Dia histórico na Calheta com início do processo de demolição das Galerias

Desde as 8h de ontem e depois de no dia anterior terem começado a ser asseguradas as condições de segurança para os trabalhadores no local, tiveram inicio os trabalhos de demolição das Galerias da Calheta de Pêro de Teive, em Ponta Delgada. Fazendo uso de martelos pneumáticos, os trabalhadores da empresa contratada para o efeito arrancaram com este processo que estará concluído em meados do próximo mês de Junho.
Para assinalar o momento, deslocaram-se ao local o actual Executivo camarário, bem como o Presidente da Junta de Freguesia de São Pedro e alguns membros do Movimento “Queremos a Calheta de Volta”, criado em 2013 e que tinha como objectivo resolver o impasse existente naquela estrutura.
Maria José Lemos Duarte, Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, mostrou-se satisfeita com o arranque dos trabalhos e classificou o momento como sendo um “dia histórico”.
“É um dia histórico, não só a nível institucional, mas também a nível pessoal. Quando tomei esta missão a meu cargo, um dos meus principais objectivos era resolver esta situação, que era degradante para o nosso Concelho e para a nossa cidade. É com grande alegria que hoje podemos constatar que o meu desiderato está a ir avante, e que daqui a quatro meses esta zona, a parte que é para demolir, estará limpa. O Governo Regional e a ASTA começarão a segunda parte, que em conformidade com o projecto que está na Câmara, passará por ajardinar esta zona central”, afirmou.
José Manuel Santos Narciso destacou o facto do Movimento “Queremos a Calheta de Volta” ter sido convidada para assistir a este importante momento e demonstrou a sua satisfação pelo início do processo de demolição, destacando o papel deste Executivo camarário no desbloquear desta situação.
“Estou satisfeito porque, depois de 7 anos de luta, houve uma Presidente de Câmara de Ponta Delgada que conseguiu ‘dar um pontapé na crise’ e fazer com que alguém se mexesse, aproveitando o facto de haver neste momento um Governo Regional mais dialogante do que o anterior”, realçou.
Sobre o futuro desta zona, Santos Narciso entende que, neste momento, “é preciso congregar vontades para que se aproveitem tempos diferentes para soluções diferentes que podem aparecer para a zona da Calheta. É isto que eu, como cidadão, e também como membro fundador do Movimento “Queremos a Calheta de Volta” espero. Tenho também que dizer que o Movimento extinguiu-se quando se começou a pensar na realização das obras. Já não fazia sentido”, referiu.
Com um custo total que rondará entre os 250 a 300 mil euros, a empreitada de demolição das Galerias da Calheta será feita em toda a área acima da quota zero da estrutura, mantendo-se apenas uma estrutura existente na zona sul. Também a área que já se encontra licenciada para a futura construção de um hotel de 4 estrelas será demolida.
Neste processo está abrangida uma área total de 5000 m2 de laje, que implicará a remoção de 3 mil toneladas de betão e cerca de 400 toneladas de estrutura metálica. No denominado ‘pico’ da empreitada, que deverá ocorrer daqui a 3 ou 4 semanas, estarão envolvidos no processo cerca de 30 trabalhadores.                      

Maioria da população satisfeita com o arranque
das obras e concorda com um parque no local

Juvenal Martins: “Acho que demorou tempo demais e inclusivamente este processo não deveria ter sido autorizado, quer pelo Governo, quer pela Câmara Municipal de Ponta Delgada. Graças à actual Presidente da Câmara vamos tentar remediar o mal e tirar o ‘elefante’ que está na Calheta. Também graças aos esforços de um grupo de amigos da Calheta, do qual faz parte o senhor Santos Narciso, que tem sido um impulsionador neste assunto. Nós, comerciantes da zona, ficamos sensibilizados e agradecidos por tudo o que está a ser feito. Penso que vai valorizar muito a nossa zona, não só em termos turísticos mas também em termos ambientais, já que agora vamos poder passar umas horas a ver novamente o mar. Foi dito que iria ser feito um jardim em cima do parque subterrâneo. Concordo com isso. Defendo também que o parque de estacionamento tem de ser gratuito, para minimizar os prejuízos que a população de Ponta Delgada tem tido”.


Filipe Rego: “Este processo de demolição já deveria ter começado há muito tempo. Se fosse para deixar no estado em que isto tem estado, nem deviam ter começado com as obras. Foi tempo demais nesta situação. Agora, finalmente arrancaram as obras e já se ouve barulho. Vamos ver se vai continuar ou se vai parar. Sou como São Tomé, preciso ver para crer. Depois do que se passou antes, nunca se sabe se irá mesmo acabar. Penso que deveria nascer um parque, uma zona verde aqui em Ponta Delgada, que está a precisar. Tirando o Parque Século XXI não existe mais nada aqui no centro, portanto seria importante para trazer as crianças e as famílias. Ouvi dizer que vão fazer mais um hotel aqui, mas pergunto onde está o turismo para encher estes hotéis todos? Penso que o parque de estacionamento deveria ser gratuito, também para compensar por esta demora. Era o mínimo que podiam fazer”.

Pedro Costa: “É um processo longo e é um processo que nem sequer devia ter sido iniciado. No início destas obras, e quando se estava a construir a marinha, estava previsto que iríamos ficar com a nossa Calheta como era antes. Isto que se fez aqui foi um crime a São Pedro. É a minha opinião. O que se passa não é por culpa do Presidente da Junta de Freguesia de São Pedro, que muito tem feito para que já se tivessem reiniciado as obras há muito. É devido a outras pessoas, em cargos muito superiores a ele, mas infelizmente é o que temos em Portugal. Espero que agora façam uma coisa em condições como por exemplo um parque verde. Defendo também que o parque de estacionamento deve ser livre de pagamento, porque para pagar já temos vários. Espero que estas obras tenham continuidade e não sejam interrompidas”.

Maria Gabriela: “Acho que realmente demorou muito tempo até iniciar-se este processo. Houve questões políticas envolvidas e, pelo que sei, também uns deviam aos outros. Pelo menos foi isso que nos foi sendo transmitido. Deus permita que deitem aquilo abaixo mas que façam uma coisa discreta, como se diz à moda dos Açores, para que possamos de novo avistar o mar. Na minha opinião, defendo que deveriam fazer ali um parque ou qualquer coisa de lazer para os turistas e para os habitantes de cá. Mas deviam construir algo que nos permita ver o mar. Acho que o parque devia ser gratuito, ou pelo menos a um preço simbólico, como forma de compensação por estes anos todos”.

Jaime Moniz: “Tenho uma opinião diferente. Não deveriam ter feito o que fizeram, mas uma vez que estava feito deviam acabar o que começaram e não desmanchar. Aquilo vinha dar vida à Calheta e era um espaço que dava para muita coisa. Aliás, se eu fosse um dos senhorios que comprasse uma galeria ali e que tivesse investido 1 ou 2 milhões, agora queria 4 ou 5 milhões. Esta demora deve-se também a isso. Não há demora em demolir, há sim demora em pagar a quem se deve. Penso que deviam construir ali três parques de estacionamento pagos e era escusado terem gasto o dinheiro que gastaram na Avenida. Esses parques resolviam o problema de Ponta Delgada e não se gastava dinheiro a fazer aquela asneira que fizeram na Avenida Marginal. Defendo que o projecto devia ter sido acabado e considero que vinha dar vida aqui à Calheta.

Francisco Branco: “Este é dos tais processos que finalmente teve o seu fim. Não sei se será fim, mas pelo menos agora há alguma luz ao fundo do túnel para que se possa minimizar o que já está feito. Obviamente que nunca mais vamos conseguir recuperar o porto da Calheta, mas penso que o que estava aqui também era demais. O projecto que existe é engraçado e pelo menos vem minimizar os estragos que já estão feitos. Penso que o ajardinamento agora é a solução possível para o mal que já está feito. Defendo que o parque de estacionamento subterrâneo deveria ser gratuito porque estamos numa zona onde não existe praticamente estacionamento nenhum e estacionamento gratuito só mesmo na Avenida D. João III. Seria algo também para mimar aqui o pessoal desta zona de Ponta Delgada”.    
                                                          

Luís Lobão

 

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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