Surfistas da Nazaré estiveram na Praia da Viola em busca do tubo perfeito e dão OK a futura prova de ondas grandes

Um grupo de 17 big riders (surfistas de ondas grandes) esteve nos últimos 3 dias na Ribeira Grande. A expedição que contou com nomes conhecidos das ondas gigantes da Nazaré, veio surfar e experienciar, no local, as condições que a Ribeira Grande e muito especialmente, a Praia da Viola, apresentam em termos de mar.
Marco Medeiros, bombeiro, nadador salvador e presença habitual nas equipas de resgate nas ondas da Nazaré, esteve integrado nesta expedição desempenhando o importante papel de garantir todas as condições de segurança aos surfistas dentro do mar. Marco Medeiros admitiu sentir-se “orgulhoso” por participar nesta expedição para a descoberta de uma onda “com tão grande potencial” como é o caso da onda da Viola, destacando, para além das condições apresentadas pela onda, o facto de “São Miguel se encontrar tão perto de Portugal continental” e reunir excelentes condições para a prática do surf. O nadador salvador revelou ainda o “sonho de organizar um campeonato ou uma prova para surfistas das ondas grandes aqui na Ribeira Grande”. Para que tal seja uma realidade, Marco Medeiros confessa que apesar de estarem asseguradas todas as condições, nomeadamente com um plano de segurança já delineado, tudo “se encontra dependente do desenvolvimento e evolução da pandemia de Covid-19”. Em termos logísticos, estiveram no terreno meios dos Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande, especificamente, uma embarcação, uma mota de salvamento e uma ambulância com dois socorristas. A Associação de Nadadores Salvadores da Costa Norte da Ilha de São Miguel deslocou igualmente para o local dois nadadores salvadores.
O Correio dos Açores esteve na Ribeira Grande e conversou com 4 destes surfistas, dois portugueses e dois brasileiros, para perceber as suas impressões sobre esta expedição.   
 

António Silva: “Já estive várias vezes nos Açores. Vim cá a primeira vez há muitos anos, para aí há uns 20 anos, para fazer caça. Já estive em campeonatos aqui mas, para surfar as ondas grandes, foi a minha segunda vez. Há 5 anos estive cá com o João Macedo e com o João Guedes, com a ‘armada portuguesa’ no pico da Viola. A Praia da Viola tem uma onda especial e faz uma onda de nível mundial. Faz aquele tubo que é o que nós, surfistas de ondas grandes, procuramos sempre. É uma onda grande e o Marco Medeiros é que nos permite usufruir destas condições. É necessário logística e segurança para fazer as coisas bem feitas como o Marco faz. A Viola reúne todas e mais algumas condições para que se possa realizar uma prova lá no futuro. Vou voltar sempre. adoro os Açores e para além do mais, nesta época de pandemia em que está tudo tão complicado no continente, com as restrições. Para além disso, é preciso destacar a qualidade de ondas que há aqui e o facto de a água ser mais quente. Esse aspecto, ao fim de uns anos, é uma grande vantagem. Ontem (3ª feira) as ondas já foram top e amanhã (5ª feira) prevê-se que sejam ainda maiores”.

Michelle des Boullions: “É a minha primeira vez aqui nos Açores. Tive a minha primeira experiência 3ª feira na onda da Viola e achei muito boa. Deu para ver que a onda é forte e tem um tubo muito bom. No início tive algum medo porque não conhecia, mas depois comecei a surfar e fui-me soltando. Estive no jetski a assistir à performance do João Macedo, do Ian Cosenza e do Lucas Chumbo que também vieram cá para conhecer, e pude conhecer um pouco melhor a logística da onda e estou ansiosa para surfar lá de novo. Aqui a onda é mais focada no tubo enquanto a Nazaré é mesmo onda gigante. É como descer uma montanha de neve. Já vamos para a Nazaré há 4 anos, passamos o Inverno inteiro lá, mas gostamos muito de conhecer esta onda cá até porque está muito próxima de Portugal continental e em 2 horas de voo estamos aqui, conseguimos surfar uma onda totalmente diferente e com um potencial muito bom para os amantes de ondas gigantes. A temperatura da água e o clima também fazem a diferença. Podemos usar fatos mais finos, menos acessórios, não precisamos de luvas nem de botas e aqui ficamos um pouco mais confortáveis. Vou voltar a São Miguel e acredito que existam outras ondas. É uma ilha linda e que tem muito mais para oferecer para além do surf”.

João Macedo: “A primeira vez que cá vim fazia parte de um projecto, o EDP Mar Sem Fim, de exploração aqui nas ilhas. Na altura, um amigo chamou-me a atenção para a onda da Viola, fomos lá e foi espectacular porque sentimos o potencial. A partir daí ainda conseguimos ir à Terceira e à Graciosa. Como São Jorge já é um bocado conhecido dentro do meio, não fomos. Fizemos uma expedição a Santa Maria que ainda está assim um pouco secreta, do baixio do Dollabarat que é uma coisa que uma família local, os Garoupinhas nos contou e o Carlos Garoupa, talvez o primeiro surfista de Portugal, é uma grande lenda dentro do nosso meio. Esta viagem foi um pouco mais espontânea, embora houvesse uma vontade activa do turismo dos Açores que ajudou a que toda a equipa dos ‘Gigantes’ chegasse cá. Ontem (3ª feira) era um dia em que não tínhamos muitas certezas embora soubéssemos que ia haver ondulação. O vento estava forte mas esta onda tem momentos especiais em que, mesmo que os ventos não estejam perfeitos, o recife é muito bom e basta haver ondulação. O campeonato é um sonho de longa data do Marco e de todos. Há um potencial espectacular porque as condições naturais e de segurança estão reunidas”.

Ian Cosenza: “Já tinha estado na ilha Terceira há uns 4 ou 5 anos atrás e esta é a minha primeira vez aqui. Foi uma experiência muito boa e quando se confirmou o convite de vir para cá, não pensei duas vezes. Ontem foi a minha primeira experiência no mar aqui e sabíamos que as condições iam estar um pouco ventosas, mas mesmo assim a onda mostrou que tem um potencial incrível. Foram surfadas ondas muito boas em condições onde não se esperavam surfar ondas boas e está toda a gente animada com o dia de amanhã (hoje), em que provavelmente o vento dará uma brecha e a onda vai mostrar todo o seu potencial. Todas as ondas têm a sua particularidade e é muito difícil encontrar uma onda igual a outra mas, o facto de esta ser uma onda grande e que tem um momento em que fica tubular faz uma grande diferença. Para além disso, está numa zona que permite que as manobras de segurança sejam realizadas com bastante facilidade apesar de ser um mar muito grande. É uma onda grande, perfeita e tubular e penso que para qualquer surfista é ‘um prato cheio’. Penso voltar e inclusivamente já estou a mudar o meu bilhete de regresso para ficar mais um pouco”.              

Luís Lobão

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima