Apenas cordão sanitário junto às ruas onde se encontram os infectados

Câmara, Junta de Freguesia, autoridade de saúde, Segurança Social e PSP defendem fim da cerca sanitária a Rabo de Peixe

De domingo para segunda-feira foram diagnosticados quatro novos casos positivos de Covid-19 nos Açores, todos em S. Miguel, mais concretamente na Vila de Rabo de Peixe, os quais  resultam de transmissão comunitária.
No mesmo período, 17 pessoas recuperaram da doença, sendo 16 em Rabo de Peixe, e uma nas Lajes da Terceira.
Ontem, a Região tinha 66 casos positivos activos, sendo 52 em São Miguel, 8 no Pico, 4 na Terceira,1 no Faial e 1 em Santa Maria. 
No domingo, a propósito da cerca sanitária vigente há cinco semanas, Representantes da Câmara da Ribeira Grande, Junta de Freguesia de Rabo de Peixe, Autoridade de Saúde Concelhia, Instituto de Segurança Social dos Açores e Polícia de Segurança Pública reuniram-se para debater vários assuntos relacionados com a pandemia naquela Vila e concluíram, por unanimidade, que “os pressupostos técnicos e epidemiológicos justificativos da manutenção da cerca sanitária, salvo douto entendimento, actualmente, já não representam uma mais-valia técnica, até porque se encontram circunscritos geograficamente e identificados, tratando-se de vinte e oito habitações, tendo que se pautar a actuação de forma incisiva e localizada” e propõem ao governo dos Açores “o términus da cerca sanitária, substituindo esta medida por uma acção de fiscalização focalizada e circunscrita nas ruas mais afectadas pela covid-19”.
Os parceiros institucionais destacam que no terreno está a ser desenvolvido um trabalho activo das equipas multidisciplinares no terreno, que acompanha o evoluir dos casos positivos de covid-19 e os contactos de alto risco, sendo que “actualmente encontram-se totalmente identificados e delimitados a 28 habitações, concentradas nas ruas de São Paulo, São Marcos, São Mateus, Santo António, São José, Santo Agostinho e Boa Viagem), e após reunião com as entidades envolvidas”.
Na reunião, pela perspectiva da Autoridade de Saúde concelhia, segundo nota da autarquia ribeiragrandense com a acta final da reunião, “considera-se adequado terminar com a cerca sanitária, substituindo esta medida por uma intervenção localizada e próxima das referidas habitações. Esta intervenção deverá ser realizada pelas equipas multidisciplinares de intervenção local. Os elementos da PSP deverão ser integrados nestas equipas em simultâneo com a atividade diária da PSP”.
A autoridade de saúde concelhia entende que “os condicionalismos que a cerca sanitária estabelecida acarreta, designadamente o enorme impacto na economia local, alterações sociais-comportamentais e emocionais a que assistimos diariamente, coloca-nos perante o risco elevado do aumento de incidência de patologias de foro psiquiátrico que, em último estádio, poderão causar uma revolta generalizada e um menosprezo, por parte da população, das medidas implementadas e em vigor actualmente”
Na reunião, os parceiros institucionais lembraram que “a área específica a intervir possui diversos agentes económicos, nomeadamente empresários em nome individual, o que torna a acção das forças policiais inócua, uma vez que existem diversas autorizações de circulação elaboradas pelos próprios empresários, sendo que é necessária essa fiscalização assertiva e centralizada caso a caso para continuar a obter resultados significantes no objectivo primeiro em causa”.
Entendem também que “a inclusão efectiva de elementos da PSP, quanto a nós, medida sine qua non nas equipas multidisciplinares, por forma a agilizar a notificação de eventuais situações de incumprimento de isolamento/confinamento profilático”.
Defendem também “a colocação de postos fixos e em permanência em áreas estratégicas, já identificadas, compostas por elementos da PSP, e/ou mistas, incluindo elementos da Junta de Freguesia e Câmara Municipal, destacados nas referidas ruas, de modo a salvaguardar o cumprimento do isolamento/confinamento das situações identificadas, torna-se assim a medida a implementar após a reavaliação realizada”.
A PSP, por seu turno, “comprometeu-se a articular com o DIAP (Departamento de Investigação e Acção Penal), no sentido de agilizar a legitimação da acção desta força policial na actuação eficaz e eficiente no que concerne a esta área de actuação”.
Também foi defendido a manutenção da “actuação das equipas multidisciplinares no terreno, de forma a garantir que é feita a vigilância a todas as habitações sinalizadas e garantir que todas as necessidades são identificadas e supridas” 
Já no que respeita “a eventuais realojamentos”, os parceiros institucionais referiram que “a equipa multidisciplinar já realiza a abordagem aos indivíduos e agregados identificados no sentido de propor a sua realocação. Contudo, as mesmas não se têm mostrado receptivas a esta resposta, preferindo cumprir o isolamento nas suas casas. No entanto, nas situações em que se justifica, e devidamente avaliadas, quando se verifica a anuência dos indivíduos/famílias, é realizado o alojamento em unidade hoteleira”.
Os parceiros institucionais também dão conta de que “dos últimos contágios identificados, a grande maioria prende-se com uma cadeia de contágio sinalizada, composta por um agregado familiar de quinze elementos, que originou foco de transmissão familiar aos restantes membros da família alargada, sendo esta bastante extensa e que estão perfeitamente referenciados”. Mas quanto aos incumprimentos, “a equipa identifica três situações crónicas relacionadas com dependências. No entanto, já foram agilizadas respostas para suprir estas situações em concreto”, lê-se ainda no documento.                         
 N.C.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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