28 de fevereiro de 2021

Recados com Amor...

Meus Queridos! A semana que agora terminou foi dominada pela primeira sessão presencial da Assembleia Legislativa dos Açores em 2021, e como diz a minha prima Maria da Praia, que é mulher entendida nessas coisas de política, tratou-se de uma sessão com substância, com debate, e onde a política esteve ao rubro, alimentada desde logo com a discussão levantada pelo meu querido antigo Presidente Vasco Cordeiro sobre uma promessa de 140 milhões de euros prometidos pela República… que obrigou à busca nunca dantes vista por uma carta de que o próprio, se calhar, não se lembrava… fazendo com que rapidamente a coisa se alastrasse à Madeira, que também se queixa que os milhões minguaram e agora são menos cento e tal, precisamente da fatia que a Europa ia dar e que era a fundo perdido… O Presidente do PS Vasco Cordeiro lá perguntava se o Governo do meu querido Presidente Bolieiro tinha desistido de reclamar os cento e quarenta milhões de euros que o Governo do Primeiro-ministro António Costa havia prometido como reforço para os Açores, dinheiro que viria da bazuca… que até agora ainda não lançou nenhum foguete que se visse… Vasco Cordeiro sabia do que falava, mas José Manuel Bolieiro não tinha em mão… nenhum compromisso da República que lhe permitisse reclamar seja o que fosse… Mas afinal, a carta compromisso existia, e acabou por vir à luz do dia…. Perante os factos, e segundo a minha prima Maria da Praia, agora é preciso… “encostar o Governo da República à parede”… para que seja cumprido o compromisso constante da missiva do Ministro do Planeamento para o Vice-presidente do Governo à data, Sérgio Ávila… Os dados estão lançados e o que se espera agora é que o PS, que era o Governo na Região… e o PSD, que lidera agora o Governo… se juntem numa frente comum, reivindicando o cumprimento do combinação de Agosto… São 140 milhões que resultam de um direito que cabe à Região do bolo Europeu reservado a Portugal… O resto são guerras próprias entre o …alecrim e a manjerona… que podem fazer parte do ramalhete, mas sem pôr em causa o resultado final….

Ricos! Juro que não entendo nada de política, mas o que vejo é que enquanto governantes e deputados se entretêm atirando milhões uns contra os outros, o que se sabe é que para os empresários e para as famílias não há meio de chegar o pilim que é preciso para compensar as grandes perdas sofridas e colocar a economia nos carris, de modo a que possa rapidamente matar a fome a tanta gente que não tem o que comer… Que perguntem a quantos esperam um prato de sopa ou uns pacotes de leite e arroz que vão sendo dados por gente generosa… que dão com uma mão para que a outra não veja!


Meus queridos! Ainda estamos todos em pleno confinamento e as melhoras que se vêem não é coisa segura, nem garantida. De qualquer forma, é bom sentir que a economia, com destaque para o Turismo, está activa, e pronto para recomeçar, logo que haja condições para o arranque. … Talvez por isso mesmo, o meu querido Presidente Marcelo teve necessidade de vir pôr água na fervura, principalmente para o período da Páscoa, e de caminho foi dizendo que mais umas semanas poderiam salvar a Primavera e o Verão. O que eu não consigo entender muito bem é este interesse repentino da TAP pelos Açores e pela Madeira, precisamente num momento em que a SATA tenta salvar-se e dar resposta às necessidades das ilhas. A gente sabe que as duas companhias estão de corda ao pescoço, mas não vale a pena abafar mais a SATA, que é o que parece que de algum lado está a ser tentado, sem que se conheça as razões que estão por detrás deste repentino e tamanho fervor... A minha prima Jardelina está a fazer uma relação das linhas sobrepostas, porque não basta ter assentos… nos aviões… pois quem vai comandar o mercado é a procura, já que toda a gente sabe que não há almoços grátis. Só espero que haja olho aberto contra alguns voos rasteiros que parecem estarem-se por aí a tramar…
Ricos! Nesta Sessão Parlamentar foi eleito para um novo mandato o Presidente do Conselho Económico e Social, o meu querido caçador e banqueiro Gualter Furtado, com uma maioria de 91,2% de 57 deputados, recebendo apenas dois votos contra. Gualter Furtado tem pela frente um grande desafio, que é criar as condições para que do novo Conselho Económico e Social possa brotar um Plano capaz de criar uma nova dinâmica política envolvendo todos os sectores sociais, económicos e culturais, para que a Região, mesmo com as limitações que tem, faça a mudança para um novo ciclo direccionado para o investimento na indústria e na ciência aproveitando todos os recursos endógenos, de modo a que se ganhe competitividade e crie emprego duradouro. O Conselho Económico e Social pode ser uma incubadora que motive o aparecimento de novos investimentos e novas empresários. Assim queiram os seus conselheiros.
Meus queridos! Tinha jurado a mim mesma que nunca mais falaria nos disparates desses fundamentalistas de meia tigela que andam a tentar demolir todo o passado e a formatar as mentes para as ideologias que defendem. Mas há coisas que não consigo suportar, como foi esta semana a tirada daquele Ascenso, que diz que o Padrão dos Descobrimentos deveria ser demolido e arrasado e que a revolução de Abril não teve piada porque não houve sangue… E logo depois vem a outra deputada – porque nisto de disparates, o campeonato só agora começou – dizer que as pinturas da Assembleia da República devem ser apagadas porque cheiram a Império e Estado Novo. Essa gente está completamente doida e já estou a ver que ainda vão pedir a demolição do Mosteiro da Batalha para não ofenderem os castelhanos, ou o Mosteiro de Alcobaça, para não ofender os mouros do século XII. E já agora pensem à séria… em arrear o Cristo Rei… porque houve uma irmã Mortágua que disse que gostava de ver a outra banda quando havia nevoeiro só para não ver a estátua. A minha prima Genoveva diz que todo esse desaforo deve ser consequência da Covid-19, que mexeu com o cérebro desses pensantes e decisores políticos de meia tigela… Genoveva acrescenta que é preciso travar essa gentalha… porque se formos sempre pensando em não fazer caso das baboseiras que dizem, … eles e elas vão fazendo caminho, e um dia qualquer acordamos nus e sem passado… Ora, se acordamos!


Meus queridos! A minha prima Teresinha mostrou-me uma carta assinada por uma lista enorme de nomes de vários quadrantes da sociedade a pedir que as televisões generalistas se contivessem nos temas e na forma de informar, e em que condenam o “tom agressivo, quase inquisitorial, usado em algumas entrevistas, condicionando o pensamento e as respostas dos entrevistados”, o que classificam como “obsessão opinativa”. Mas isto, ricos, foi o que muita gente sempre defendeu, mas enquanto foi para bater noutros interlocutores e governantes, em outras ocasiões, muitos dos que agora assinam a carta foram também verdadeiros carrascos, deturpando frases e queimando pessoas, usando até a sua vida privada e a saúde dos seus familiares. Agora é que estão com os pruridos todos, como se a gente não conhecesse a agenda política e pessoal de muitos deles. E é bom recordar que por cá também há quem diga que os “velhos media” deviam era seguir o exemplo do que lá fora se faz… Livra!


Meus queridos! Será que a pandemia vai servir de desculpa a tudo e sempre? Ou será que a culpa é do frio e mau tempo? É que os passeios estão cheios de erva, as bermas de estrada vergonhosamente mal tratadas, uma ilha em estado quase de abandono, é o que se vê quando vamos por aí dar uma volta… A minha comadre Maria dos Anjos lembra que os cantoneiros já se foram, e é uma pena, porque era uma profissão que dava gosto vê-los trabalhar, ou até juntos em amena cavaqueira junto a um muro ou debaixo de uma árvore… Agora nas cidades e nas redondezas as ervas crescem livremente porque não podem ser mortas de qualquer maneira e não há os mondadores de raspadeira na não para as arrancar… Mete dó andar por aí. Já lá vai o tempo em que havia quem andasse a medir o tamanho das ervas para ir para depois fazer um alarido pelos quatro cantos… É o que temos!


Ricos! Gostei de ver no Canal Parlamento a acesa discussão entre o meu querido deputado Paulo Moniz e o Ministro de Defesa do Governo do Primeiro Costa, sobre o funeral do Tenente Coronel Marcelino da Mata, em que o Governo fez questão de estar ausente. A resposta do Ministro, que lá foi metendo os pés pelas mãos só para não dizer que está tentando a reescrever a história, veio ao menos dizer que a política do Governo nada tem a ver com o Presidente da República que esteve presente no funeral, nem o Ministro da Defesa tem de estar em sintonia com o Chefe Supremo das Forças Armadas, Marcelo Rebelo de Sousa, nem com o Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas… e outros Altos Comandos que também estiveram presentes… A desculpa do Ministro foi para não ofender os militares que lá estiveram, numa guerra que não era sua… o que quer dizer que quem foi ao funeral de Marcelino Mata quis ofender os antigos combatentes… Quando não há argumentos dá nisto… e o deputado Paulo Moniz terminou a discussão abanando a cabeça! Tudo dito… É caso para dizer há imagens que valem por mil!


Meus queridos! Segui aqui em casa, na minha Rua Gonçalo Bezerra, a transmissão da Missa do Senhor Santo Cristo dos Terceiros no passado Domingo, na velha igreja dos Frades, para marcar o dia em que é costume sair uma das mais belas procissões quaresmais dos Açores. Este ano fiquei em casa por via da pandemia e também ficaria por via do mau tempo que se fez sentir. Mas a simplicidade e ao mesmo tempo a dignidade daquela missa celebrada pelo meu querido padre Galvão, com a presença da Mesa da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande… abrilhantada pelos belos cânticos ao som do restaurado órgão, … é um exemplo de como se pode celebrar festas, mesmo em tempo de pandemia e sem enveredar por folclorismos sem sentido… Um ternurento beijinho para quantos promoveram a vetusta festa!

 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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