinquenta mil pessoas com cancro. Os dados disponíveis, relativos a 2018, revelam que o cancro foi a causa de morte para 28.451 pessoas, o que representa, em cada dia, uma média de 77 mortes.
3- Nos Açores, o cenário também não é animador, pois por ano, os novos casos de cancro atingem, em média, 1.070 pessoas.
4- De acordo com as estatísticas, o cancro é a segunda causa de morte em Portugal, e pelo facto da pandemia ocupar tudo e todos, o cancro não parou, prosseguiu o seu caminho, e seria importante conhecer os números de mortos que ele provocou em 2020.
5- O salto que a ciência deu na rápida descoberta das vacinas para conter a propagação da Covid-19, poderá significar o passo que faltava para encontrar o remédio para fazer regredir e curar esta doença que ceifa tanta vida sem olhar à idade.
6- Mas não se pode falar da segunda causa de morte em Portugal, esquecendo a primeira, que é a doença cardiovascular, responsável por cerca de 20 milhões de mortes todos os anos em todo o mundo.
7- Isto é um número assustador, e representa dez vezes mais do que um ano de pandemia.
8- A saúde está na ordem do dia e temos de conservar a esperança que a mudança de comportamentos das pessoas e o avanço da ciência no pós pandemia trarão novos meios para combater várias doenças mortíferas.
9- Os avanços na ciência da saúde representam um benefício incalculável para as pessoas, mas em contrapartida há outros avanços que representam grandes malefícios para as sociedades em geral.
10- Recentemente, o dirigente da Apple, Tim Cook, na conferência Computer, Privacy and Data Protection, citado pela ZDNet, lançou um alerta, chamando a atenção para as consequências desastrosas que se perspectivam, se os algoritmos forem cada vez mais usados para produzir desinformação e alimentar teorias da conspiração que podem levar a sociedade a uma catástrofe.
11- A sua preocupação reside nas consequências quanto à utilização de algoritmos que têm por fim aliciar cada vez mais utilizadores, e acrescenta, que não se pode ignorar a teoria da tecnologia que diz: “que todas as interacções [das audiências] são boas interacções – com o objectivo de recolher tantos dados quantos possível”.
12- E depois pergunta: “Quais são as consequências de vermos milhares de utilizadores juntarem-se a grupos extremistas e depois a perpetuarem um algoritmo que recomenda ainda mais?”
13- Isto é, a tecnologia está a usar os meios que possui para moldar os cidadãos e o seu posicionamento na sociedade, criando extremismos de toda a espécie, que perigam a liberdade, e põem em risco a Democracia.
14- Esta é uma doença em que a cura não está na resposta dos serviços de saúde. Esta doença tem de ser tratada com regulação dos Estados a nível global, regulação que deve provir da ONU, e esta organização deve ter a coragem de iniciar desde já a discussão urgente e séria sobre os riscos catastróficos que representam o uso e abuso das tecnologias.
15- Os Estados não se podem deixar capturar pelas tecnologias, sob pena destas passarem a comandar os governos, a regular os Estados, e a sociedade em geral, criando uma nova ordem assente num modelo ditatorial e desumano.
                         

Américo Natalino Viveiros

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Categorias: Editorial

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