2 de março de 2021

Opinião

Catalunha - Nação Valente

Preservar na coerência e vencer na persistência.
É assim o Povo Catalão. Já lá vão quase quatro séculos.
A história da Catalunha liga-se à história de Portugal, que se hoje é uma Nação Independente do Reino de Espanha, deve-se à circunstância de em 1640, a quando da Restauração da Independência de Portugal, os exércitos espanhóis terem dado prioridade a combaterem os catalães, que igualmente lutavam para se libertarem do domínio espanhol.
Enquanto Portugal restaurava a sua independência, a Catalunha e o seu povo sucumbiam à ferocidade centralizadora de Castela.
Até hoje.
No passado dia 13 de Fevereiro do corrente ano, os catalães voltaram às urnas para elegerem os 135 deputados que compõem o seu parlamento.
Em eleições sucessivas, pelo menos nos últimos 20 anos, os partidos pró independência, que vão desde a esquerda à direita democráticas, têm saído vencedores.
Desta vez conseguiram 74 lugares.
As eleições que deveriam só ter ocorrido em 2022 foram antecipadas, depois dos tribunais espanhóis terem deposto o Presidente Catalão Joaquim Torra.
 Pretexto: não ter acatado uma ordem da comissão eleitoral que lhe havia ordenado que retirasse uma faixa que criticava a prisão de políticos catalães.
São nove os políticos e activistas catalães que a justiça espanhola mantém presos.
Existem mandados de busca e captura contra outros sete, que conseguiram exílio na Bélgica e na Alemanha, que juízes desses países “rejeitaram por não verem justificadas as acusações ou por entenderem não existirem garantias dum julgamento justo em Espanha”.
Num contexto adverso, com todo o aparelho estatal e a imprensa espanhola contra, a Causa Catalã voltou a ganhar, com uma maioria absoluta maior do que nunca e com mais de 50% dos votos.
Contra a Catalunha é penoso assistir-se a junções espúrias de forças políticas ideologicamente tão distintas, como os socialistas do PSOE, que são governo em Madrid, com a extrema-direita espanhola do VOX que conseguiu eleger 11 deputados para o Parlamento catalão.
São conhecidas as posições nacionalistas e contra as autonomias, desta força radical e populista que mantém relações estreitas com o partido Chega de Portugal.
O Estado Espanhol e a União Europeia não podem recusar o direito à autodeterminação da sociedade catalã.
Aos catalães assiste-lhes o direito de livremente expressarem, via referendo, o que pretendem para a sua Pátria.
Em Democracia, as Constituições dos Países, têm de respeitar os mais elementares Direitos Humanos.
O movimento político catalão repudia acções de violência.
Não só se tem vindo a demarcar do terrorismo da ETA no País Basco, como das tentativas militares extremistas pró franquistas, para interromperem o processo de democratização de Espanha.
A prevalecer a decisão judicial sobre a acção política, o processo catalão pode vir a descambar em cenários de violência, que sabemos como começam, mas nunca se sabe como terminam.
 O exemplo da Jugoslávia continua muito presente.
Os inimigos da “Causa “ da Catalunha não se encontram só em Espanha.
Alguns comentadores têm se esforçado por encontrar argumentos para rebaterem os anseios de autodeterminação dos catalães.
Eles vão desde o momento histórico actual, diferente dos vividos noutros séculos, até à globalização, à integração europeia e à interdependência económica e financeira.
Factores condicionadores dos poderes políticos dos Estados e das respectivas soberanias.
Por outro lado, existem analistas que opinam em sentido contrário.
Entendem que a globalização e o digital vieram viabilizar com maior eficácia o lema “pensar global, agir local”, favorecendo as aspirações de autodeterminação de algumas comunidades.
Daí que se sugira aos catalães que continuem a sua luta, ainda com mais vigor.
E já agora que os resistentes da “Causa Açoriana”, vejam na Catalunha um exemplo a seguir.
O actual Presidente dos Açores, logo corroborado pelo anterior, numa atitude que se saúda, ousou realizar o seguinte pronunciamento, a propósito da lei do Mar dos Açores, que uma vez mais os centralistas procuram boicotar:
“O Governo Regional está sempre vigilante e, no entanto, pronto para voltar à carga, para que a Lei do Mar avance. A autonomia de responsabilização faz-se em progresso. E nós acreditamos nas dinâmicas autonómicas”.
Tomara que seja o prelúdio de outras opções de audácia e coragem, em que os superiores interesses dos Açores e das suas gentes, estejam sempre à frente das questiúnculas partidárias.
Autonomia que já foi progressiva, tranquila e agora de responsabilização.
Será que, em algum tempo, o centralismo-colonial desistirá?
Vencer na persistência da Açorianidade, preservando a coerência na Portugalidade!
A força dum Ideal vence sempre.
 Timor é exemplo. De causa perdida a Causa Conseguida.
Termina-se com esta estrofe invocada com denodo e valentia pelos Resistentes Açorianos:
Para a frente Açorianos
Estamos dentro da verdade
Lutamos pela nossa Terra
Lutamos pela Liberdade

Açores Primeiro, Sempre!

 

António Benjamim

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