Parque da Grená vê aprovado projecto para a construção de uma Casa de Chá na antiga “Casa do Vinhatiero”, junto à Lagoa das Furnas

(Correio dos Açores) Qual a história do edifício que vai ser reabilitado?
(Norberto Botelho, administrador da Empresa Feliz Terra, promotora do projecto do Parque da Grená) Este imóvel que irá ser reabilitado era designado como “Casa do vinhateiro” e funcionava como casa de habitação própria dos colaboradores que ajudavam a manter o Jardim da Casa principal da Grená. Antes de cair no abandono.

Em que consiste este projecto que agora apresentam?
Quando o Governo Regional dos Açores decidiu realizar uma hasta pública com o prédio da Grená emitiu uma nota oficial, através do GaCS, esclarecendo que aquela venda seria com o intuito do “reforço da competitividade das actividades económicas da Região, nomeadamente no sector do turismo”. A reconstrução daquele imóvel e consequente transformação numa Casa de Chá, irá diversificar a oferta turística daquele local, mas insere-se num contexto maior, que é o do Parque da Grená num todo.
Mais um passo importante, com vista a dotar o nosso parque, a Lagoa das Furnas, as Furnas, a Povoação e os Açores de mais um espaço único!

O que vem acrescentar à Grená e ao Vale das Furnas em geral?
Não podemos ignorar que estamos situados num dos ex-líbris dos Açores, a Lagoa das Furnas. Quando a propriedade foi adquirida, num leilão público, não passava de um terreno baldio, que servia inclusive de depósito de lixo doméstico (retirámos mais de três toneladas de lixo daquele lugar), e o espaço além de estar ao abandono era inacessível aos olhos da maioria das pessoas…
Hoje as coisas são diferentes. É um dos maiores jardins dos Açores, são mais de sete quilómetros de trilhos completamente organizados e seguros, onde todos podem aceder e contemplar aquela área. Terá uma casa de chá, simpática e pitoresca, com produtos locais, onde todos podem disfrutar e contemplar a zona da Lagoa das Furnas.
Gostamos de pensar que nos enquadramos naquilo de mais valioso que os Açores têm para oferecer e na estratégia turística da Região Autónoma dos Açores, uma estratégia virada para a Natureza, para uma intervenção cuidada e pensada no meio ambiente, valorizando todo o destino Açores.
À medida que fomos desenvolvendo o parque, apercebemo-nos que as pessoas que voltam aos Açores não nos visitam apenas para contemplar a Natureza, é uma ideia do passado. Hoje, as pessoas visitam os Açores para experienciar a Natureza, para ter um contacto privilegiado, uma experiência mais directa, e será sempre por aí que nos vamos nortear.
A Grená é um espaço que impulsiona o nosso turismo e que refugia os residentes da nossa insularidade.
 
Afirmaram nas redes sociais que foi um processo moroso. Por que motivos?
Foi um processo muito demorado. É um facto. A aprovação do projecto de arquitectura levou mais de um ano a concretizar-se.
A morosidade explica-se por três motivos: o primeiro jaz na sensibilidade da zona onde está inserida a Grená, são várias zonas protegidas legalmente, por vários diplomas, desde as nascentes, às caldeiras, passando pela Lagoa e o seu plano de protecção.
O segundo, infelizmente, foi devido à pandemia, que atrasou todo o processo, principalmente na esfera das instâncias. E o terceiro é a burocracia que envolve todos os intervenientes públicos, com excepção da Câmara Municipal da Povoação que, justiça seja feita, sempre foi muito disponível e de muito fácil acesso; as restantes entidades levam demasiado tempo a decidir, e é muito difícil reunir com quem é responsável, de modo a podermos construir uma solução viável.
Ficamos muito felizes por ouvir falar em “desburocratização” no Governo Regional, porque é de facto um problema que inviabiliza imenso investimento privado na Região Autónoma dos Açores, se queremos mais investimento que aporte mais emprego, mais economia e melhores espaços… temos de fazer com que esse investimento seja bem-vindo, e não colocar entraves ao seu desenvolvimento.
A caminho dos três anos da decisão do Governo Regional de colocar a propriedade à disposição da iniciativa privada, estão à vista os benefícios. O terreno já não está ao abandono, e não falamos só do nosso, também ao lado, a antiga Secretaria Regional da Agricultura e Florestas concessionou uma área de mata para instalação de um parque de arborismo privado, naturalmente irá dinamizar toda a zona.
Existem outros terrenos, designadamente propriedade da empresa pública Azorina (que será extinta) que poderiam ter o mesmo destino. Trariam mais aproveitamento, mais visitas dos açorianos, e maior dinamização da economia. Se este Executivo decidir colocar estes terrenos à disposição da iniciativa privada, seja que forma for, estaremos naturalmente interessados.

A estrutura original do edifício vai ser aproveitada ou o novo edifício será feito de raiz?
Apesar de os nossos imóveis não terem nenhuma classificação especial a nível patrimonial, decidimos por nossa iniciativa que iremos manter os traços gerais de arquitectura dos mesmos. As restrições estão todas previstas no projecto, daí a complexidade do mesmo.

Para quando se prevê o início das obras de reabilitação e para quando a inauguração da nova “Casa de Chá da Grená”?
Neste momento, e apesar do projecto de arquitectura ter sido um grande avanço, faltam-nos, ainda, os projectos de engenharia. Contamos ter tudo pronto no prazo de 30 dias, para depois submeter à consideração das entidades.
 

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