Segunda e Terça-feira de Carnaval com maiores restrições

Bares e restaurantes fecham às 15 horas e estão proibidas festas de Carnaval e o resto “funciona tudo normalmente” até às 20 horas

 O Governo Regional já tinha anunciado que no Carnaval iriam estar proibidas festividades e que iria restringir ainda mais as medidas de combate à pandemia em vigor. Apesar da “descida significativa e consistente” que se tem verificado ao longo dos dias – ontem registaram-se quatro novos casos totalizando 118 casos activos – o Secretário Regional da Saúde e Desporto diz que não é ainda tempo de baixar a guarda e por isso vão manter-se as restrições.
Ou seja, as actuais medidas de combate à pandemia mantêm-se e vigoram até às 23h59 de Domingo, mantendo-se o actual Estado de Emergência. Isso implica, explicou Clélio Meneses, que os estabelecimentos de restauração, bebidas e similares terão de encerrar a partir das 20 horas de Sexta-feira, com excepção de take away e serviço ao domicílio, assim como os demais estabelecimentos de comércio não essencial. Fica também proibida a circulação na via pública entre as 20 horas e as 5 horas do dia seguinte, e ficam também proibido qualquer tipo de festividades.
Na perspectiva de um novo Estado de Emergência decretado pelo Presidente da República, o Governo Regional indica também que na Região, na Segunda e Terça feiras haverá mais restrições.
Fica assim determinado que os estabelecimentos de restauração, bebidas e similares encerrem portas às 15 horas na Segunda e Terça. Ficando também proibida a circulação entre as 20 horas e as 5 horas, ficando também proibidas festividades referentes ao Carnaval.
No fundo, explicou o Secretário Regional da Saúde e Desporto, “funciona tudo normalmente até às 20 horas. A única restrição em termos de estabelecimentos, é a restauração que encerra às 15 horas”. Não havendo tolerância de ponto “não havendo Carnaval”, também as escolas que não tinham previsto encerrar portas para o Carnaval mantêm a sua actividade. Já as escolas que tinham prevista a interrupção lectiva de Carnaval só abrem portas na Quinta-feira.

Cerca mantém-se

As restrições mantêm-se também em Rabo de Peixe onde a cerca sanitária não será ainda levantada, mas vai ser reavaliada depois do Carnaval. Explicou Clélio Meneses que na vila houve “uma descida considerável de casos” mas ainda há 61 positivos activos e “uma situação preocupante”, é que nos últimos casos identificados – ontem registaram-se dois - “em alguns não estão identificadas as respectivas cadeias de transmissão”, necessitando por isso ainda de “uma atenção muito particular”.
Os números em Rabo de Peixe, apesar de terem vindo a descer ainda são preocupantes mantendo a Vila e o concelho da Ribeira Grande ainda em risco elevado. “Está demonstrado que estamos no bom caminho, mas não é suficiente o levantamento imediato” da cerca sanitária, mas “vamos fazer uma avaliação ao dia, pondo como referência temporal o pós-Carnaval para o eventual levantamento da cerca”.
Clélio Meneses deixou “uma palavra particular e sentida” à população de Rabo de Peixe, referindo que apesar “da oposição da população e do próprio Presidente da Junta de Freguesia”, a cerca sanitária foi uma medida “que tínhamos de tomar”. A imposição deste tipo de medidas restritivas é “muito difícil”, mas o governante alegou que “não tínhamos outra alternativa”.

Testagem massiva nas escolas

Apesar dos números começarem a descer em Rabo de Peixe, vai ser na vila que vão ser novamente realizadas testagens massivas em ambiente escolar.
Até agora, isso tem sido feito nas escolas da ilha Terceira, onde já foram testadas mais de 1.800 pessoas, sem que tenha sido detectado qualquer caso positivo. No entanto, vai ser alargada a testagem massiva a todas as escolas da Região, começando em São Miguel e pelas localidades onde existe maior risco de transmissão, ou seja, Rabo de Peixe e seguindo depois consoante o nível de risco de cada localidade.
“A estratégia é testar, testar, testar, sempre e cada vez mais, independentemente dos números positivos”, como forma de identificar cadeias de transmissão e conter o vírus “de forma pró-activa”.
Neste sentido, o Executivo está a negociar a aquisição de 250 mil testes rápidos para dar seguimento a esta estratégia.

Vacinação

A propósito do processo de vacinação que tem levantado algumas dúvidas sobre possível vacinação indevida, Clélio Meneses anunciou ontem que pediu ao Presidente da Assembleia Regional para ser ouvido na Comissão de Assuntos Sociais para esclarecer todas as questões relacionadas com o processo de vacinação nos Açores, referindo que este é um processo que se quer transparente.
A Região prevê já ter vacinado 9 mil pessoas até final da próxima semana, com todas as ilhas com pelo menos uma inoculação. Clélio Meneses indicou que foi pedido às unidades de saúde, “que são elas as responsáveis pela administração das vacinas”, que definissem listas com pessoas para receber doses sobrantes, sempre dentro dos critérios já definidos no plano regional de vacinação. “Não vão inventar nada, nem se vão colocar a vacinar pessoas que nunca o seriam” nesta primeira fase, onde se incluem “profissionais e utentes de estruturas residenciais para idosos, casas de saúde e cuidados continuados, profissionais e utentes de lares residenciais e centros de actividades ocupacionais equiparados, profissionais directamente envolvidos nos cuidados a doentes, forças armadas, forças de segurança e serviço críticos, pessoas com 50 ou mais anos com insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal ou doença respiratória com suporte crónico, ou pessoas com 75 anos ou mais”. No fundo as indicações dadas é que “quando uma unidade de saúde de ilha prepara as vacinas que vão ser administradas, tem de preparar as pessoas que se seguem segundo o critério, para não existirem doses sobrantes”.

Alterações ao “semáforo”

Com excepção do concelho da Ribeira Grande, todos os restantes concelhos dos Açores estão classificados de baixo risco de transmissão do vírus. Mas “a evoluir a situação como tem evoluído nos últimos dias, prevê-se que na próxima semana possam estar todos os concelhos em baixo risco”.
Mas até lá foi decidido em Conselho de Governo alterar o modelo de níveis de risco, com a criação de dois sub-níveis: o sub-nível de muito baixo risco, e o sub-nível de médio alto risco. “Tal decisão resulta da evolução positiva da pandemia, que permite uma análise mais detalhada, levando a um acompanhamento mais próximo e localizado, conforme os bons resultados temos tido” e neste sentido existem cinco níveis de medidas a aplicar às ilhas onde existe transmissão comunitária - São Miguel e Terceira.
Passam a distinguir-se concelhos onde não exista nenhum caso, de concelhos onde existam poucos casos, mantendo-se nos dois sub-níveis. Ou concelhos onde havendo um superior nível de risco mas que exigem diferentes abordagens.
Neste sentido, passa a ser obrigatório teste negativo à Covid-19 para viagens inter-ilhas, nas ilhas de transmissão comunitária em que um concelho esteja no nível de alto risco, ou seja, continua a ser obrigatório a apresentação de teste negativo para quem sai de São Miguel para as restantes ilhas.

                                        
                                      

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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