14 de fevereiro de 2021

A Babilónia de ontem e de hoje

1 - Ao procurar na Bíblia, que é o livro dos livros, algumas respostas para o momento histórico em que estamos submersos, fomos levados pela leitura do antigo Testamento até à Babilónia, que segundo reza a história, dois mil e seiscentos anos antes de Cristo era uma cidade sem grande importância, até que no século XIX antes de Cristo, tornou-se a capital do império babilónico, envolvendo-se em guerras fratricidas disputadas entre árabes e judeus.
2 - A Babilónia teve enorme influência e prestígio, tornou-se num poderoso centro comercial e cultural, com várias culturas e com um povo arrogante e ganancioso. Mandou num vasto território e mais tarde tornou-se um “símbolo de degradação moral, idolatria e materialismo”,  acabando numa cidade abandonada e com o seu território transformado num deserto em terra do Iraque, com poucos vestígios e muitos mitos, não obstante os trabalhos arqueológicos para recuperar alguma história do que foi a ascensão e a queda de uma grande potência.
3 - A Babilónia é um exemplo que cabe na Lei da Conservação das Massas,  descoberta em 1785, pelo químico Antoine Lavoisier, e que consiste no princípio, segundo o qual, “Na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. Assim vai o mundo, sujeito às transformações que a natureza se encarrega de liderar, seja em termos económicos, ambientais e sociais, com destaque para a saúde.
4 - O mundo pós-moderno tornou-se num colossal centro comercial, económico, financeiro e cultural, à escala global, tal como aconteceu na antiga Babilónia, com um povo cada vez mais arrogante e ganancioso, individualista, libertino, dependente do facilitismo, amanhado e alimentado pela dependência do “politicamente correcto”.
5 - Falta quem globalmente saiba mandar, porque o mundo está a ser dominado pelos grandes empórios mundiais, que produzem, vendem e ganham milhões, graças ao liberalismo desregrado ao serviço dos poderosos.
6 - Disso é exemplo o que se passa com a “novela” das vacinas. Nasceu como uma grande esperança, foi vendida como a grande salvação da humanidade e o povo levado pelo facilitismo acreditou. O que parecia ser uma descoberta milagrosa com o objectivo de responder ao ataque da pandemia, revelou-se, afinal, um novo e grande negócio, sempre para os mesmos.
7 - A grande indústria farmacêutica Pfizer há poucos dias, com um sopro, quase matou a esperança, ao fazer duas grandes revelações, anunciando que ia abrandar a produção de vacinas contra a COVID-19, para no futuro poder aumentar a produção, medida que vai afectar a vacinação em todos os países da Europa. Concomitantemente, divulgou que prevê aumentar em 12 mil milhões de euros a sua factura em 2021, à custa da pandemia.   
8 - Lá se foram os planos de uma vacinação massiva até ao Verão. O que era verdade apregoada com pompa e circunstância, transformou-se numa burla, e os burlados foram a Comissão Europeia que negociou mal, o Governo português, porque acreditou no conto das carochinhas e não tem agilidade e capacidade de decisão para, perante os factos, importar outras vacinas, mesmo que sejam russas ou chinesas, para cumprir o que prometeu aos portugueses.
9 - Enquanto isso, os especialistas, os jornalistas e os analistas de serviço continuam na sua cruzada babilónica dizendo e desdizendo-se sobre a pandemia. Todos têm a sua opinião e os caldos que daí resultam leva à descrença e ao abuso dos cidadãos.
10 - Por tudo isso, e apesar das grandes transformações operadas em todo o mundo, os tempos que vivemos são tempos babilónicos.
11 - A história repete-se com os grandes avanços introduzidos pela ciência, mas as pessoas repetem os comportamentos de há quatro mil anos, onde se perpétua a “degradação moral, a idolatria e o materialismo”.
12 - Para contrapor algum pessimismo que possa transparecer, esta semana fizeram parte da agenda política a apresentação do Plano de “salvação” da SATA, assim como um novo fôlego para o ensino profissional que poderá resultar da junção de três escolas profissionais.
13 - O Plano da SATA merece o consenso político e a concordância e empenho dos trabalhadores para a necessária recuperação da empresa, e haverá certamente firmeza na negociação com a Comissão Europeia.
14 - Quanto ao ensino profissional, a sua reestruturação é uma necessidade que deve incluir a prossecução do estudo profissional no ensino politécnico. Trata-se de uma aposta para futuro.
    
Américo Natalino Viveiros

 

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Categorias: Editorial

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