Jornais levam ao Presidente do Governo soluções para ajudar à sobrevivência da imprensa regional

Tendo em conta os momentos difíceis que marcam a actualidade, vincada pelos efeitos da pandemia que afectam a generalidade do tecido empresarial, e também a comunicação social privada, o Presidente do Governo Regional recebeu dois representantes da Imprensa, em representação de nove jornais dos Açores, que apresentaram ao Presidente do Governo as preocupações do sector e deixaram algumas propostas que poderão mitigar os efeitos neste período conturbado.  
Os jornais sugerem um reforço do número de assinaturas por parte de organismos do Governo Regional, tendo em conta “o corte progressivo de assinaturas pelas secretarias, direcções regionais e demais serviços, bem como empresas públicas, que se retiraram também da lista de assinantes, prejudicando estas empresas privadas.
Em acréscimo, propõem  também que  as estruturas residenciais para idosos, os centros de dia e as casas de acolhimento sejam contempladas nestas sugestões, tornando extensivo a essas  instituições duas assinaturas por jornal.
Para além disto, os jornais da Região esperam que o Governo programe um plano de compra anual de publicidade institucional a utilizar pelas diversas secretarias regionais, nos termos da legislação já existente, mas sem qualquer impacto financeiro até ao momento. Esse plano de compra de publicidade institucional deve considerar como factor determinante para a sua distribuição pelos jornais, o valor base dos custos salariais de cada órgão de comunicação social.
Tendo tudo isto em conta, Pedro Melo, administrador da Açormedia, referiu após a audiência com o Presidente do Governo Regional, que o encontro serviu para mostrar a preocupação dos nove jornais regionais que representou em conjunto com Paulo Viveiros, administrador da Gráfica Açoriana, atravessam no momento actual.
Pedro Melo referiu que está em causa o facto de a comunicação social ser “o reflexo do que se está a passar na economia, no mercado empresarial e com as pessoas, e depois de meses de medidas restritivas à economia e de confinamento, tudo acumulado levou à retracção da parte empresarial, e estamos a sentir neste momento tudo isso, embora os jornais nunca tenham tido nenhuma medida restritiva e sempre funcionassem normalmente”.
Por seu turno, Paulo Viveiros salientou que os jornais passam por uma sítuação crítica, incluindo os  mais pequenos e de outras ilhas açorianas que têm as mesmas dificuldades que se sente em São Miguel.
Por esse motivo, e tendo em conta que “a comunicação social presta um serviço público importante para a democracia”, Paulo Viveiros salientou que o Presidente do Governo Regional demonstrou “abertura e sensibilidade às questões levantadas”, e espera que “possa haver um apoio extraordinário com medidas específicas para o sector, para ultrapassar este momento difícil de crise económica”.
Isto é, apesar de ter sido prorrogado o apoio à comunicação social, “o momento é específico e de crise, e é precisamente por este momento trazer consequências económicas graves para o sector que se solicita ao senhor Presidente que haja um mecanismo de apoio específico para estes próximos meses”.

Governo irá criar apoio extraordinário
à imprensa regional até Maio

Depois de se reunir com os representantes dos nove jornais regionais, que solicitam mais apoios ao Governo Regional, José Manuel Bolieiro concordou que os apoios que são actualmente atribuídos a estas empresas “se revelam, hoje, mais do que nunca, insuficientes, na medida em que os desafios da imprensa e dos órgãos de comunicação social nas nossas ilhas penalizam a sua receita e, eventualmente, as exigências da modernização e da concorrência digital amplia as suas despesas fixas”.
Por reconhecer o serviço que os jornais prestam à democracia nos Açores e à realidade da opinião pública de cada uma das ilhas, o Presidente do Governo Regional reconhece a obrigação de apoiar financeiramente os jornais, e adiantou que para além do PROMÉDIA, “importantíssimo para a ajuda à nossa imprensa, mas insuficiente face à quebra constante de receita das empresas proprietárias destes títulos”, se encontrou um reforço com critérios objectivos.
Assim sendo, o Presidente salientou que “para além da emergência e da prorrogação do PROMÉDIA, nós pretendemos criar um apoio extraordinário entre Janeiro e Maio deste ano para a quebra de receitas e com critérios objectivos, com referência aos trabalhadores destas empresas”.
Em relação às propostas apresentadas directamente ao Governo Regional por intermédio do documento endereçado ao Presidente no início deste ano, José Manuel Bolieiro salientou que são propostas positivas para o futuro.
“Aceitamos como boas, para o futuro, estas outras propostas que aqui nos trouxeram, no quadro do pensamento deste financiamento e deste novo regime de financiamento, para que se possa induzir mais assinaturas por parte da Administração Pública, que é também uma fonte de receita e que pode ser pedagógica para a leitura do dia das instituições, bem como a oportunidade de fazer chegar às escolas os jornais”, disse o chefe do Executivo regional.
 

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