Festividade dos Terceiros cumprida com Missa e sem a tradicional procissão

Finda a quadra carnavalesca, entramos no período quaresmal, época intensamente vivida com as celebrações penitenciais imemoriais, mas que ainda têm uma expressão relevante nas nossas ilhas e, logo no primeiro domingo, era a vez da veneranda imagem do Senhor Santo Cristo dos Terceiros sair pelas ruas da Ribeira Grande, numa imponente procissão. Contudo, face à pandemia este ano ficou na sua Igreja.
No entanto, dado que a Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande deve cumprir, anualmente, o estipulado no seu Compromisso de promover a festividade dos Terceiros, este ano foi apenas celebrada uma eucaristia solene no antigo convento de Nossa Senhora da Guadalupe ou Convento dos Frades e que desde 2013 foi transformada em Museu Vivo do Franciscanismo, e continua a ser a Igreja-Mãe daquela Misericórdia.
As manifestações religiosas utilizam linguagens e roupagens culturais dum determinado tempo e espaço – mas há que sublinhar, contra o relativismo, que a religião não é uma manifestação cultural! A religião espicaça e obriga a cultura a desenvolver-se, a língua a tentar explicar o que vem do alto, pois o contrário é relativismo, pelo que esta celebração festiva do Senhor Santo Cristo dos Terceiros continua a ser uma manifestação de fé genuína do povo micaelense e uma marca da nossa tradição que identifica a nossa maneira de ser e de estar de ilhéus.
Por isso mesmo, neste tempo conturbado, a preocupação da Misericórdia da Ribeira Grande foi de continuar a preservar esta celebração, dado que ela constitui um importante legado de um Património Cultural Imaterial que valoriza a cidade da Ribeira Grande e mesmo os Açores. 
A celebração eucarística foi transmitida pelos meios digitais da Câmara Municipal da Ribeira Grande para que os devotos do Senhor Santo Cristo dos Terceiros pudessem acompanhar o momento solene. Em cumprimento das restritivas normas de segurança emanadas pela Autoridade de Saúde, apenas estiveram presentes no ato a Mesa Administrativa e um reduzido número de entidades convidadas, representativas do Concelho.
Naquela eucaristia o Capelão da Misericórdia, Pe. Manuel Galvão na sua homilia fez alusão às palavras do Papa Francisco em que definiu a quaresma como uma viagem de regresso a Deus e que este é o tempo para verificar que estradas estamos a percorrer, para encontrar o caminho que nos leva de volta a casa, para redescobrir o vínculo fundamental com Deus, do qual tudo depende.
De acordo com o Pe. Manuel Galvão, a celebração daquela eucaristia, diante da bela e expressiva Imagem do Senhor Santo Cristo dos Terceiros, leva-nos a recuar no tempo de Madre Teresa da Anunciada, em que quando ela era criança venerava com muita piedade aquela Imagem, iniciando, assim, a sua devoção à paixão de Cristo, e visitando amiúde a Igreja dos Frades, para se deter em oração. 
Aquele ato litúrgico foi solenizado por um pequeno coro litúrgico, sob a regência de Gilberto Silva, sendo solista Jorge Garcia e ao órgão de tubos, recentemente recuperado com o apoio da Câmara Municipal da Ribeira Grande, esteve o músico José António Garcia.

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Autor: CA

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