“Com a pandemia e sem festivais nos Açores, vou continuar na produção musical e marcar presença nas plataformas digitais”, diz Dj Tigue

Correio dos Açores: A música é uma paixão ou apenas um hobbi?    
Tiago Fraga: A música é uma paixão sem dúvidas.    

Como repartes o teu tempo pela tua profissão e fazendo animação musical? 
As vezes é bem complicado repartir o meu tempo com trabalho e família, dado que tenho um casal de filhos o Rafael com 13 anos e a Diana com 11 anos. Lembro-me quando eles eram ainda bebés de noite não consigam dormir eu ia para o estúdio de madrugada eles sentados no meu colo e adormeciam ouvindo eu a criar melodias. Agora com esta idade tenho mais espaço para a música, pois também estão mais entretidos com outras coisas.

Desde quando estás ligado à música? Como e onde tudo aconteceu? 
Desde de pequenino que vivo com a música na minha família. O meu pai tocava baixo; o meu primo (António Francisco Melo) era, sem dúvidas, um homem cheio de talento, cantava, tocava vários instrumentos; o meu tio era vocalista de outra banda e os ensaios eram em casa do meu tio, eu chegava a assistir a vários ensaios ainda bem pequenino.

Ao longo da tua carreira, o teu gosto musical foi evoluindo, conta-nos quais os géneros de música com que mais te identificas neste trabalho?
Gosto de tudo um pouco, desde que para mim seja música, mas identifico-me mais com EDM/POP Dance/ProgressiveHouse / Hip-Hop /Trap. Relativamente a estes últimos 2 géneros musicais, eu estou a criar um projeto que intitulei de “OKJACK” que vai ser só de Hip-Hop / Trap em geral.

Que nomes sonantes já partilhaste o palco?
Já tive a honra de partilhar o palco com KEVU, Da Queen (Artista Internacional) António Camilier/Pedro Cazanova, ou seja grandes nomes da música que ficaram gravados na minha memória.

 Quais os palcos que te marcaram mais na tua vida enquanto músico?
Gostei de todos por onde passei, pois cada palco é diferente, cada palco tem o seu público específico. Por exemplo o Cais das Poças, o Festival dos Moinhos, a Festa dos Rosais e Semana do Mar AfterParty, que constituiram momentos marcantes na minha carreira.
Quais são as tuas referências em termos de trabalhos de Djs? 
Gosto muito em termos de Dj/Producer Steve Angello, Axwell, Martin Garrix, David Guetta, Calvin Harris, Marshmello.

Qual o teu maior sonho na vida, enquanto DJ? 
Não tenho assim um sonho, sonho, faço aquilo que gosto, e o que vier extra é bem-vindo.

Presentemente, a música electrónica nos Açores está no bom caminho?
Acho que sim, pois estão a produzir cada vez mais e melhor. Estão a aparecer novos djs/produtores na Região e é preciso não desistir daquilo que se gosta de fazer.

Em termos de qualidade, os artistas locais estão em pé de igualdade em relação aos artistas que vêm do Continente? 
Em termos de qualidade, alguns artistas têm tanta ou mais qualidade do que os do continente, mas ao longo do tempo vai se aprendendo que neste meio, infelizmente, não é só qualidade que se precisa para chegar lá ao topo do panorama musical, é muito importante encontrar bons contactos.

Qual o género musical que os jovens de hoje mais se interessam?
São fases muito curtas dos géneros musicais que os jovens hoje em dia ouvem.Um género mainstream que nunca muda é o EDM sem dúvidas, pois os jovens continuam a ouvir muito EDM (Electro, Progressive, Future house, Future Bass etc..)

Ser da ilha das Flores limita-te da progressão da tua carreira?
Sempre foi este o maior obstáculo ser da ilha das Flores. Já tive várias propostas para ir tocar fora e o entrave maior com que me deparo são os custos das passagens de avião e agora com esta pandemia é pior ainda. Em termos de produção, só depende de nós mesmo, e hoje em dia com o avanço da internet tudo é possível, em termos de mostrar o nosso trabalho ao mundo e isto é bom.

Como te ligaste à produção musical?
Tinha talvez uns 13 anos de idade quando recebi o meu primeiro piano e o que fazia não é tentar tocar músicas de outros mas, sim, inventar e tocar melodias. Sempre tive estas ideias e elas andam a “passear” na minha cabeça. Todos os dias tinha que pô-las cá fora e este meu primeiro piano foi uma grande ajuda para começar a ter noção de como as coisas funcionavam.

Em que plataformas digitais está presente a tua música?
As minhas músicas estão em todas as plataformas digitais ex: Spotify, Youtube, Deezer, Tiktok, Instagram basta pesquisar por “TIGUE” ou “TIGUE DJ”

Qual a sensação ao ouvires a tua música em programas de rádio?
Às vezes nem acredito e acho que só passando uns anos vou cair em mim do que eu faço ficará para sempre. Tenho que dizer que, em geral, cá nos Açores tenho recebido um grande apoio da comunicação social (RTP Açores, Rádio Canal FM, Rádio Atlântida, Antena 1 Açores etc..) Aproveito esta oportunidade para agradecer a todos.

Como é que a pandemia está a influenciar a tua carreira musical?
Nem sei bem se é mau ou se é bom, porque se não fosse a pandemia não conseguiria lançar 14 temas originais em 2020 e isto é garantido, porque havendo festivais eu tinha que desligar-me um pouco das produções e preparar os Sets. (Trabalho de casa) 

Quais os teus projectos para o futuro próximo? 
Quero continuar a produzir e DJ com o TIGUE que é no género EDM. Lancei uma música de Hip- hop “SUPERSTAR” que fugia um pouco ao géneros principais do TIGUE, por isso neste momento estou arrancar com um projeto novo de nome “OKJACK” para produções Hip-Hop/ Trap em geral. Os fãs deste género musical já o podem procurar nas redes sociais.

Como será este ano de 2021?
Com a pandemia e sem festivais nos Açores, vou continuar na produção musical e marcar presença nas plataformas digitais. O meu trabalho tem sido muito apreciado e tenho recebido um feedback muito interessante, o que me motiva a continuar a trabalhar como até aqui.

            António Pedro Costa
 

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Autor: CA

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