16 de fevereiro de 2021

Opinião

Plano de Reestruturação da SATA – O meu comentário

Ao longo dos anos já me debrucei várias vezes sobre a vida da nossa companhia aérea, que é pertença de todos nós, atendendo a que o único acionista, o Governo Regional, é, tão só, o legítimo representante dos cerca de 250.000 acionistas que a SATA tem, ou seja, o Povo Açoriano.
Na passada semana foi, finalmente, divulgado o plano de reestruturação da SATA, elaborado pela actual administração, o qual irá juntar-se aos tantos outros, elaborados por outras administrações, que sempre deram para o torto porque, a política, meteu-se sempre no meio das decisões comerciais.
Considero que o plano ora apresentado é muito “levinho” e Bruxelas dirá se tenho, ou não, razão. Isto porque não basta falar em redução de 10% para os trabalhadores com salários acima dos 1.200 euros; não basta dizer que alguém tem de pagar os vôos deficitários; não basta dizer que irá ser aumentada a rentabilidade da frota.
Se atendermos ao que se passou na TAP, com reduções da massa salarial na ordem dos 20%, na redução do número de aviões e supressão de rotas, na SATA, pouco disso se nota, porque se mantêm a mesma frota e destinos que, apesar de serem grandes emissores de turistas, nem sempre voavam cheios, ou mesmo com um número de passageiros que evitasse o prejuízo. Ora, o que necessitamos é que os nossos aviões voem sempre de modo a que não dêem prejuízo.
Nos cortes da massa salarial, nada se disse sobre o pessoal de voo, que é quem mais contribui para o “bolo” salarial. Nem tão pouco se falou de como se irá proceder quanto à obrigatoriedade de residência, de modo a evitar que, como aconteceu no passado, haver faltas nas tripulações, quer por excesso de horas de vôo, ou qualquer outro motivo de última hora, obrigando o atraso dos voos, porque o substituto tinha de vir de qualquer lado.
Também não se falou dos custos com as estadias das tripulações no estrangeiro, de modo especial nos Estados Unidos. Recordo aqui que até houve greve do pessoal de cabine, que não queria deixar de voar para Boston por troca com Providence, troca esta que até saía mais barato para a SATA.
Por outras palavras, uma reformulação de procedimentos no funcionamento é necessária, para que não se caia no mesmo ram-ram.
Pelo que me apercebi, o novo plano parece prever a supressão das chamadas gateways de Santa Maria, Pico e Faial.
Não sei até que ponto isso será possível dado que, tanto os marienses como os faialenses e picoenses, já estão acostumados a tal serviço, tendo até reivindicado o aumento de “toques” nas suas ilhas (Faial e Pico principalmente) durante o verão. Chegaram mesmo a exigir chegar a casa no mesmo dia em que iniciam o vôo de regresso aos Açores.
Em termos comerciais, nenhuma empresa sobrevive com anos seguidos de prejuízos como tem acontecido com o Grupo SATA. Convém aqui lembrar que durante alguns anos, mesmo após a criação da SATA INTERNACIONAL, aquele grupo deu lucro; porém, desde que os políticos se envolveram nos negócios daquela empresa, o que levou à demissão do administrador de então, a partir daí, foi o descalabro total, como todos sabemos.
Penso que, doravante, os organismos oficiais que utilizem os serviços da SATA devem proceder como qualquer outro passageiro, ou seja, faz a reserva, e paga a viagem na hora do levantamento do bilhete em papel ou da digitalização do mesmo.
Por outras palavras, e no limite, não há crédito para ninguém porque, viajar é só para quem tem dinheiro.
Penso que também devem acabar as “borlas” inter-ilhas, se é que ainda existem, mesmo que sejam em nome do desenvolvimento turístico desta ou daquela ilha.
A SATA, no seu todo, é demasiado importante para os Açores e há que lhe dar meios para sair da crise em que se encontra. Porém, há também que “chamar à pedra” os responsáveis por esta situação.
Mais que não seja para sabermos quem é quem e não repetirmos os mesmos erros.
Basta do diz que disse!

P.S. Texto escrito pela antiga grafia.

14 de Fevereiro de 2021

 

Carlos Rezendes Cabral

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