Entrevista com Isabel Cássio, Directora Clínica do Hospital Internacional dos Açores que vai ser inaugurado amanhã

O HIA vai “diminuir tempos de espera e colmatar algumas deficiências na Saúde nos Açores...”

Correio dos Açores -  Que razões a levaram a aceitar o desafio de ser Directora Clínica do Hospital Internacional dos Açores?
Isabel Cássio (Directora Clínica do Hospital Internacional dos Açores) - Sou uma pessoa de desafios e este pareceu-me realmente irrecusável. Associar o facto de ser o primeiro hospital privado dos Açores, com a inerente possibilidade de agilizar as decisões e a resolução dos problemas, com a possibilidade de começar de raiz a organização clínica era aliciante. Também contribuiu para a decisão a visão do seu CEO, Dr. Luis Miguel Farinha, sobre o enquadramento do Hospital Internacional dos Açores na Saúde dos açorianos, privilegiando a qualidade e a melhoria da oferta de cuidados em relação à vertente económica

Quais são os seus principais desafios no arranque de uma nova unidade hospitalar, privada, moderna, com equipamentos de tecnologia de ponta em várias áreas da saúde?
Desafios de organização e constituição de equipas. Queremos ter qualidade, diferenciação e segurança. O edifício novo, com espaços amplos, circuitos bem definidos, Ressonância Magnética 3 Tesla, TAC de 128 cortes, 5 salas de bloco operatório, uma delas híbrida (permite associar procedimentos cardíacos, endovasculares e cirurgias no mesmo espaço e no mesmo doente), bem como, a Maternidade, Medicina Intensiva e Atendimento Permanente, tornam-se seguramente uma mais-valia. Mas tudo isto precisa de muitos profissionais de saúde qualificados. Conseguimos, sempre com uma imensa preocupação de não desviar recursos fundamentais do Serviço Regional de Saúde, formar equipas de qualidade constituídas por médicos, enfermeiros e técnicos açorianos (uns já residentes nos Açores e outros que quiseram regressar) associados a equipas do continente que trarão diferenciação não existente até à data e completarão a oferta em áreas muito carenciadas. Estamos a falar, entre outros, de cirurgia cardíaca, oftalmologia (vitrectomia), urologia e cirurgia estética.

Já teve oportunidade de se inteirar das valências do HIA e das suas necessidades em termos de recursos humanos. Qual a sua opinião sobre o hospital, o que o distingue dos outros existentes na Região e de que forma pretende preencher a unidade hospitalar dos recursos humanos necessários?
 O HIA tem mais de 40 especialidades, tecnologia de ponta e apresenta-se como o primeiro hospital privado dos Açores. Vai, assim, aumentar a oferta já existente diminuindo tempos de espera, colmatar algumas deficiências em áreas que não existiam previamente na Região, evitando deslocações ao continente e ainda permitir que os cuidados de saúde sejam prestados com maior conforto e de uma forma mais personalizada. Em relação aos recursos humanos, para além do já exposto, contamos também com a colaboração de médicos dos outros hospitais dos Açores no nosso serviço de Atendimento Permanente.

Enquanto médica que mais-valias vê na existência de um hospital privado como o HIA em São Miguel para a valorização do sector da Saúde nos Açores?
Aumento, diversificação e melhoria de oferta. Alternativa de escolha pelo utente. Diminuição de afluxo ao Serviço Público já tão sobrecarregado. Capacidade de fixação de recursos humanos nomeadamente médicos; a possibilidade de também desenvolverem a sua actividade profissional num hospital privado, com novos projectos e equipamentos modernos e sofisticados, será seguramente um incentivo a permanecerem ou regressarem aos Açores.

O Hospital Internacional dos Açores em que medida e em que domínios pode ser um complemento ao serviço prestado pelo Hospital do Divino Espírito Santo?
Na redundância de equipamentos, no complemento e diversificação da oferta, na diminuição das listas de espera e da afluência ao Serviço de Urgência, na ajuda à fixação de profissionais na Região.

A existência de convênios entre o Hospital do Divino Espírito Santo e o HIA poderá levar ao tratamento de doentes do sector público no hospital privado, sem custos acrescidos para os utentes. Quer comentar?
Esses convênios serão seguramente uma grande mais-valia para os utentes, permitindo diminuir o tempo de espera para exames complementares de diagnóstico e para cirurgia numa época em que, consequência da pandemia, as listas de espera aumentaram significativamente. Também a possibilidade de se estenderem a áreas ainda não convencionadas como as colonoscopias e alguns exames de cardiologia ou a outras previamente inexistentes como a cirurgia cardíaca seria importante.

Ao mesmo tempo teremos uma saúde cada vez mais privada e menos pública na Região. Quais os benefícios que poderão advir desta evolução?
Entendo que são ofertas complementares que contribuirão, numa relação que se pretende harmoniosa, para um Sistema Regional de Saúde em vez de um Serviço Regional de Saúde.
Conseguimos, agora, ter redundância de equipamentos, permitindo que em caso de avaria haja possibilidade de realização de exames ou tratamentos noutro local. Aumentámos a capacidade de bloco operatório, de internamento, de cuidados intensivos, de ventiladores… Em época de pandemia ou até de alguma catástrofe teremos seguramente melhor resposta.

Qual a sua perspectiva enquanto médica e directora clínica: o Hospital Internacional dos Açores, pela qualidade dos seus equipamentos e competências dos seus profissionais, pode ser um espaço para o tratamento de doentes do exterior e, assim, ser uma mais-valia para o turismo açoriano?
 O turismo de saúde é uma das apostas do HIA e terá como principal alvo o mercado norte-americano onde os cuidados de saúde são muito caros. A existência de um hospital que alia qualidade dos profissionais, equipamentos de última geração e hotelaria “5 estrelas”, inserido numa ilha maravilhosa e com voos directos de curta duração, será seguramente muito atractivo para a captação destes clientes. Também será importante, quando da retoma do turismo, nomeadamente dos cruzeiros, permitir uma assistência rápida e eficiente a esses turistas, quase todos eles portadores de um seguro

Tem algo mais a acrescentar que considere interesse e/ou importante no âmbito desta entrevista?
Gostaria que os açorianos entendessem o HIA como um hospital para todos. Não só para os residentes em S. Miguel mas para todas as ilhas (desenvolveremos teleconsultas e agendaremos todos os actos diagnósticos e terapêuticos na mesma deslocação).
Teremos acordos com a maioria das entidades e convenções com o Serviço Regional de Saúde, tentando assim ser realmente abrangentes, indo ao encontro do nosso slogan, “A sua saúde. A nossa missão!”
                                     

Print
Autor: João Paz

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima