21 de fevereiro de 2021

Sinais perturbadores

1. Os sinais dos tempos são perturbadores e apelam a uma reflexão profunda sobre a nossa condição como seres dominantes do planeta, e como nos devemos comportar perante as alterações com que nos confrontamos neste tempo que corre à velocidade da luz.
2. Tais alterações começam na mudança do comportamento humano perante a sociedade e perante a saga de se auto descobrir, num crescendo sem fim e sem que se conheça se há limites para evitar a auto destruição da espécie humana.
3. São vários os trabalhos publicados sobre esta temática, mas é pena que ela não mereça o debate e a reflexão que é tão necessária, para colocar no redil aquilo que está desgovernado, embora a natureza continue a cumprir a função que lhe cabe de recriar, reorganizar e reumanizar, tal como se assiste, por vezes sem se dar por isso.
4. A 18 de Março de 2020 foi decretado o primeiro Estado de Emergência em Portugal, que tinha como  prioridade prevenir a doença, conter a pandemia, salvar vidas.
5. Nos Açores, o Governo declarou a 13 de Março o Estado de Contingência, estendendo-o até ao dia trinta e um, renovado por vários períodos, tal como foi renovado o Estado de Emergência em Portugal.
6. Entrava-se num período que se tornou um autentico pesadelo, devido à propagação da doença e às vidas que tem ceifado, e pelas consequências que advêm para os cidadãos, devido ao tratamento noticioso dado globalmente pela comunicação social, e pelas opiniões dispares dos especialista arregimentados para comentadores de hora a hora.
7. Com a entrada no Outono veio a grande esperança trazida pelas vacinas que estavam prestes a ser lançadas no mercado, e a partir daí começou a corrida ao milagroso tratamento, apontando-se datas para o inicio da toma do remédio, alimentando-se desse modo uma esperança, que se tem esvaído por falta de cumprimento da palavra e dos contratos celebrados entre os Estados e as indústrias farmacêuticas.
8. A aflição cresce na medida em que cresce o número de mortes e o contágio da chamada terceira vaga e das novas estirpes que vão nascendo. Perante este quadro é preciso baixar à terra e acabar com a falsa propaganda feita pelos governantes e feita pelos grandes empórios que estão já a ganhar fortunas astronómicas, e tudo farão para continuar, no futuro, a facturar outro tanto.
9. A verdade é que no caso dos Açores, a vacinação está longe de atingir os níveis desejáveis, senão vejamos:
10. Os Açores receberam, de Dezembro a Fevereiro, 20.805 doses de vacina, o que dá para vacinar, nas duas fases, 10.402 pessoas, o que equivale a 4,2% da população até agora vacinada.
11. Se o ritmo de atribuição das vacinas aos Açores se mantiver, quer isto dizer que só teremos toda a população vacinada no primeiro trimestre de 2022. Ou seja, daqui a um ano. Nesta equação não estamos a contar com o novo período de vacinação, que será certamente anual, tal como a vacina da gripe.
12. A Região não pode colocar-se numa posição passiva quanto à chegada das vacinas, porque se ficar a aguardar apenas a boa vontade de Lisboa, bem pode esperar sentada, pela forma como até agora tem corrido o processo. Lisboa anuncia chegadas semanais de vacinas enquanto os Açores recebem as doses de vacina ao mês. Assim não chegaremos a bom porto.
13. Entretanto, apanhando outros voos, ficou a conhecer-se em traços largos o Plano de Reestruturação da SATA Azores Airlines enviado a Bruxelas. O Presidente da empresa explicou aos deputados, e depois publicamente, quais são os eixos em que assentava a reestruturação da companhia, dando enfoque à redução da frota de aeronaves e ao aumento do número de voos.
14. A dúvida que fica é se as medidas propostas para redução dos gastos com o pessoal são suficientes para equilibrar o Grupo SATA e receber o aval de Bruxelas, porque esses custos ascendem a 62 milhões de euros, repartidos 32 milhões pela SATA Air Açores, e 30 milhões pela Azores Airlines. São valores que metem respeito.
                               

Américo Natalino Viveiros

 

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Categorias: Editorial

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